O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, lamentou esta terça-feira que o ministro da Economia português não tenha tido "a cortesia" de marcar uma reunião para discutir portagens e ligações ferroviárias, a exemplo do que fez a homóloga espanhola.
"Eu gostaria de dizer ao ministro que, se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata portugueses, que nós adoramos, chegam quentes, e terão melhor mercado em Espanha", afirmou Xoan Mao, lembrando a referência que Álvaro Santos Pereira fez ao potencial exportador daquele produto.
O secretário-geral da associação de municípios do Norte de Portugal e Galiza tem marcada para sexta-feira uma reunião com a ministra espanhola das Obras Públicas, Ana Pastor, para falar de portagens e da linha do Minho, mas não tem qualquer encontro agendado com o ministro português.
Xoan Mao, que falou na Corunha à margem da 1.ª Conferência sobre a Cooperação Inteligente, tem, no entanto, a informação de que as soluções preconizadas na última cimeira ibérica para tentar resolver os problemas levantados pela cobrança aos espanhóis nas ex-SCUT "estão a ser implementadas".
De qualquer forma, isso não lhe afasta os receios que "de que se vão registar maus números este Verão" no sector hoteleiro português, nomeadamente na zona fronteiriça, pois, "para muitos espanhóis, instalou-se a percepção que ir a Portugal se assemelha a viajar até à União Soviética no tempo da Cortina de Ferro". Viana do Castelo já registou uma quebra de 40 por cento no turismo.
O outro dossiê em aberto na euro-região Norte de Portugal-Galiza é o da linha Porto-Vigo, que Xoan Mao acredita será renovada com verbas do próximo quadro comunitário de apoio.
"Sabemos de Bruxelas que, se os dois governos apresentarem um projecto, ele vai ter apoio comunitário e as informações que nos chegam do governo espanhol e de alguns sectores do Governo português – e, neste caso, informalmente – é de que efectivamente vão apostar nesta linha", afirmou.
O secretário-geral do Eixo Atlântico salientou ainda que esta será "também uma linha para mercadorias que faça um contínuo portuário da fachada atlântica da Península Ibérica, capaz de competir pelas mercadorias que virão do sudoeste asiático, uma vez ampliado o Canal do Panamá".
"Temos de trabalhar todos juntos, porque o nosso adversário são os portos do Mediterrâneo que se estão a organizar e têm em andamento o projecto do eixo do Mediterrâneo, que liga por comboio, quer de mercadorias quer de passageiros, Algeciras a Barcelona", lembrou Xoan Mao.
A cooperação transfronteiriça, que se discutiu no congresso organizado pela Conferência de Redes Europeias Transfronteiriças e Inter-regionais de Cidades, deverá receber, no caso da fronteira entre Espanha e Portugal, cerca de 800 a 1.000 milhões de euros no quadro comunitário de apoio que vigorará entre 2014 e 2020.
Esta é, pelo menos, a expectativa do secretário-geral do Eixo Atlântico, que espera beneficiar do aumento geral de 30 por cento nos apoios defendido pela Comissão Europeia. O Norte e a Galiza, recorda, costumam usufruir de cerca de 50 por cento dos fundos transfronteiriços, "ou seja, a euro-região poderá receber cerca de 400 milhões de euros".
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