Tiro acidental mata cadete
Pedro Joel Delgado tinha 21 anos e frequentava o 3.º ano da Academia Militar. Foi atingido por um tiro acidental de um colega.
Um cadete da Academia Militar, na Amadora, morreu anteontem ao final da tarde com um tiro no abdómen, disparado acidentalmente por um colega durante a limpeza das armas, já dentro das instalações da Academia. Pedro Joel Delgado, de 21 anos, frequentava o 3º ano de oficiais da GNR e regressava de um exercício em Mafra , onde passou a última semana, quando foi atingido.
Uma munição esquecida na câmara de uma pistola Glock terá sido o motivo do acidente. Por isso mesmo, a família acredita que tenha havido negligência por parte da instrução. Uma informação sobre a qual o Exército, contactado pelo CM, se recusa a tecer comentários, dizendo que o caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária Militar.
'Tinham de ser respeitadas todas as medidas de segurança e decerto não foram. Ele era o meu ídolo, o meu menino e o grande orgulho da família' desabafa ao CM Pedro Delgado, pai da vítima, sem conseguir controlar as lágrimas. 'Temos a família completamente destruída', acrescenta.
Natural de Tronco, em Chaves, Pedro Joel ia passar o fim-de-semana a casa e tinha a viagem marcada para ontem de manhã, juntamente com a namorada que frequenta o 2º ano da Academia Militar. Pedro era tido pelos colegas como um dos melhores alunos do curso e como 'um exemplo a seguir'.
'Tinha tudo para ser feliz. Era carinhoso e amigo de todos', finalizou o pai, que conta com o apoio da família, em especial da filha mais nova, de 15 anos.
A autópsia será realizada amanhã e o corpo será levado de seguida para Tronco, onde terá lugar o funeral.
'SER OFICIAL ERA O SEU SONHO'
'Ele estava há três anos na Academia Militar e o sonho dele era ser oficial da GNR', recordava ontem emocionado Abílio Queiroga, tio de Pedro Joel, o primeiro a ser avisado do trágico acidente, anteontem cerca das 18h00.
'Primeiro disseram-nos que tinha tido um grave acidente, mas depois quando liguei para o telemóvel dele e já não atendeu temi logo o pior', contou Abílio, em Tronco, freguesia em Chaves, de onde o jovem é natural. Lavada em lágrimas, Luciana Delgado, tia do cadete, era ontem o rosto da dor e do luto. 'Era muito querido por todos, muito trabalhador. Ainda há pouco semeou centeio e o dinheiro da venda servia para ele pagar as suas despesas. Ainda nem acredito no que aconteceu', desabafou a mulher.
O funeral de Pedro Joel ainda não está marcado, mas ao que tudo indica deverá realizar-se 3ª feira.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt