Barra Cofina

Correio da Manhã

Exclusivos
7

Filho de magistrados leva 7 anos por matar

João Pires ‘poupado’ pelos juízes por ser menor e ter sido instrumentalizado pela namorada .
2 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Familiares de Joãozinho Pereira sempre se mostraram revoltados com o crime e negam acusações de violência doméstica
Familiares de Joãozinho Pereira sempre se mostraram revoltados com o crime e negam acusações de violência doméstica FOTO: Bruno Colaço

João Eduardo Pires tinha 17 anos quando, a pedido da namorada, de 15, foi a Chelas, Lisboa, comprar uma caçadeira. Depois, pelas 22h00 de 29 de Março do ano passado, enfrentou o pai de Joana junto a um campo de futebol em Santo António dos Cavaleiros, Loures – e abateu-o com dois tiros. Joãozinho Pereira, de 51 anos, maltrataria a mulher e a filha, namorada do jovem homicida. Ontem, João Pires, filho de uma procuradora do Ministério Público em Lisboa e de um juiz-desembargador da Relação do Porto, foi condenado a sete anos de cadeia.

O jovem, que aguarda o desenrolar do processo em prisão domiciliária, com pulseira electrónica, foi agora condenado por co-autoria de um crime de homicídio – a namorada instigou-o – e outro de posse de arma proibida. Os juízes do Tribunal de Loures tiveram em conta o facto de João ser menor e de ter sido instrumentalizado – a namorada e a mãe desta eram vítimas de violência doméstica.

À sentença assistiram amigos e familiares do jovem – a mãe é a procuradora Auristela Gomes Pereira, do DCIAP –, que à saída não quiseram comentar a pena. O advogado, José António Barreiros, não adiantou se vai recorrer.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA JÁ ERA CONHECIDA

Quando, na noite de 29 de Março, João Pires foi levado ao Tribunal de Sintra para o primeiro interrogatório judicial, os funcionários reconheceram logo Joana e a mãe desta, sentadas ao lado do jovem homicida. Eram ‘clientes habituais’ daquele tribunal devido aos vários episódios de agressões alegadamente cometidos por Joãozinho Pereira. Segundo o CM apurou na altura, havia várias queixas formalizadas, que não tiveram qualquer consequência prática.

Terá sido por já não acreditar na Justiça que o filho de Auristela Pereira, procuradora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, e de um juiz-desembargador da Relação do Porto acedeu aos pedidos da namorada e, em conluio com esta, planeou a morte de Joãozinho Pereira. A jovem sempre defendeu o namorado.

TRIBUNAL DE MENORES JULGOU JOANA POR INSTIGAR CRIME

O processo de Joana Pereira, namorada de João Eduardo Pires, foi julgado pelo Tribunal de Família e Menores de Loures, uma vez que a menor tinha apenas 15 anos na altura do crime. Joana foi considerada co-autora do homicídio do pai, por ter instigado João a por fim ao sofrimento da família, mas não cumpre pena de prisão por ser menor. Está a ser acompanhada pela Comissão de Protecção de Menores. Ontem, não esteve no tribunal a ouvir a sentença do namorado.

Em 29 de Março do ano passado, recorde-se, foi Joana quem convenceu João a entregar-se, após ser confrontada pela PJ, que tinha encontrado um casaco com cartuchos de caçadeira no local do crime. Na altura foram juntos ao tribunal de instrução criminal.

 

JOÃO PIRES HOMICÍDIO LOURES NAMORADA TRIBUNAL PENA
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)