Cristian Decô apresentou-se em Évora em 2005. Dizia ser representante do príncipe da Transilvânia e garantia que também ele nascera no principado que já não existe. Prometia depois construir uma fábrica de aviões e dar emprego a mais de uma centena de pessoas. O negócio não se concretizou, mas o empresário mudou-se de malas e bagagens para outras paragens. Tentou a sua sorte em Arraiolos e agora estava na Covilhã, onde já tinha apresentado um projecto idêntico, garantindo que era ele próprio também príncipe da Transilvânia – a terra de Vlad, o Empalador, conhecido por Drácula.
Foi preso anteontem pela PJ e ontem foi ouvido pelo juiz. Responde por burla qualificada e branqueamento de capitais e foi libertado e proibido de contactar com autarcas. O esquema só não foi uma fraude milionária porque os bancos não aceitaram avançar com os capitais necessários, tendo a burla ficado pela aquisição irregular de terrenos camarários.
Por sua vez, Thistan Bathory, o primeiro a ser apresentado como príncipe da Transilvânia, também está a ser procurado. Por estar fora de Portugal, não foi detido na operação da PJ.
Segundo o CM apurou, a primeira entidade a perceber que os negócios não passavam de uma fraude foi o BCP. Decô e Bathory pediram--lhe financiamentos, mas não conseguiram qualquer quantia.
Na apresentação do primeiro projecto em Évora contaram com a presença de membros do Governo e também uma ministra da República do Congo. Depois, em Arraiolos, o duo voltou a tentar negociar um financiamento com a Caixa Geral de Depósitos. Igualmente lhes negou o empréstimo.
Já na Covilhã, Decô apresentou uma ideia idêntica. Propunha-se criar uma fábrica de aviões, mas o projecto, enviado pela Câmara para a Universidade da Beira Interior, não deixou dúvidas de que se tratava de uma fraude.
"NÃO TINHA SERIEDADE": José Ernesto d’Oliveira Presidente C.M. de Évora
Correio da Manhã – A Câmara de Évora chegou a ser burlada na atribuição de um terreno?
José Ernesto d’Oliveira – Não. Foi decidido por unanimidade a atribuição de um terreno em termos de direito de superfície para exploração na zona do Aeródromo Municipal, mas nunca assinámos nada com esse senhor.
– Porque desistiram desse contrato de cedência?
– Porque perante a Câmara nunca deu provas de maturidade e de seriedade e faltou a várias datas de assinatura. Nunca mais fomos abordados desde a desistência.
PROMETEU 150 MILHÕES SÓ PARA A FÁBRICA DE ÉVORA
Cristian Decô, a quando da sua visita a Évora, em 2005, para apresentar o megalómano projecto no ramo aeronáutico eram "boas" as notícias que trazia para a região.
De um investimento inicial de três milhões de euros, o representante do alegado príncipe da Transilvânia, aumentou a parada: o investimento estava agora fixado em 150 milhões de euros.
A fábrica, pronta a produzir em uma ano, a ser instalada nos 2688 metros quadrados que a Câmara de Évora se preparava para conceder à empresa de capitais belgas Falconwings junto ao Aeródromo Municipal iria produzir quatro modelos diferentes de aviões ligeiros, com encomendas que criariam 2500 postos de trabalho. Nunca chegou a haver acordo, nem dinheiro nem aviões.
SAIBA MAIS
SEM PRÍNCIPES
A Transilvânia não é um principado há 300 anos. Ocupada sucessivamente por austríacos, húngaros e turcos, no fim da II Guerra Mundial, foi incorporada na Roménia.
1897
Bram Stoker publicou neste ano ‘Drácula’, livro que tornou famosa a Transilvânia. Ter--se-á inspirado no implacável Vlad III, príncipe da Valáquia, que viveu no séculoXV.
CAMPEÕES
Uma das maiores cidades da Transilvânia é Cluj-Napoca, cujo principal clube de futebol se sagrou campeão da Roménia com dez jogadores portugueses no plantel.
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