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Cheiro de morte no peluche e na roupa de Kate

O cão inglês especialmente treinado para detectar o odor de cadáver encontrou um rasto de morte na roupa de Kate McCann, assim como no peluche que desde a primeira hora a mãe de Madeleine não larga, levou até ao Vaticano e apresenta como um dos brinquedos preferidos da criança. O trabalho do cão foi registado em vídeo e pode servir de prova a apresentar pela Polícia Judiciária.

06 de setembro de 2007 às 13:00

O cão mostrou-se extremamente nervoso ao cheirar um par de calças de ganga muito utilizado por Kate e uma camisa. Estes indícios foram recolhidos no passado mês de Julho – apurou o CM – na mesma altura em que o animal detectou cheiro de morte no apartamento do Ocean Club de onde a criança desapareceu.

Um segundo cão usado pela polícia, especialista em encontrar vestígios biológicos como sangue, suor ou saliva, também reforçou os sinais do primeiro animal, ao detectar o que se presume ser sangue na mala do carro usado pelos McCann – alugado já depois do desaparecimento da criança, no dia 3 de Maio.

Entretanto, o CM sabe que alguns dos exames aos vestígios recolhidos estão já na posse dos investigadores. O laboratório de Birmingham, Inglaterra, enviou alguns elementos, não sendo ainda conhecidos todos os resultados. Desconhece-se também quando é que os mesmos começaram a chegar à PJ, embora diversas fontes contactadas pelo nosso jornal tenham garantido que tal só começou a acontecer esta semana.

PRÓXIMOS DIAS SÃO DECISIVOS

A chegada a Portimão dos resultados pode consolidar as convicções dos investigadores, que há mais de dois meses apontam para um cenário de morte da criança ainda dentro do apartamento da Praia da Luz. Os próximos dias serão decisivos.

A hipótese de os pais virem a ser novamente inquiridos também não está afastada, embora as autoridades possam tentar consolidar as provas já recolhidas antes de procederem a qualquer interrogatório.

Certo é que a PJ tem optado por não manter os encontros regulares com os McCann, o que poderá querer dizer duas coisas diferentes: que ainda não tem indícios seguros que expliquem a provável morte da criança ou que não pretendem disponibilizar aos McCann a informação recolhida.

"SANGUE E SALIVA SÃO PRIORIDADES"

A parte mais difícil está feita em Inglaterra, com o laboratório a dar total prioridade ao sangue e à saliva recolhidos pela Judiciária, numa corrida contra o tempo pela “progressiva degradação das amostras”, recorda ao CM José Manuel Anes, ex-director do Laboratório de Polícia Científica.

A aparelhagem sofisticada e “uma capacidade humana de resposta a altíssimos níveis de criminalidade” em todo o Reino Unido conseguem milagres no Forensic Science Service, em Birmingham. E o departamento de biologia já terá feito chegar à PJ alguns dos resultados, o que poderá permitir aos inspectores avançarem com acções mais concretas nos próximos dias.

A extracção de ADN no sangue, saliva e esperma são sempre as análises mais complicadas. E neste caso foram agravadas, no que diz respeito ao sangue detectado no apartamento e no jipe dos McCann, pelo facto de as amostras recolhidas estarem bastante contaminadas e terem sido lavadas, forçando os especialistas a “uma série de análises ainda mais sensíveis”, justificando-se assim um mês de espera pelos resultados.

O primeiro relatório, já entregue à Polícia Judiciária, “deverá ser bastante pormenorizado, descrevendo tudo aquilo que foi feito e com que resultados”.

“O Laboratório de Polícia Científica dá a sua interpretação dos resultados apresentados”, da qual ficará também a par o procurador do Ministério Público responsável pela investigação – antes de a Judiciária avançar para as diligências seguintes.

Enquanto isso, aguarda-se de Inglaterra um relatório com o resultado das análises às fibras recolhidas – tecidos de roupa e cabelos. “Essa parte diz respeito à química forense, mas são análises mais rápidas e fáceis de concluir com as aparelhagens disponíveis, mas são vestígios que podem ter seguido apenas mais tarde”.

"JULGO QUE A HIPÓTESE MAIS FIÁVEL É HOMICÍDIO": Moita Flores, criminalista

Correio da Manhã – As análises já chegaram à PJ. O que é que pode acontecer a seguir?

Moita Flores – Se chegaram podem estar criadas as condições para proceder a novas inquirições, interrogatórios e possivelmente prisões.

– Estas análises podem, então, ser decisivas e orientar a investigação num determinado sentido?

– Podem vir a confirmar algumas das hipóteses que estão em cima de mesa. Orientam, decisivamente, por acção ou por omissão.

– O tempo que os resultados das análises demoraram para chegar é razoável?

– Não... se é que elas já chegaram. Já há muito tempo que deviam cá estar.

– Continua a acreditar que os ingleses podem ter tido intervenção com o objectivo de atrasar os resultados e a investigação?

– Não tenho dúvidas de que houve jogos de poder do governo e da Comunicação Social para que este caso não tivesse outra solução que não fosse o rapto.

– Há hipótese de os resultados não serem conclusivos?

– Depois de tantos dias e tantas semanas não consigo acreditar que o resultado não seja conclusivo. É fácil e rápido chegar à conclusão de que algo é inconclusivo, mas o contrário não.

– Com as análises nas mãos da Polícia Judiciária acredita que o caso pode ser resolvido nos próximos dias ou a curto prazo?

– Não direi que vai ser resolvido definitivamente porque um caso só se resolve quando é entregue ao juiz. Mas pode dar grandes passos.

– Segundo a imprensa inglesa, a polícia não está a dizer nada aos pais de Madeleine. É uma situação normal?

– A imprensa inglesa sobre este caso não é fiável. Não tenho dúvidas de que têm feito os possíveis para negar o caso com as evidências que cada vez mais apresenta.

– Acredita no envolvimento de ingleses no desaparecimento de Madeleine?

– Julgo que a hipótese mais fiável, coerente, sensata e compatível com aquilo que é a nossa própria vida é o homicídio.

– Praticado por ingleses?

– Por alguém que tinha acesso àquela casa.

CASAL LEVOU MENSAGEM A VÁRIOS PONTOS DO MUNDO

Após o desaparecimento de Madeleine no dia 3 de Maio, o casal McCann pôs em marcha a mais mediática campanha alguma vez realizada para encontrar uma criança. Kate e Gerry efectuaram viagens a vários países europeus, a Marrocos e aos Estados Unidos para divulgarem o caso, conseguindo ainda o feito de chegarem à fala com o Papa Bento XVI. Mas recentemente reclamaram privacidade e mostraram descontentamento perante notícias, algumas vindas a lume em Portugal.

Kate e Gerry são católicos fervorosos, pelo que não admira que a primeira deslocação que efectuaram tenha sido ao Santuário de Fátima. Ainda no mês de Maio o casal cumpriu o sonho de se encontrar com o Papa Bento XVI – o que trouxe redobrada visibilidade à campanha para encontrar a menina.

O pais de Maddie – que montaram desde o início o seu ‘quartel-general’ na Praia da Luz – viajaram ainda até vários países europeus considerados como estratégicos, nomeadamente Espanha (apontado como possível ponto de fuga no caso de Madeleine ter sido raptada), Alemanha e Holanda (mercados turísticos do Algarve).

Fora da Europa, a prioridade foi para Marrocos, onde uma turista garantira ter visto Madeleine acompanhada por um homem. Mais recentemente, Gerry viajou até aos Estados Unidos da América. Nas últimas semanas, o casal optou por se resguardar mais e mostrou intenção de regressar a Inglaterra.

VIAGENS DOS MCCANN EM CAMPANHA

ALERTAR

No início era o alerta para a imagem da filha, para um pijama igual ao que tinha quando desapareceu. Depois foi o apelo a melhores leis.

FÁTIMA

Foi a primeira viagem dos McCann após o desaparecimento da filha. Estiveram no Santuário dia 23 de Maio e rezaram na Capela da Nossa Senhora das Dores e na Capelinha das Aparições.

VATICANO

Dia 30 de Maio Gerry e Kate assistiram à Audiência Semanal na Praça de São Pedro. No fim, o Papa Bento XVI falou com eles e abençoou uma fotografia da pequena Madeleleine.

BERLIM

Paragem rápida mas intensa em exposição mediática, até em reuniões políticas na capital alemã, dia 31 de Maio. Depois segui-ram viagem para Amesterdão, na Holanda.

VATICANO APAGA REGISTO DO CASO NO SITE OFICIAL

O Vaticano mandou retirar na última sexta-feira qualquer referência ao caso Maddie do seu site oficial, www.vatican.vat, apurou o CM. E isto depois de o próprio Papa Bento XVI ter dado especial atenção ao desaparecimento da menina de quatro anos, chegando mesmo a receber e abençoar os pais, perante uma multidão, em plena Praça de São Marcos. Foi a 30 de Maio, nem um mês depois do crime, que Kate e Gerry McCann partiram do Algarve em mais uma viagem de jacto particular, cedido por um multimilionário inglês, para a mais mediática iniciativa. Quatro meses depois mudou o rumo da investigação e a atenção do Vaticano ao caso, apagado.

DIRECTOR DA PJ ADIANTA QUE FOI RECOLHIDO ADN

O director nacional da Polícia Judiciária recusou apontar nomes, mas confirmou ontem que foi recolhido o ADN “de algumas pessoas” por parte da PJ para que possa ser agora estabelecida uma comparação com os vestígios encontrados nos locais onde foi também detectado, por parte dos cães britânicos, odor ao cadáver de Madeleine. Alípio Ribeiro, em entrevista à SIC, reconheceu ainda que “nos grandes casos a polícia tem de passar a dar respostas” à sociedade, à semelhança do que acontece noutros países. “Não há essa tradição em Portugal, mas teremos de passar a ter”, adiantou o director da PJ, garantindo que as relações com a polícia inglesa “são óptimas. Acompanham toda a investigação e nunca tivemos críticas da parte deles em relação à nossa actuação em todo o processo”.

AFIRMAÇÕES APÓS AFASTADA TEORIA DE RAPTO

"Rezo todos os dias por Maddie. Estou profundamente arrependida de ter deixado os meus filhos sozinhos no apartamento."

Kate McCann, CM, 6 de Agosto

"Nunca gostei da incerteza. Gerry e eu falámos sobre isto e nos nossos corações ambos preferimos saber – mesmo que saber signifique termos de enfrentar a verdade terrível de que a Madeleine possa estar morta.

Kate, ‘Woman’s Own’, 13 de Agosto

"Vamos ter de voltar para casa. Mas isso também depende da investigação."

Gerry McCann, CM, 17 de Agosto

"Não vamos divulgar nenhuma informação que possa ajudar quem cometeu esse crime a esconder os seus passos."

Gerry McCann, antes de abandonar entrevista ao canal espanhol Telecinco, 27 de Agosto

GÉMEOS

Os McCann começaram o dia de ontem de forma descontraída. Eram cerca de 09h00 quando deixaram os filhos gémeos na creche do Ocean Club.

COMPRAS

Depois de deixarem os miúdos, regressaram a casa, onde se reuniram com a assessora de imprensa. Levavam três garrafões de água, sinal de que não devem partir nos próximos dias.

REGRESSO A CASA

Antes de almoço foram buscar os gémeos. Por volta das 13h15 foram fazer jogging, cerca de meia hora. A seguir, o casal saiu de carro com os filhos. Regressou por volta das 19h00. Não falaram aos jornalista.

O CASO NA IMPRENSA BRITÂNICA

'DAILY MAIL'

A hipótese de ocorrerem detenções é avançada pelo jornal britânico, uma vez apuradas conclusões incontornáveis nas análises laboratoriais entregues à PJ.

'THIS IS LONDON'

Os testes irão continuar, mas a polícia inglesa tem vindo a entregar informação actualizada à portuguesa e nessa linha novos resultados foram agora entregues.

'DAILY EXPRESS'

A polícia não informou o casal McCann de que estava na posse de elementos decisivos resultantes dos testes, segundo avançou um amigo próximo da família.

SKY NEWS

A informação obtida pela PJ pode clarificar de forma definitiva a situação de Robert Murat, que permanece no caso como o único suspeito.

'THE SUN'

O facto de os pais não possuírem informação sobre os testes pode, segundo um amigo, dificultar a boa relação existente entre a PJ e os McCann.

EXAMES COMPARATIVOS

Os eventuais ADN encontrados nos vestígios recolhidos têm depois de ser comparados laboratorialmente

PAIS SEM INFORMAÇÃO

Os pais de Madeleine estão sem informação oficial há algumas semanas

VISIBILIDADE DIMINUIU

A visibilidade do casal e dos gémeos diminuiu nas últimas semanas, por decisão dos próprios

PERÍCIAS

A Polícia Científica procurou nos primeiros dias todos os vestígios no apartamento do Ocean Club, enquanto os binómios de cinotécnica da GNR bateram durante semanas mais de 20 quilómetros na área envolvente da Praia da Luz e a Polícia Judiciária conduzia a investigação.

"QUEREMOS SABER SE ESTÁ VIVA"

Ian e Jean Sykes, reformados ingleses, vivem ao lado dos McCann. Ontem seguiram as notícias sobre as análises apenas com uma preocupação em mente: “Queremos saber se está viva ou morta.”

TURISTAS NA LUZ SÃO DIFERENTES

Proprietários de restaurantes na Luz queixam-se de que este Verão teve clientes diferentes. Se antes era um destino calmo, agora move jornalistas e curiosos em torno do desaparecimento de Madeleine.

DESAPARECEU ENQUANTO OS PAIS JANTAVAM NUM RESTAURANTE

A menina inglesa Madeleine McCann, de Rothley, desaparece entre as 21h30 e as 22h00, do aldeamento Ocean Club, na Praia da Luz, do quarto onde dormia com os dois irmãos gémeos. Os pais jantavam num restaurante

PJ SUBLINHA QUE PAIS DE EQUENA MADDIE NÃO SÃO SUSPEITOS

PJ ouve dois suspeitos que estiveram no Ocean Club. Estes foram submetidos a identificação presencial pelos pais de Madeleine. O pai, Gerald, foi interrogado 14 horas. E a mãe sete horas. PJ sublinha que os pais não são suspeitos

ROBERT MURAT É CONSTITUIDO O ÚNICO ARGUIDO NO DESAPARECIMENTO

Robert Murat, britânico de 32 anos é constituído arguido. Ao fim de 14 horas de inquirição na PJ de Portimão, saiu em liberdade. Após o rapto ofereceu-se para colaborar com polícia. Vive a cem metros do Ocean Club.

TESE DE RAPTO GANHA FORÇA APÓS IMPORTANTE CONTACTO POLÍTICO

O jornal britânico ‘The Guardian’ avança que Gordon Brown, recém-nomeado primeiro-ministro, interveio no caso. Através da embaixada em Lisboa terá pressionado a PJ a revelar dados da investigação. Tese de rapto ganha força

PISTA HOLANDESA APONTA PARA POSSIBILIDADE DE CORPO ESTAR ENTERRADO NO ALRGARVE

Uma carta anónima recebida no diário holandês ‘De Telegraaf’ diz que Madeleine pode estar morta e enterrada a 15 quilómetros do local de onde desapareceu, no Algarve. A PJ vai para o terreno com cães mas abandona a pista

CASAL DETIDO EM ESPANHA POR TENTATIVA DE EXTORSÃO

O italiano Danilo Chemello e a portuguesa Aurora Vaz Pereira foram ouvidos em Espanha. Sobre eles recaiu a suspeita de tentativa de extorsão. Queriam o prémio por informações de Maddie. Nenhum indício da menina foi obtido

EXAME DE ADN REVELA QUE MENINA VISTA NA BÉLGICA NÃO É MADDIE

Três meses após o desaparecimento, uma menina “muito parecida” com Madeleine é vista num café belga em Tongeren. Polícia recolhe análise de ADN de garrafa de sumo e palhinha. Resultados revelam que não é Maddie

PJ ENCERRA BUSCAS EM CASA DE MURAT E ADMITE TESE DE MORTE DE MADDIE

Recolhidas análises de vestígios do apartamento de onde desapareceu Maddie. PJ dá por terminadas buscas à vivenda de Murat, único arguido no processo. O inspector Olegário Sousa admite tese de que a menina possa estar morta

RESULTADOS DE ANÁLISES DOS VESTÍGIOS PODEM DAR AVANÇO À INVESTIGAÇÃO

Imprensa britânica divulga que resultados das análises obtidos em laboratório britânico foram enviados para Portugal, dado que PJ não confirma. É levantada a hipótese de detenções

e avanço importante na investigação

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