Apesar de os preços do gás terem baixado após o anúncio de um cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, a situação "permanece incerta e volátil".
A Comissão Europeia afirmou esta quinta-feira que não há riscos imediatos no abastecimento de gás para a União Europeia, mas avisou que a guerra no Médio Oriente vai ter "consequências a longo prazo" no fornecimento dessa fonte de energia.
"A Comissão e os Estados-membros confirmaram que não se verificam riscos imediatos em termos de segurança no abastecimento de gás, mas a preparação para o inverno deve ser antecipada e potenciais medidas coordenadas", lê-se num comunicado da Comissão Europeia, divulgado após uma reunião do Grupo de Coordenação de Gás da União Europeia (UE), que reúne representantes do executivo comunitário, dos Estados-membros e da indústria do gás.
No comunicado, refere-se que, apesar de os preços do gás terem baixado após o anúncio de um cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, a situação "permanece incerta e volátil".
"Os danos a infraestruturas de energia na região e o encerramento do Estreito de Ormuz vão ter consequências a longo prazo, tendo em conta que a produção de gás natural liquefeito (GNL) nos países do Golfo ainda não recomeçou", alerta.
A Comissão salienta ainda que, apesar de os níveis de reserva de gás na UE estarem atualmente abaixo da média dos últimos cinco anos, o facto de estar a haver um "fluxo de injeção constante" desde o início deste mês constitui "um sinal positivo".
"Isso permitirá que a UE beneficie de um período de injeção mais longo e se adapte às circunstâncias do mercado para mitigar a pressão sobre os preços e evitar um pico de procura no final do verão", refere.
O executivo comunitário acrescenta ainda que as infraestruturas da UE estão preparadas para "repor as suas reservas a um nível mínimo de 80% até 01 de novembro, dependendo da disponibilidade de fornecimento de GNL".
"O sistema de gás da UE permanece flexível e resiliente, graças às novas capacidades de regaseificação em vigor desde 2022, que podem potencialmente compensar os níveis de armazenamento mais baixos no início do inverno", refere-se.
A Rede Europeia dos Operadores de Sistemas de Transporte de Gás (ENTSOG) alertou esta quinta-feira que as reservas de gás da UE, que estão preenchidas em cerca de 28%, registam o nível mais baixo em três anos.
"Em 01 de abril de 2026, os níveis das reservas de gás da UE estavam em 28% - 314 TWh [terawatts-hora]/cerca de 29 bcm [mil milhões de metros cúbicos] -, abaixo dos três anos anteriores e ao mesmo nível do período pré-crise energética", indica a ENTSOG (na sigla inglesa) num relatório esta quinta-feira publicado.
Num documento com perspetivas de abastecimento para os próximos meses, a rede europeia indica que, "para reabastecer o armazenamento de gás em preparação para o próximo inverno, a Europa necessitará de importações de GNL [gás natural liquefeito] superiores às observadas anteriormente, juntamente com uma maior utilização das infraestruturas de gás".
Esta quarta-feira já se tinha reunido o Grupo de Coordenação do Petróleo da UE, no qual representantes da indústria petrolífera indicaram que o fornecimento de petróleo para a EU se mantém estável, apesar das flutuações nos preços globais.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e GNL consumidos a nível mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.
Atualmente, a UE tem vigor regras para armazenamento de gás que ditam que todos os países têm de atingir 90% de enchimento entre 01 de outubro e 01 de dezembro, antes da estação fria.
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