Vítima foi esfaqueada na zona do pescoço e tinha uma almofada na cabeça para abafar os gritos de socorro.
Estava tudo conjugado para uma festa em família: o pai comemorava o 81º aniversário e o filho regressava de férias. Iam reunir-se todos num jantar ontem à noite, em Coimbra, onde residem. Mas o dia que deveria ser de celebração acabou em tragédia. Eugénia Rosa Fernandes Madeira, médica de 58 anos, foi encontrada de manhã morta em casa, na Quinta da Lomba, uma urbanização de luxo no centro da cidade.
Foi esfaqueada no pescoço, apresentando dois golpes, e tinha uma almofada na cabeça, supostamente para abafar os gritos de socorro. O corpo foi descoberto cerca das 09h00 pela empregada de limpeza. Ao abrir a porta, Cidália deparou com as luzes acesas e o apartamento todo remexido. Foi encontrar a vítima no quarto, caída em cima da cama, cheia de sangue. Eugénia Madeira estava nua da cintura para baixo, mas, segundo o CM apurou, não terá sido vítima de sevícias sexuais.
A vítima era médica no Centro de Saúde Norton de Matos, em Coimbra, e morava com o filho, de 23 anos, estudante de Medicina. Mas o jovem estava de férias na Figueira da Foz e tinha o seu regresso a Coimbra previsto para ontem, para um jantar em família, de celebração do aniversário do avô. Na vizinhança, ninguém se apercebeu de movimentações estranhas. Só um dos moradores terá ouvido um barulho durante a noite, que não valorizou por pensar que "estava a sonhar".
As circunstâncias em que ocorreu o crime estão a ser investigadas pela PJ de Coimbra.
Os vizinhos têm várias versões. Há quem acredite na tese de assalto, devido ao facto de o apartamento estar remexido e de ter sido encontrada uma corda amarrada a um pilar da varanda, nas traseiras da casa, pendurada para a rua. E há quem desconfie desta hipótese por não haver sinais de arrombamento, avançando com a teoria do "assalto encenado".
MÉDICA ERA "MUITO ESTIMADA" NA ALDEIA DOS SEUS PAIS
A família de Eugénia Fernandes Madeira é originária de Chelo, no concelho de Penacova. Os pais têm casa na aldeia e ainda recentemente ali estiveram. A notícia do homicídio da médica deixou a população em choque. Na esplanada do café da aldeia, a sua morte dominava as conversas: "É muito triste. Não merecia uma morte destas." Eugénia colaborou com o clube da terra, desempenhando as funções de dirigente e médica da equipa principal. Após o divórcio, deslocava-se com menor frequência à aldeia, mas continuava a ser uma pessoa "muito estimada". "Não tinha manias. Era cinco estrelas. Vamos sentir a sua falta", diz um habitante.
"AINDA NÃO ACREDITAMOS QUE ISTO POSSA TER ACONTECIDO"
A notícia do assassinato chegou pela manhã ao Centro de Saúde Norton de Matos, em Coimbra, onde Eugénia Madeira trabalhava há 17 anos. Dezenas de doentes aguardavam pela consulta, e os amigos estranhavam a demora da colega. "Quando soubemos o que aconteceu, ficámos em choque. Ainda não acreditamos que isto possa ter acontecido à Eugénia. Não nos conformamos com a forma brutal como tudo aconteceu. Ela era uma pessoa amiga, muito trabalhadora, sociável e atenciosa", referiu ao CM Conceição Milheiro, directora do Centro de Saúde. "Fui eu que dei a notícia aos pais dela. Ficaram em choque, preferiam morrer eles no lugar da filha", adiantou a directora.
"ERA MEIGA, QUERIDA E MUITO SOCIÁVEL"
Na noite de segunda-feira, a médica esteve até às 20h00 na unidade de saúde onde trabalhava. Depois de sair, passou por casa dos pais, dirigindo-se posteriormente para o seu apartamento, onde acabou por ser assassinada. "Ultimamente ela tinha uma paz interior incrível e estava muito concentrada no trabalho e na família, que eram tudo para ela", salienta Conceição Milheiro, directora de Centro de Saúde Norton de Matos e amiga da vítima. As qualidades profissionais e humanas da médica são também reconhecidas por técnicos e auxiliares do centro onde trabalhava. "Era meiga, querida e muito sociável ", explicam, adiantando: "Vamos sentir muito a falta dela." Os 1800 doentes que tinha sob a sua responsabilidade serão distribuídos por outros clínicos. A curto prazo, as consultas agendadas serão asseguradas por outros médicos.
"SÓ CHORAVA E DIZIA QUE ESTAVA MORTA"
Cidália, a empregada de limpeza que encontrou o corpo quando ia limpar a casa, ficou em choque. Após a descoberta macabra, telefonou ao marido. "Não se percebia nada do que estava a falar. Só chorava e dizia que estava morta", conta Alberto Serra. Perante o estado de "aflição", Alberto Serra e a filha, residentes no concelho de Penacova, avançaram para Coimbra. "Nunca a vi assim antes. Já tivemos vários choques, mas nunca ficou assim", descreve. Depois de receber apoio psicológico, foi levada pela família para casa. "Estava tão mal que nem fizemos perguntas", referiu Alberto Serra. Cidália saiu de casa no autocarro das 07h00. O marido calcula que tenha chegado ao apartamento um pouco antes das 09h00.
"CONTINUAVA A ASSISTIR A FAMÍLIA DO EX-MARIDO"
Eugénia Madeira encontrava-se divorciada há cerca de quatro anos, mas "continuava a assistir a família do ex-marido", garante Maria Cândida Cordeiro, ex-sogra da médica. "Fui operada há quatro meses e ela tratou de mim com todo o carinho. Foi incansável", recorda Maria Cândida, que ficou "em grande choque" ao ser confrontada com o que aconteceu.
Apesar da separação, Maria Cândida garante que a ex-nora e o filho continuavam a "dar-se bem". "Eram amigos e falavam diversas vezes por causa do filho." Lembra que ainda recentemente Eugénia pediu ao ex-marido para a aconselhar na aquisição de uma viatura.
Está até preocupada com o filho, que "deve estar arrasado com o que aconteceu". Acredita que se ele ainda não lhe telefonou "é porque está mesmo mal".
Actualmente a residir e a trabalhar em Lisboa, o ex-marido da médica "deslocou-se a Coimbra assim que soube da tragédia" para ficar com o filho e apoiar a família.
"Eu própria estou à espera que a minha filha ou ele me venha buscar para ir lá dar uma palavra de apoio", diz Maria Cândida, que reside em São Pedro de Alva, no concelho de Penacova. "Os pais devem estar muito abalados. Ela era filha única", afirma.
Nesta povoação, todos conheciam a médica e "tinham grande respeito por ela, não só como profissional mas também como pessoa", refere um morador da aldeia.
Maria Cândida descreve a ex--nora como "uma excelente rapariga e uma boa médica, de quem todos gostavam". Não lhe conhecia inimigos e assegura que a sua vida "era de casa para o trabalho e do trabalho para casa e de vez em quando ia a Chelo", povoação de onde são naturais os seus pais e onde residem vários familiares.
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