Oitenta grevistas protestam "contra a privatização" da sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos
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Cerca de 80 pessoas voltaram a manifestar-se este sábado junto à Embaixada de Portugal em Paris para "lutar contra a privatização" da sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos.
"Não, não, não à alienação", "A Caixa unida jamais será vendida" e "os trabalhadores unidos jamais serão vencidos" foram alguns dos "slogans" ouvidos, no meio de várias bandeiras de Portugal.
Cristina Semblano, porta-voz da intersindical FO-CFTC e membro da comissão de negociação dos trabalhadores em greve, recordou que os trabalhadores da CGD França iniciaram a paralisação a 17 de abril, "há mais de 50 dias".
E adiantou que haverá novas manifestações na próxima semana que poderão contar com a presença do deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira, "que fez parte das duas comissões de inquérito à Caixa Geral de Depósitos".
O protesto de hoje é o terceiro em duas semanas, em Paris, depois de uma manifestação, esta quinta-feira, em frente ao Consulado-Geral de Portugal e de outra manifestação junto à Embaixada de Portugal, a 25 de maio.
"Estamos a lutar contra a privatização acordada entre o governo português e Bruxelas em contrapartida da recapitalização. Estamos aqui para protestar contra a falta de transparência que envolveu todo o processo. Continuamos sem ter acesso ao plano de reestruturação em violação completa da lei portuguesa e da lei francesa", disse à Lusa Cristina Semblano.
A porta-voz da intersindical FO-CFTC enviou, a 29 de maio, um pedido de audiência urgente ao Presidente da República para apresentar "a verdadeira situação da Caixa Geral de Depósitos em França e as soluções que urge adotar", mas ainda não teve resposta.
Por outro lado, estão a ser recolhidas assinaturas para uma petição a entregar na Assembleia da República "contra a privatização da sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos".
"Continuamos o nosso trabalho de recolha de assinaturas até chegarmos às 4.000 assinaturas, sabendo que temos largamente mais de 50%", continuou.
A petição também pede "a investigação das condições em que o Estado português aceitou sacrificar a sucursal num país com uma emigração portuguesa tão importante e manteve outras sucursais como o caso de sucursais offshore".
Por outro lado, a representante da comissão de negociações contou que a petição quer que "sejam escrutinadas as despesas de investimento e com consultadoria que foram efetuadas nos últimos seis anos na sucursal em projetos que, longe de contribuir para a modernização da sucursal, contribuíram para a degradação do serviço da banca pública à emigração portuguesa e também para a deterioração das condições de trabalho".
Cristina Semblano acrescentou, ainda, que os grevistas "não receberam salário e são vítimas de intimidação".
A greve na sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos, que tem 48 agências e mais de 500 trabalhadores, foi apoiada pela intersindical francesa FO-CFTC, mas não foi seguida pelos sindicatos CGT e CFDT.
A redução da operação da CGD fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.
Na semana passada, o Governo aprovou os cadernos de encargos com as condições para a venda dos bancos da Caixa Geral de Depósitos na África do Sul e em Espanha, segundo comunicado de Conselho de Ministros.
Em 10 de maio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades, apesar de ter sido também acordada a sua venda, mas acrescentou que isso só acontecerá se a "operação for sustentável, rentável e solidária" com os esforços feitos pelo banco.
A Caixa Geral de Depósitos teve lucros 68 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que compara com prejuízos de 38,6 milhões de euros do mesmo período de 2017, sendo que 30 milhões de euros vieram da atividade doméstica e 38 milhões de euros da atividade internacional.
Quanto aos contributos da atividade internacional, o BNU Macau contribuiu com 15 milhões de euros, a sucursal de França com sete milhões de euros, o BCI Moçambique com sete milhões de euros e o Banco caixa Geral (Espanha) com 9,3 milhões de euros. Para a África do Sul não foram desagregados resultados.
Em 2017, a CGD encerrou as sucursais de Londres, ilhas Caimão, Macau Offshore e Zhuhai (na China), segundo informação do banco.
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