Portugueses em vídeos caseiros
A Polícia Judiciária apreendeu anteontem vídeos caseiros feitos no nosso país onde são visíveis imagens de crianças a serem abusadas. Falta determinar quem são esses menores e em que contexto é que as mesmas imagens foram obtidas. As autoridades não encontraram para já qualquer indício de produções pedófilas em Portugal. As situações detectadas respeitam apenas a abusos num quadro de proximidade, ou seja, foram recolhidas imagens com cenas de sexo explícito com menores que terão sido obtidas de forma rudimentar.
Essas mesmas imagens permitiam então aos suspeitos aceder ao sistema, já que só assim – produzindo novos conteúdos – é que conseguiam entrar na rede e compartilhar os ficheiros dos restantes utilizadores.
A dificuldade maior reside agora em particularizar os abusos. É preciso verificar os computadores apreendidos aos 23 suspeitos identificados – a maioria da classe média-alta e residentes de norte a sul do País – para tentar chegar à imagem que cada um inseriu na rede. Só assim poderá depois ser possível avançar para outra suspeita. A dos abusos sexuais propriamente ditos, o que, neste caso, já permitiria uma elevada pena de prisão para os envolvidos.
Refira-se ainda que, no âmbito da ‘Operação Carrossel II’ – coordenada pela Polícia Federal brasileira mas que contou com a colaboração de Portugal –, foram apreendidas várias dezenas de computadores e cartões de memória onde as mesmas imagens estavam guardadas. Os peritos informáticos vão agora analisá-los.
TRÊS MESES DE PREPARAÇÃO
A operação da equipa que combate o crime informático, liderada pelo juiz Moreira da Silva, esteve três meses a ser preparada. As autoridades rodearam-se dos maiores cuidados já que estavam em causa todo o tipo de suspeitos. Foram identificados dois médicos, um professor do ensino básico, um advogado, empresários e seguranças. Eram aqueles os donos dos computadores apreendidos mas resta agora saber se eram os utilizadores. As perícias é que o vão determinar.
PORMENORES
ARGUIDOS
Na sequência da última operação da PJ de combate ao crime de pedofilia na internet, já foram constituídos alguns arguidos. As perícias permitiram identificar quem tinha inserido os conteúdos.
CRIME MENOR
O crime de posse de imagens só permite uma pena até cinco anos
NOTAS
PJ - OPERAÇÃO REÚNE 60 POLÍCIAS
Cerca de 60 elementos da Polícia Judiciária (PJ) estiveram a trabalhar durante três meses na ‘Operação Carrossel II’, que culminou com 18 buscas e a identificação de 23 pessoas
INTERNACIONAL - 11 PAÍSES
A operação teve origem em informação recolhida no Brasil e envolveu 11 países de todo o Mundo. Só cinco países, entre eles Portugal, fizeram buscas simultâneas
UTLIZADORES - 23 IDENTIFICADOS
Foram feitas 18 buscas mas identificados 23 utilizadores. Em alguns casos porque não era líquido quem utilizava os aparelhos informáticos. Há casos de uso de postos públicos
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