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Correio da Manhã

Economia
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Petróleo prejudica pescadores

O ambiente está pesado. Os armadores do porto de Aveiro fazem contas à vida, mas não conseguem evitar o pior.
27 de Agosto de 2011 às 00:30
Octávio Castro, do barco ‘Iolanda’, investiu 10 mil euros em artes novas. "Correu supermal", disse
Octávio Castro, do barco ‘Iolanda’, investiu 10 mil euros em artes novas. 'Correu supermal', disse FOTO: Miguel Pereira da Silva

Estão com prejuízos de dezenas de milhar de euros e em risco de abandonar o barco depois da empresa Mohave Oil and Gas Corporation ter feito uma prospecção de petróleo nas águas de Aveiro até à Figueira da Foz. A operação durou um mês e as embarcações tiveram de parar ou pescar em zonas desconhecidas. Quando os armadores voltaram ao trabalho após a prospecção chegar ao fim, sem resultados, depararam-se com um mar sem peixe.

"Fui para o mar na quarta-feira e na quinta tive de vir embora porque não conseguia trabalhar. Virei 300 alcatruzes [recipientes] e não apanhei um polvo. Investi 10 mil euros em artes novas e correu supermal", diz, desolado, Octávio Castro, armador do navio ‘Iolanda’.

O prejuízo, dizem todos, é elevado. "No início, a empresa disse que iam trabalhar das 2 às 6 milhas e das 6 às 10 milhas. Mas depois fizeram a área toda ao mesmo tempo. Tive parado 20 dias e o peixe saiu todo daquela zona. Foi um prejuízo de cerca de 30 mil euros para mim. Comprei redes de pescada por 10 mil euros, que era uma coisa que nunca tinha feito nem pensava em pescar", desabafou Álvaro Milhazes, dono do barco ‘Parceiro’.

Para José Carlos Craveiro, da embarcação ‘Ajudado por Deus’, a operação de prospecção foi mal gerida. "A petrolífera pagou a barcos para irem à frente do navio cortar as bóias. Foi uma cobardia. Houve embarcações de Viana do Castelo e Póvoa de Varzim, que não eram lesadas, que foram ganhar esse dinheiro. Os prejuízos começaram a 16 de Julho. Desempregaram-nos, gastei 17 mil euros em redes novas e agora nem há peixe", lamentou.

"UM MÊS A ANDAR PARA TRÁS"

Os pescadores da Nazaré ainda fazem contas aos prejuízos causados pelos trabalhos de prospecção de petróleo ao largo da costa, entre São Martinho do Porto e Pedrógão, mas de uma coisa já têm a certeza: os rendimentos caíram mais de 50 por cento. "Foi um mês a andar para trás. Costumamos fazer entre seis a sete mil euros na lota e até agora nem metade fizemos", queixa-se Nuno Zarro, mestre da embarcação ‘Pérola da Nazaré’.

Os pescadores foram obrigados a cortar as bóias de sinalização das artes de pesca e estiveram limitados na actividade piscatória na linha de costa, entre as duas e as dez milhas.

CRISTAS ACONSELHA PEDIDOS

Os 400 a 500 pescadores que ficaram parados por causa das prospecções de petróleo devem receber compensações financeiras da empresa Mohave Oil and Gas Corporation, responsável pelas operações. Esta é a expectativa do Ministério da Agricultura, dirigido por Assunção Cristas, que aconselhou os pescadores a enviaram os pedidos de compensação directamente para "a secretaria de Estado da Energia que tutela a Direcção-Geral da Energia e Geologia, responsável pelo licenciamento da Mohave Oil". Isto apesar de a compensação pelas consequências das interdições de pesca não ter sido acautelada.

CRISE PETRÓLEO PESCA AMBIENTE AVEIRO FIGUEIRA DE FOZ
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