Multiplicam-se os relatos de abusos sexuais do médico Alcídio Rangel a mais de 20 mulheres.
Uma enfermeira que trabalhava em Santa Marta com Alcídio Rangel está entre as cinco primeiras vítimas do médico que foram detectadas no hospital pela Inspecção de Saúde. As outras quatro, doentes, também foram abusadas entre 2006 e 2008. Depois, terão sido cometidos outros 15 crimes contra pacientes, quando o cirurgião foi reintegrado no serviço. Uma das vítimas é mulher de um agente da PSP. Entretanto, continuam a chegar novos testemunhos – um deles referente a um abuso de há 18 anos.
O caso desta última vítima, que ontem contactou o CM, já prescreveu. Mas o crime contra a mulher do polícia foi cometido em 2008, quando foi operada às varizes por Rangel. Ainda não foi ouvida pela PJ de Lisboa: os investigadores estão a despistar as 200 mulheres operadas de 2008 a 2009 para saber quantas foram vítimas dos abusos.
A mulher do agente da PSP diz ao CM ter sido abusada sexualmente pelo cirurgião vascular, em pleno bloco operatório, em 2008. "Ele agarrou-me, mexeu-me nos seios e beijou-me". Nos últimos meses chegaram à PJ vários relatos sobre a conduta de Rangel, que se chegava a masturbar.
"ESFREGOU-SE NOS MEUS PÉS E EXIBIU PÉNIS"
Quando precisou de fazer "a secagem de uma variz, mais por uma questão de estética", ‘Graça’ procurou o cirurgião Alcídio Rangel "na clínica da rua Gonçalves Crespo". "E isto já foi há 18 anos", conta ao CM a mulher, que na altura teria 40 anos. "Um dia ele aplicou-me uma injecção na veia, voltei para casa, mas não estava boa. Duas semanas depois liguei-lhe, mandou-me lá voltar para remediar com nova injecção, e foi nessa consulta que me atacou. Eu estava semi-deitada no gabinete quando ele se começou a esfregar nos meus pés. Só o ouvia a arfar. Perguntei-lhe se era normal fazer aquilo às doentes, ele disse que sim e eu empurrei-o, embora ele tenha resistido. Quando saí do gabinete tremia por todos os lados e reparei que ele tinha o pénis de fora. Paguei a consulta, 9 contos na altura, e fugi dali em pânico", recorda.
"FIQUEI ESPANTADO QUANDO VI A CARA DELE NO JORNAL"
Alcídio Rangel, a residir num condomínio de luxo na Alta de Lisboa, Lumiar, costuma sair bem cedo de casa, num modesto carro azul que já possui há vários anos. Chega tarde, passando despercebido a vizinhos e funcionários do condomínio, e não frequenta o comércio local. Um funcionário diz mesmo ter sido "com espanto" que viu a cara dele no jornal. "Não estava à espera, porque é uma pessoa tranquila e discreta". Também na anterior casa, em Benfica, era pouco notado. "Tratávamo-lo por Dr. Alcídio, era simpático mas de poucas palavras. Vendeu a casa há cerca de um ano e nunca mais ouvimos falar dele", diz um vizinho. O CM tentou ontem, insistentemente, contactar Alcídio Rangel, que não esteve em casa nem atendeu o telemóvel.
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