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Correio da Manhã

Economia
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Produtos chineses invadem Portugal

A liberalização do sector têxtil além de estar a ter um impacto negativo no sector em Portugal fez, nos primeiros dois meses deste ano, agravar o défice da balança comercial portuguesa com os países fora da União Europeia.
9 de Abril de 2005 às 00:00
De acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), as importações da China cresceram 25,4 por cento, fixando-se nos 76,1 milhões de euros. Este crescimento foi impulsionado pela forte presença das lojas chinesas no nosso País, que facilitaram a invasão de produtos de origem asiática a baixo preço..
“Sentimos que há um impacto muito negativo desta liberalização do sector têxtil, principalmente no que respeita às importações da China, mas ainda não temos indicadores que permitam quantificar isto”, declarou ao CM Francisco Negrão, secretário-geral do Sindicato Democrático da Energia, Química, Têxteis e Industrias Diversas (SINDEQ).
Outro impacto negativo vem das lojas chinesas, que, de acordo com este sindicalista, “estão a ter uma grande influência” nas dificuldades vividas por pequenas e médias empresas do sector que “viviam mais do trabalho em série, sem muita qualidade, e que agora não podem competir com a China”.
Para Francisco Negrão só com “uma aposta forte na qualidade é que se poderá combater o impacto das importações chinesas”.
Já para o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), José António Silva, a invasão chinesa só pode ser minorada com a adopção de cláusulas de salvaguarda a nível europeu (ver entrevista).
Uma solução apoiada pela Organização Europeia dos Têxteis e Confecções que ontem exigiu à Comissão Europeia que aplique medidas de salvaguarda contra os produtos chineses, cujas importações a nível da UE aumentaram 73 por cento só nos primeiros dois meses deste ano.
ESTATÍSTICAS
DÉFICE
O défice da balança comercial portuguesa nos dois primeiros meses deste ano situou-se em 690,4 milhões de euros, o que correspondeu a um acréscimo de 30,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
PETRÓLEO
O produto mais importado por Portugal é o petróleo. Dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Portugal importou em Janeiro e Fevereiro 350,7 milhões de euros, mais 56,2% que no mesmo período do ano passado. As importações da OPEP têm um peso de 23,2% no total das compras de Portugal a países fora da UE.
PRODUTOS
Os produtos importados mais relevantes em Janeiro e Fevereiro últimos foram os combustíveis minerais, as máquinas e aparelhos, os metais comuns e os veículos e outro material de transporte. No seu conjunto, estes produtos representaram 73,3 por cento do total das importações, ou seja uma subida de 3,3 por cento em relação a igual período de 2004.
EXPORTAÇÕES
As exportações portuguesas para países que não pertencem à União Europeia aumentaram 5,7% em Janeiro e Fevereiro último, face ao período homólogo do ano passado, situando-se actualmente em 822,5 milhões de euros. Os principais consumidores de produtos portugueses são os Estados Unidos e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
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