Menos expositores, menos alta joalharia, um destaque quase absoluto para a prata e um grande dispositivo policial. Foi este o cenário encontrado ontem na abertura da Feira Internacional de Joalharia, Relojoaria e Ourivesaria PortoJóia, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Mas a novidade desta edição é mesmo a discrição. Os expositores optaram por não levar para a feira as peças mais valiosas por questões de segurança. Este ano, um dos artigos mais caros é um relógio de 47 mil euros. Ora, na edição de 2011, havia jóias com preços a rondarem os 250 mil euros.
"Os expositores não trazem as peças mais valiosas por causa da segurança e porque os seguros de transporte são caros", disse Amélia Monteiro, directora da PortoJóia. "O seguro é entre 1 a 2% do valor que se traz. E, regra geral, as companhias de seguro nem o querem fazer", referiu um elemento da LN Jóia, empresa de Lisboa que comercializa alta joalharia (ouro com diamantes). "As peças nem vêm de Lisboa connosco", acrescentou.
CRISE E ASSALTOS AFASTAM MARCAS
Nesta 23ª edição há 120 expositores. No ano passado, eram 150. A crise e também os assaltos afastaram da PortoJóia algumas marcas, como a Flamingo e a Brijóia. "A Flamingo não está por estratégia da empresa", disse a directora da feira. A empresa de Rio Tinto foi assaltada em Julho no Porto e ficou sem meio milhão de euros. Já a Brijóia, de alta joalharia, de Lisboa, foi novamente roubada este ano.
MERCADO INTERNO É O ALVO PRINCIPAL
Apesar da "forte campanha de promoção em Espanha", o objectivo da feira é o mercado interno. "A procura, na maioria, é de clientes nacionais. E esta conjuntura difícil não acontece só em Portugal. A crise implica ainda indisponibilidade de levarmos o produto a outros países. Para vender ou só para mostrar", disse o joalheiro Eugénio Campos, que continua a ser o maior expositor no certame.
PRATA E OURO MAIS ACESSÍVEIS DOMINAM FEIRA
lO destaque na feira vai para as peças de prata, com pedras mais acessíveis, e de ouro num quilate diferente: 9 e 14. "Nós começámos a empresa logo com ouro 9, estrategicamente, mas, mesmo assim, sentimos a crise desde 2008. Somos talvez a firma mais internacional e a crise não é só cá", contou Carlos Baptista, director-geral da empresa Marques&Gomes, Espinho. "O sector do ouro parou. A prata continua a crescer: dá peças giras a preços acessíveis", disse Paula Gomes, sócia-gerente da GoFrey, Silver Jewellery, Porto.
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