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Correio da Manhã

Economia
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Trabalhadores da CGD França manifestam-se na Embaixada de Portugal

Oitenta grevistas protestam "contra a privatização" da sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos
Lusa 2 de Junho de 2018 às 12:54
Embaixada de Portugal em Paris
Sede da Caixa Geral de Depósitos, em Paris
Embaixada de Portugal em Paris
Sede da Caixa Geral de Depósitos, em Paris
Embaixada de Portugal em Paris
Sede da Caixa Geral de Depósitos, em Paris
Cerca de 80 pessoas voltaram a manifestar-se este sábado junto à Embaixada de Portugal em Paris para "lutar contra a privatização" da sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos.

"Não, não, não à alienação", "A Caixa unida jamais será vendida" e "os trabalhadores unidos jamais serão vencidos" foram alguns dos "slogans" ouvidos, no meio de várias bandeiras de Portugal.

Cristina Semblano, porta-voz da intersindical FO-CFTC e membro da comissão de negociação dos trabalhadores em greve, recordou que os trabalhadores da CGD França iniciaram a paralisação a 17 de abril, "há mais de 50 dias".

E adiantou que haverá novas manifestações na próxima semana que poderão contar com a presença do deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira, "que fez parte das duas comissões de inquérito à Caixa Geral de Depósitos".

O protesto de hoje é o terceiro em duas semanas, em Paris, depois de uma manifestação, esta quinta-feira, em frente ao Consulado-Geral de Portugal e de outra manifestação junto à Embaixada de Portugal, a 25 de maio.

"Estamos a lutar contra a privatização acordada entre o governo português e Bruxelas em contrapartida da recapitalização. Estamos aqui para protestar contra a falta de transparência que envolveu todo o processo. Continuamos sem ter acesso ao plano de reestruturação em violação completa da lei portuguesa e da lei francesa", disse à Lusa Cristina Semblano.

A porta-voz da intersindical FO-CFTC enviou, a 29 de maio, um pedido de audiência urgente ao Presidente da República para apresentar "a verdadeira situação da Caixa Geral de Depósitos em França e as soluções que urge adotar", mas ainda não teve resposta.

Por outro lado, estão a ser recolhidas assinaturas para uma petição a entregar na Assembleia da República "contra a privatização da sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos".

"Continuamos o nosso trabalho de recolha de assinaturas até chegarmos às 4.000 assinaturas, sabendo que temos largamente mais de 50%", continuou.

A petição também pede "a investigação das condições em que o Estado português aceitou sacrificar a sucursal num país com uma emigração portuguesa tão importante e manteve outras sucursais como o caso de sucursais offshore".

Por outro lado, a representante da comissão de negociações contou que a petição quer que "sejam escrutinadas as despesas de investimento e com consultadoria que foram efetuadas nos últimos seis anos na sucursal em projetos que, longe de contribuir para a modernização da sucursal, contribuíram para a degradação do serviço da banca pública à emigração portuguesa e também para a deterioração das condições de trabalho".

Cristina Semblano acrescentou, ainda, que os grevistas "não receberam salário e são vítimas de intimidação".

A greve na sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos, que tem 48 agências e mais de 500 trabalhadores, foi apoiada pela intersindical francesa FO-CFTC, mas não foi seguida pelos sindicatos CGT e CFDT.

A redução da operação da CGD fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

Na semana passada, o Governo aprovou os cadernos de encargos com as condições para a venda dos bancos da Caixa Geral de Depósitos na África do Sul e em Espanha, segundo comunicado de Conselho de Ministros.

Em 10 de maio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades, apesar de ter sido também acordada a sua venda, mas acrescentou que isso só acontecerá se a "operação for sustentável, rentável e solidária" com os esforços feitos pelo banco.

A Caixa Geral de Depósitos teve lucros 68 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que compara com prejuízos de 38,6 milhões de euros do mesmo período de 2017, sendo que 30 milhões de euros vieram da atividade doméstica e 38 milhões de euros da atividade internacional.

Quanto aos contributos da atividade internacional, o BNU Macau contribuiu com 15 milhões de euros, a sucursal de França com sete milhões de euros, o BCI Moçambique com sete milhões de euros e o Banco caixa Geral (Espanha) com 9,3 milhões de euros. Para a África do Sul não foram desagregados resultados.

Em 2017, a CGD encerrou as sucursais de Londres, ilhas Caimão, Macau Offshore e Zhuhai (na China), segundo informação do banco.
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