Namorada ainda é fiel a violador de Telheiras
Advogado garante que família e companheira continuam a apoiar predador na prisão, sete meses depois. Sotero obrigou onze raparigas a sexo oral
Preso desde 6 de Março por forçar onze raparigas à prática de sexo oral, depois de as sequestrar e de as ameaçar com uma faca encostada ao corpo, em Lisboa, Henrique Sotero continua a receber o apoio incondicional da família e da namorada. A garantia foi dada ontem ao CM pelo advogado de defesa, José Pereira da Silva. "Continua tudo igual no que toca à família e à namorada. Não mudou nada", disse, escusando-se a dar mais pormenores.
Não se conhece outra namorada ao violador de Telheiras, que estava com A. S. há cerca de nove anos. Aliás, na carteira, o engenheiro da ZON andava sempre com a foto da namorada. Viviam juntos, em Massamá, num apartamento que compraram há três anos. Os vizinhos garantem que planeavam casar já este ano. Oito meses depois de o predador sexual ter sido preso, A. S. parece manter-se fiel a Sotero e mantém as visitas no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL). O advogado não quis dizer com que frequência.
Ao todo, o violador de Telheiras responde por 74 crimes, que variam entre a violação, o sequestro, o rapto ou o roubo. Das treze vítimas, apenas duas escaparam à violação. As outras tiveram de ceder às ameaças de Sotero e fazer-lhe sexo oral, uma delas à frente do namorado. Quando apanhava as vítimas, o predador sexual queria saber tudo: nome, quem eram os pais, o que estudavam, se tinham namorados, se eram virgens e que tipo de experiências sexuais tinham tido.
Depois das perguntas, com a maior parte delas a chorar, Sotero encostava-lhes a faca, despia-as e forçava-as a sexo oral ou masturbação. Por vezes, fotografava-as nuas com o telemóvel e fazia chantagem: se contassem à polícia, as imagens eram logo divulgadas junto de vizinhos e amigos. As vítimas começaram a preparar a sua defesa e três delas já pediram indemnizações por danos morais, que até agora já chegaram aos 750 mil euros.
APENAS CINCO VÍTIMAS TÊM ADVOGADO
Agarradas à entrada dos prédios, nas zonas dos Olivais, Amadora e Telheiras, apenas duas raparigas, entre as treze vítimas, conseguiram evitar a violação, embora fossem igualmente perseguidas, roubadas e sequestradas. Agora, a meses do julgamento, apenas cinco já têm advogado para as representar judicialmente. Aliás, três delas já fizeram pedidos de indemnização – uma de 300 mil euros e outras duas de 75 mil euros cada. Ao que o CM apurou, quase todas prestaram declarações para memória futura, o que não as obriga a depor em julgamento, principalmente as menores. Aliás, nenhuma delas manifestou interesse em assistir ao julgamento de Henrique Sotero, apurou o nosso jornal junto de fonte ligada ao processo. "Foi um trauma muito grande que só querem apagar da memória", disse.
PSIQUIATRA FICA FORA DA PERÍCIA FEITA NO IML
O psiquiatra que está a acompanhar Henrique Sotero não foi autorizado a assistir aos exames médicos requeridos pelo Ministério Público, a realizar no Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Segundo o CM apurou, o violador de Telheiras terá pedido para ser acompanhado pelo especialista, facto que lhe foi recusado. Recorde-se que a defesa já tinha pedido vários exames para averiguar se Sotero é ou não imputável, de forma a avaliar a sua culpa nos crimes. O CM não conseguiu, até à hora de fecho desta edição falar com António José Albuquerque.
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