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Prepare a carteira: preço dos combustíveis vai continuar a subir na próxima semana

Este aumento acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz.

13 de março de 2026 às 11:49

Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana, com o gasóleo simples a aumentar cerca de 10 cêntimos por litro e a gasolina 95 a subir 10,3 cêntimos, segundo a ANAREC.

Este aumento acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.

Com base nos valores atuais da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e nos aumentos divulgados à Lusa pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis ANAREC tendo em conta os valores da abertura do mercado, a partir de segunda-feira, o preço médio da gasolina simples 95 deverá situar-se nos 1,883 euros por litro, enquanto o gasóleo simples poderá atingir os 1,937 euros por litro.

A média final só ficará fechada ao final do dia, podendo ainda registar alterações em função da evolução das cotações internacionais do petróleo, e o custo final na bomba poderá variar conforme o posto de abastecimento, a marca e a localização.

Esta semana o gasóleo simples já tinha subido cerca de 19 cêntimos por litro - já com o mecanismo de desconto aplicado pelo Governo - e a gasolina sete cêntimos.

O novo aumento ocorre após o fecho do petróleo de quinta-feira em Londres, com o barril de Brent para entrega em maio a subir mais de 9% para 100,46 dólares, o valor mais alto desde 2022, impulsionado pelas declarações do Irão sobre o encerramento do estreito de Ormuz. O preço fechou 9,22% acima do do dia anterior, quando o Brent registou 91,98 dólares.

O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, anunciou que o bloqueio de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio marítimo de hidrocarbonetos, deverá ser prolongado.

Em resposta, os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram libertar 400 milhões de barris das reservas estratégicas para compensar a perda de abastecimento devido ao encerramento do estreito. Esta é a sexta vez que a AIE coordena a liberação de reservas estratégicas, sendo a quantidade libertada mais do dobro da intervenção recorde durante o início da guerra na Ucrânia.

No plano interno, o Governo anunciou que manterá o mecanismo de descontos nos combustíveis caso os aumentos na próxima semana ultrapassem os 10 cêntimos por litro. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou no final do Conselho de Ministros que o regime definido permanece em aplicação e garante que "o Estado não fica a ganhar à conta dos consumidores".

Na sexta-feira passada, o executivo avançou com a implementação de uma "redução temporária e extraordinária" de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) aplicável ao gasóleo rodoviário no continente, medida anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para compensar eventuais aumentos superiores a 10 cêntimos.

O ministro Leitão Amaro sublinhou ainda que a continuidade do mecanismo visa dar previsibilidade aos consumidores e evitar medidas que apenas beneficiem operadores, reforçando que "existe um mecanismo de devolução para garantir que o Estado não fique a ganhar à conta dos contribuintes porque os preços aumentam".

"Portanto devolvemos os impostos a mais através de um desconto no imposto sobre os combustíveis, a partir do momento em que o aumento ultrapassou ou ultrapassar os 10 cêntimos no preço por litro", precisou.

A guerra foi desencadeada pela ofensiva de grande escala lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.

O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e contra petroleiros no estreito de Ormuz.

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