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PHILLIPS PORTUGUESA NEGOCEIA RESCISÕES EM MASSA

A Philips Portuguesa está a rescindir contratos de trabalho com centenas de funcionários do Parque Industrial de Ovar, e pretende reduzir o universo laboral a pouco mais de 500 trabalhadores, até Julho próximo, quando há cerca de três anos empregava 2 500 pessoas.

16 de abril de 2003 às 01:01

Esta notícia foi confirmada ao Correio da Manhã por funcionários da empresa, menos de 24 horas depois de se ter conhecido o “negro” futuro da Grundig, outro “gigante” da electrónica de grande consumo.

O processo está em curso desde o final do ano passado, mas nada tem transparecido para o exterior. Segundo João Couteiro, da comissão de trabalhadores, “a subunidade que agora está em causa é de Sistemas e Componentes Bobinados, que emprega cerca de 800 pessoas. A administração está em negociação directa com aproximadamente 300 pessoas”.

Já no final de 2002, uma outra unidade, de módulos electrónicos, deslocou grande parte da produção para a Eslováquia, terminando com pouco mais de 400 postos de trabalho. Também a unidade que produz equipamentos de vigilância foi vendida recentemente à Bosch, sendo esta a única que seguiu a estratégia desenhada pela casa-mãe holandesa, que pretendia, e ao que tudo indica continua a pretender, alienar as fábricas de Ovar.

“As directrizes da Philips Internacional são para reduzir pessoal e sub-contratar em países da Europa de Leste e Ásia, nomeadamente na Índia”, refere João Couteiro, que admite: “Nos últimos tempos tem havido um grande decréscimo de trabalho.”

As negociações para rescisão amigável de contrato estão a ser feitas, desde o final do ano passado, de forma individual e, em alguns casos, sob ameaça de despedimento colectivo. “A empresa está a oferecer, em média, indemnizações de 1,3 por cada ano de trabalho, que estão bastante acima da lei, que estabelece apenas um mês em caso de despedimento colectivo”, diz o sindicalista.

No entanto, o facto das saídas estarem a ser feitas “sem grande alarido”, como reconhece o mesmo interlocutor, não tem produzido o mesmo alarme social que outros despedimentos na região. “Numa reunião com os grupos parlamentares foi dito à comissão de trabalhadores que não há muito a fazer, uma vez que a empresa está a agir de acordo com a lei”, adianta João Couteiro.

A administração portuguesa da Philips, representada por Jaime Sá, foi contactada pelo CM, mas preferiu não fazer comentários. Em Setembro último, o mesmo responsável desmentiu ao nosso jornal que a empresa estivesse a pensar retirar-se do País.

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