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Rui Nabeiro: “Quis vida mais descansada, mas foi o contrário"

O café chegou a Campo Maior para se fazer contrabando para Espanha, hoje a marca Delta sai do Alentejo para Portugal, Espanha, Brasil e Angola entre 30 países.

20 de junho de 2014 às 16:27

"Yo soy yo y mi circunstancia" ("Eu sou eu e minha circunstância") é uma frase do filósofo Ortega y Gasset, que poderia figurar como resumo da vida de Rui Nabeiro, nascido em Campo Maior a 28 de março de 1931.

Foi nesta década que a família se envolveu no negócio do café, aproveitando a oportunidade comercial que a guerra civil de Espanha ofereceu às regiões fronteiriças. Nessa época chegou à vila um torrefactor espanhol e o café deixou de ser contrabandeado em cru.

A torrefação de café viria a ser decisiva no futuro de Rui Nabeiro, a que depois juntou o seu trabalho e engenho. Com pouco mais de 13 anos começou a trabalhar na torrefação da família com um tio, que lhe ensinou o lado comercial e industrial do negócio. Em 1950, com a morte do pai, assumiu um maior papel, e constitui, com os tios, a Torrefacção Camelo. "Com o café cresci e fiz-me homem", diz.

Em 1961 criou a sua própria empresa e a marca Delta Cafés. Num livro, feito em parceria com o alpinista João Garcia, diz que resolveu criar a empresa com um objetivo simples: "ter uma vida mais descansada, mas sucedeu o contrário." Começou por funcionar com três trabalhadores num pequeno armazém.

A 25 de Abril de 1974, a empresa tinha 77 trabalhadores e houve a ideia de uma eventual ocupação. Rui Nabeiro demoveu-os. Foi o início do caminho para a Delta se apossar da liderança do mercado de cafés no canal da restauração, sob o lema "fazer de cada cliente um amigo e de cada amigo um cliente". Em 1986, Rui Nabeiro e o filho, João, foram acusados de fuga aos impostos, que tinham a ver com as importações de café. Durante 17 meses dirigiu a empresa à distância, cabendo à mulher assegurar a presença do dono nas empresas e na fábrica. Os anos seguintes foram cimentando a sua liderança nos cafés, estando sempre atento a novos modelos de negócio. Hoje o grupo tem mais de 20 empresas, de 3 mil trabalhadores e está presente em Angola, Espanha e Brasil. O volume de negócios é superior a 300 milhões de euros.

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