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Scut a pagar no fim do mês

O Governo avança com a introdução de portagens em todas as Scut até ao final deste mês. A garantia foi dada ontem pelo ministro da Economia e do Emprego, que negou qualquer aumento nos preços dos transportes pelo menos até ao final deste ano. <br/><br/>

08 de outubro de 2011 às 01:00

Álvaro Santos Pereira apresentou ontem aos deputados da Comissão de Economia e Obras Públicas as linhas orientadoras do Plano Estratégico de Transportes, que prevê a fusão da Carris e do Metro de Lisboa, numa nova entidade denominada Empresa de Transportes de Lisboa, e a fusão do Metro do Porto com a STCP – Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, para dar lugar à Empresa de Transportes do Porto. Transtejo e Soflusa também serão fundidas. As alterações anunciadas deverão implicar despedimentos, mas o ministro recusou-se a afirmar quantos.

O ministro defendeu que o modelo das Scut é "insustentável" e mostrou que, se nada fosse feito, a dívida da Estradas de Portugal (EP) em 2030 seria de 30,8 mil milhões de euros. Com as Scut portajadas, essa dívida desce para 21,8 mil milhões de euros. O Governo irá, conforme noticiou ontem o Correio da Manhã, poupar mil milhões de euros, em troços rodoviários que serão cancelados, e renegociar os contratos de concessão. Mesmo assim, a dívida da EP em 2030 será de 14 mil milhões de euros.

No sector ferroviário, serão encerrados 250 quilómetros de linhas ferroviárias, e 280 quilómetros serão alterados para servir apenas transporte de mercadorias. O TGV fica definitivamente afastado, com o ministro a dizer que é preferível a "alta competitividade à alta velocidade". O novo aeroporto de Lisboa também fica suspenso, enquanto se tenta potenciar a infra-estrutura da Portela, tendo particular atenção para as companhias aéreas low cost.

O ministro garantiu que serão cortadas regalias, tanto a administradores como no que diz respeito a alguns benefícios de trabalhadores.

PROTESTOS VÃO CONTINUAR E UM DECORRE JÁ HOJE

"Não é nada de novo esta decisão, já estávamos à espera", diz Hélder Raimundo, da Comissão de Utentes da A22, no Algarve, por isso a luta vai continuar e já hoje há uma marcha de protesto. Também a Comissão de Utentes da A23, A24 e A25, no Norte do País, promete "uma resposta à altura" ao anúncio da introdução de portagens. Além da recolha de assinaturas que está em curso, no dia 14 irá realizar-se uma viagem entre Viseu e Aveiro, pela EN16, para provar a ausência de alternativas às Scut.

EQUIPA AJUDA A AGILIZAR FUNDOS COMUNITÁRIOS

O Governo vai contar com o apoio de uma estrutura da Comissão Europeia de acompanhamento do programa económico de assistência financeira para agilizar a utilização dos fundos comunitários. De acordo com um comunicado do Executivo, esta estrutura, composta por cinco funcionários, será chefiada pelo antigo director-geral do Eurostat Hervé Carré. A equipa irá trabalhar regularmente com o ministro das Finanças e a ESAME.

GRITOS E AMEAÇAS NA COMISSÃO

Os deputados tinham sido chamados a pedido do ministro para a apresentação do Plano Estratégico de Transportes. Mas Álvaro Santos Pereira chegou ao Parlamento sem o documento, uma vez que ainda não foi aprovado em Conselho de Ministros.

Nos 50 minutos seguintes, houve uma discussão acesa entre os deputados, que ameaçaram deixar o ministro a falar sozinho.

Ana Paula Vitorino disse ainda que o PS não está disponível para "servir de encenação a qualquer reunião", reiterando que "conhece bem os homens", dado o nervosismo do PSD. Na resposta, deputados do CDS e do PSD garantiram que também conhecem bem as mulheres.

Já sem uso dos microfones e praticamente aos gritos de manipulação de dados, votou-se um requerimento para que fosse distribuído o documento que entretanto o ministro tinha exibido. Votação favorável, o ministro acede, mas é entregue a apresentação em slide e não o plano. Nova onda de indignação, que levou o presidente da comissão, Luís Campos Ferreira, a reagir: "Quem não quiser ouvir o ministro... o Palácio é grande."

STCP PAGA 650€ DE COMPLEMENTO

A Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) diz que o tecto máximo para complemento de reforma dos trabalhadores é de 650 euros. O fundo de pensões tem 283 pessoas. O apoio médio é de 135 euros/mês.

FUSÃO "PODE TER VANTAGENS"

O presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas, Jorge Costa, referiu estar "naturalmente preocupado" com a fusão dos Metros e das empresas de autocarros do Porto e de Lisboa, mas admitiu que pode haver "vantagens".

FIM DE PRÉMIOS PROVOCA GREVE

Os trabalhadores da Transtejo querem mais esclarecimentos sobre a fusão das duas empresas responsáveis pelas ligações fluviais no Tejo e criticam o fim do prémio de assiduidade, que, acreditam, pode gerar greves.

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