Um numeroso grupo oriundo de bairros degradados de Lisboa lançou ontem o pânico na praia de Quarteira, no Algarve. Eram cerca de 50. Começaram por roubar uma loja à entrada para a praia – e só não invadiram o areal, como alguns deles tinham feito na véspera em Carcavelos, porque foram travados pelo pelotão ciclista da GNR.
Após o ‘arrastão’ em Carcavelos, na sexta-feira à tarde, alguns dos assaltantes tomaram o comboio para Lisboa. Foram reconhecidos e “acompanhados” por elementos da PSP à civil. Os assaltantes preparavam-se para provocar igual estrago nas docas de Lisboa. Mas o significativo número de agentes fez com que o grupo decidisse viajar para uma festa numa discoteca de Albufeira.
A troca de informação entre a PSP e a GNR deixou os militares de Quarteira de sobreaviso. Em Lisboa, foi uma noite dura para a investigação: pormenores de fotos, confirmação de identidades e um significativo caudal de informação para cruzar. Muitos dos assaltantes que estiveram no ‘arrastão’ de Carcavelos estavam já referenciados pela PSP pela prática de diversos crimes.
A troca de informação entre as esquadras de Investigação Criminal de Cascais, Oeiras e Amadora e o comando da Divisão de Investigação, em Alcântara foi intensa. Os agentes procuram ainda determinar se o ‘arrastão’ de Carcavelos foi ou não um movimento organizado. Até ao momento, nenhuma força policial admite que o ‘arrastão’ tenha sido coordenado. Mas fontes policiais apontam que “se tratou de uma demonstração de força conseguida”.
O CM apurou que a PSP está na posse de imagens onde foram identificadas algumas “lideranças grupais”. Alguns desses suspeitos já estão há muito referenciados. “Muitos foram da Cova da Moura, do Casal do Cotão e do bairro de Santa Filomena para Carcavelos. Mas outros partiram de outros locais, designadamente da Margem Sul. Os contactos entre algumas pessoas destes bairros são muitos e quase permanentes”, disse ao CM um oficial da PSP ligado à investigação .
TRABALHO A DOBRAR
No dia 10 de Junho, a chegada à Praia de Carcavelos de muitos grupos mais ou menos organizados foi notada por agentes da PSP a partir do meio-dia. “Uns de comboio, outros de camioneta, os grupos que chegaram por essa hora tinham as mesmas características dos que dias antes vinham protagonizando desacatos na praia. Mas nada fazia prever que horas depois as coisas tomassem aquelas proporções”, disse ao CM um dos agentes de turno na zona.
Entre alguns banhistas habituais da praia de Carcavelos, os desacatos com grupos de rapazes com idade entre os 17 e os 20 anos já vinham sendo comentados. O nadador-salvador de Carcavelos foi agredido de tal forma que desistiu de trabalhar ali.
Depois do ‘arrastão’, a calma tomou conta do areal de Carcavelos ainda antes do anoitecer. Em Lisboa, a noite de 10 de Junho foi recheada de trabalho para os agentes da PSP. Os festejos dos santos populares, a festa dos ‘skinheads’, o rescaldo do ‘arrastão’ de Carcavelos que ameaçava avançar para as Docas obrigaram a patrulhamento reforçado. Talvez tenha sido essa visibilidade que fez “o grupo de Carcavelos” mudar de ideias e avançar para a festa no Algarve.
Ontem, enquanto o ministro da Administração Interna antecipava a operação ‘Praia Segura 2005’, a PSP e a GNR concentravam as atenções na ZouKizomba 2005 – uma festa africana anunciada para o Parque Tejo, junto ao Parque das Nações.
Foi montado um reforço policial nos comboios das Linhas de Sintra e Azambuja e as brigadas activas na 2.ª e 5.ª Divisões da PSP de Lisboa reforçadas. Os postos da GNR da zona de Sacavém também receberam reforços designadamente ao nível da intervenção rápida.
GNR REFORÇA ALGARVE
A antecipação do reforço do dispositivo de Verão que a GNR tinha previsto para o Algarve é a primeira consequência dos incidentes de ontem em Quarteira. A chegada de quase 400 militares, dos quais 210 estagiários, que deveria ocorrer apenas no último dia deste mês, foi antecipada para os próximos dias, adiantou ao ‘CM’ uma fonte da GNR. Ontem, a pronta intervenção do pelotão-ciclo do 2.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria, com apoio de unidades territoriais e também da Polícia Marítima, impediu que o areal de Quarteira fosse invadido por um grupo de assaltantes que acabara de roubar uma loja. “Não fiz queixa, nem quero confusões, pois tenho medo de represálias”, disse ao ‘Cm’ a proprietária da loja assaltada. Os assaltantes, um grupo de 50 jovens oriundos de Lisboa, tinham participado numa festa de dança organizada por uma discoteca de Albufeira e que durou toda a noite.
DETIDO PELA GNR
Um dos jovens que integrava o grupo foi detido pela GNR e deverá ser presente a Tribunal amanhã. Outros dois rapazes, também oriundos da Cova da Moura e da Damaia, foram identificados. No rescaldo dos incidentes de Quarteira, que ocorreram no dia a seguir ao ‘arrastão’ de Carcavelos, um militar da GNR sofreu ferimentos numa mão, tendo sido assistido em Loulé.
LOJA ASSALTADA
A proprietária da loja assaltada pelo grupo não quis ser identificada, pela mesma razão que não quis apresentar queixa: medo de represálias. Ainda assim contou ao CM os momentos de “terror” que viveu. “Fiquei rodeada pelo gang. Enquanto uns me perguntavam os preços, outros enfiavam calções por baixo da roupa. Como resisti,
ainda consegui recuperar algumas peças”, disse.
AUTOCARRO
Cerca de cinquenta jovens, oriundos de bairros problemáticos da Amadora, integravam o grupo que chegou a Quarteira vindo de Vilamoura. Na noite anterior tinham estado numa festa ‘rave’ numa discoteca de Vilamoura. Depois de assaltarem uma loja, tentaram chegar ao areal de Quarteira, mas a pronta intervenção da GNR impediu que causassem mais estragos.
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