Rolls-Royce paga dívidas fiscais
Dono da empresa Briel, na Maia, declarou insolvência e viu os serviços de Finanças penhorarem praticamente todo o seu património.
Manuel Santos Leite está falido e deve cerca de um milhão de euros ao Fisco. Cinco anos depois de ter comprado em leilão a Briel, por apenas um euro, tem hoje a empresa em processo de insolvência e um valioso património pessoal todo penhorado.
A Briel, fábrica de máquinas de café expresso, fechou em Maio e, durante os últimos dois meses, os 70 funcionários tiveram salários em atraso. Cerca de 30 ainda não receberam as indemnizações. Santos Leite investiu um euro na Briel, mas nos últimos anos acumulou riqueza pessoal. Tem um Rolls--Royce importado em 1999, no valor de 60 mil euros, que está à venda pelas Finanças por metade do preço, como base de licitação. O carro de luxo está a ganhar pó nas instalações da Briel à espera de novo dono. O mesmo acontece com os dois carros de alta cilindrada que as Finanças também penhoraram a Santos Leite. Um Mercedes Benz 216, de 2006, no valor de 80 mil euros e que está à venda por 56 mil. Um outro Mercedes Benz, de 2001, no valor de 15 mil euros, vale agora nas finanças 7500 euros.
Manuel Santos Leite e a família habitam no Porto, num luxuoso apartamento de cinco assoalhadas no 8º andar, situado em Ramalde. Vale 200 mil euros e está também penhorado, por cerca de 137 mil, preço-base de venda. Na lista de bens penhorados pelas Finanças, consta ainda uma loja na rua do Campo Alegre, no Porto, que vale 80 mil euros e está à venda por metade do preço.
Só a listagem de bens que são alvo do Fisco está avaliada em cerca de 435 mil euros, mas não chega para Santos Lima pagar tudo o que deve às Finanças, que soma cerca de um milhão de euros. Para salvaguardar o pagamento das dívidas, o Fisco optou por reverter a penhora para os bens pessoais do empresário. Tudo aponta para má gestão do grupo Santos Leite durante os cinco anos como administrador da Briel. O CM tentou falar com Manuel Santos Leite, mas o empresário nunca atendeu o telemóvel. Em casa, a mulher recusou qualquer esclarecimento.
BRIEL VIVE DUAS FALÊNCIAS EM CINCO ANOS
O grupo Santos Leite, antes dedicado ao sector imobiliário, adquiriu a Briel, com 110 trabalhadores na fábrica da Maia, em 2006, estava a empresa já em processo de insolvência. Herdou um passivo de 6,5 milhões de euros, que pagou. A empresa viveu uma estável situação financeira até 2009, mas em 2010 não resistiu à concorrência das novas máquinas de café expresso de cápsulas. Apesar de os trabalhadores afirmarem que havia encomendas suficientes para manter a laboração, a fábrica voltou a declarar a insolvência em Maio.
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