A Herdade do Cebolal quer dobrar a produção nos próximos dois anos. Para tal, a empresa quer reforçar a sua posição no mercado externo. Alemanha e Inglaterra são as apostas recentes
A ideia nasceu do professor Caio de Loureiro, natural de Mangualde, que, em 1879, decidiu fixar-se no Alentejo para se dedicar à agricultura. Na pequena herdade de cinco hectares, localizada em Vale das Éguas, no concelho de Santiago do Cacém, decidiu "arriscar e plantar a primeira vinha" que, anos mais tarde, deu origem aos néctares da Herdade do Cebolal.
A empresa familiar já passou por quatro gerações que partilham a "paixão pela cultura do vinho", diz Luís Mota Capitão, um dos herdeiros e enólogo da herdade. Em 2008, mediante um plano de investimentos, o negócio sofreu um grande impulso. Cresceu de nove para 23 hectares e abraçou a mais recente tecnologia.
"Em termos económicos, a vinha não era viável dada a sua dimensão. A produção anual era reduzida e já estava no limite. Decidimos arrancar a vinha e fazer a primeira intervenção para equilibrar as percentagens de brancos (40%) e tintos (60%) e passamos a fazer a vindima por castas", explicou o também diretor da sociedade agrícola, que certificou a vinha há cerca de quatro anos.
Atualmente da herdade da costa alentejana saem, todos os anos, 48 mil litros de vinho engarrafado e 20 mil litros a granel. "Outra tendência que invertemos uma vez que a produção de engarrafado era muito reduzida. Apesar das embalagens ‘bag-in--box’ serem uma tradição, aumentámos a produção de engarrafado e certificámos o vinho para garantir a sua qualidade e segurança", adiantou.
O crescimento da microempresa "faz-se a pulso" e o responsável não se deixa iludir pela massificação do seu produto, apostando em nichos de mercado. "Temos de saber onde nos queremos posicionar e apostamos cada vez mais em vinhos de proximidade tendo mais contacto com o consumidor. Somos um alfaiate dos vinhos e fazemos um vinho dirigido para determinados mercados e consumidores", adianta.
Presente em cinco países – Brasil, Angola, Suécia, Suíça e Finlândia –, a sociedade agrícola vai reforçar a sua posição no mercado externo com a expansão para a Alemanha e Inglaterra. "Queremos definir qual a capacidade do mercado externo. Temos vinhos que vão ao encontro do mercado nórdico e outros que se adaptam perfeitamente aos mercados angolano e brasileiro e isso deve-se a um trabalho que temos desenvolvido no sentido de ir ao encontro das necessidades de cada mercado", acrescentou.
Para combater a crise, Luís Mota Capitão já delineou uma estratégia: "No mercado interno, a capacidade de compra está bastante reduzida, o que tem feito aumentar a procura do ‘bag-in-box’ em relação ao vinho engarrafado. Vamo-nos adaptar e aumentar a qualidade das embalagens de vinho com o mesmo preço, porque queremos que o consumidor se mantenha fidelizado aos vinhos da Herdade do Cebolal".
Com vinhos premiados no seu palmarés, a Herdade do Cebolal, lançou em janeiro deste ano o vinho Caios branco em homenagem ao visionário Caio Lourenço. A ampliação da adega e a construção de uma sala de provas para degustação de vinhos são outros projetos que a empresa pretende concretizar.
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