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Correio da Manhã

Economia
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Prejuízos milionários

A guerra de poder no BCP, desencadeada em 2007 e que levou ao afastamento do fundador do banco, Jardim Gonçalves, já custou aos principais accionistas da instituição perdas milionárias. Com a desvalorização das acções do BCP entre 2007 e 2011, os grupos de Joe Berardo, Pedro Teixeira Duarte e, a título individual, Jardim Gonçalves perderam mais de 1,2 mil milhões de euros.

5 de Março de 2012 às 01:00
O empresário madeirense Joe Berardo. Pedro Teixeira Duarte lidera construtora. Jardim Gonçalves fundou o BCP
O empresário madeirense Joe Berardo. Pedro Teixeira Duarte lidera construtora. Jardim Gonçalves fundou o BCP FOTO: Vasco Neves/ Pedro Aperta/ Pedro Catarino

Joe Berardo, um dos rostos da luta pelo poder, foi um dos accionistas mais penalizados pela desvalorização dos títulos do BCP: em Dezembro de 2007, as acções detidas pelo seu grupo valiam cerca de 738 milhões de euros, montante que caiu para 41,5 milhões no final de 2011. Resultado: o comendador perdeu 696,5 milhões – dava para comprar um submarino e ainda sobrava.

As contas são feitas a partir do número de títulos detidos pelos accionistas em 2007 e no final de 2011, que são indicados nos relatórios e contas do BCP e no site do banco.

Já Jardim Gonçalves, cujo modelo de gestão saiu derrotado na luta pelo poder, perdeu cerca de 30,5 milhões de euros. No final de 2007, o fundador do banco detinha, em conjunto com a mulher, 1 152 208 acções, cujo valor ascendia a 33,7 milhões de euros. "O meu património é BCP", confessou em entrevista ao CM no ano passado. Mantendo-se a carteira, as perdas chegam aos 30,5 milhões. Jardim Gonçalves não quis comentar os números.

Quanto ao grupo Teixeira Duarte, as perdas ultrapassaram os 490 milhões de euros, já que em 2007 os títulos detidos pela empresa ascendiam a 704 milhões e caíram para 213 milhões de euros.

QUEDAS AFECTAM EDP E CGD

A CGD e a EDP registaram também prejuízos elevados: 235 milhões de euros, no caso do banco público, e 238 milhões de euros, no caso da eléctrica.

Moniz da Maia, um dos sete accionistas que pediram a realização da polémica assembleia geral de 2007, sofreu também perdas consideráveis: através da Sogema, o empresário detinha 282 milhões de euros em acções, montante que caiu para 72 milhões no final de 2010 (dados mais recentes). Feitas as contas, são menos 210 milhões face a 2007. Os restantes membros do grupo dos sete contestatários não escaparam à desvalorização das acções do BCP, apesar de os investimentos terem caído abaixo dos dois por cento.

REDUÇÃO DE REFORMAS POUPA 31,4 MILHÕES

O acordo assinado com vários ex-gestores do BCP que pertenceram à adminis-tração de Jardim Gonçalves para a redução do valor da reforma permitiu ao banco poupar 31,4 milhões de euros. Só o fundador do grupo não aceitou negociar a sua aposentação. O relatório e contas de 2011 mostra que no primeiro trimestre a instituição financeira anulou provisões "relacionadas com pensões de reforma de anteriores membros do conselho de administração [no valor de 31,4 milhões]". Questionado pelo CM, Rui Coimbra, da Direcção de Relações com Investidores do BCP, confirmou que a anulação foi consequência do acordo obtido.

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