Metade do valor total das ‘luvas’ que terão sido pagas a várias pessoas, no âmbito da autorização de construção do Freeport em Alcochete, ficou em Inglaterra. Por isso, a própria polícia inglesa já está a tentar encontrar o rasto a esse dinheiro, que terá desaparecido em Inglaterra. Com este novo dado, o valor total de ‘luvas’ sob suspeita ascende a oito milhões de euros.
Ao que o CM apurou, o montante total das ‘luvas’, alegadamente pagas pela Freeport PLC, foi revelado à Serious Fraud Office (SFO) por uma pessoa próxima de Sean Collidge, ex-presidente do conselho de administração da Freeport. No essencial, as autoridades inglesas suspeitam de que 'quatro milhões de euros ficaram em Inglaterra', segundo fonte conhecedora do caso.
A ser assim, os oito milhões de euros em ‘luvas’, alegadamente pagas pela Freeport PLC, terão sido distribuídos entre portugueses e ingleses. Até agora, as suspeitas apontavam para que o pagamento de subornos tivesse ocorrido apenas em Portugal.
A carta rogatória da SFO, enviada ao Ministério Público em 7 de Dezembro de 2008, diz que os cidadãos britânicos 'Sean Collidge, Gary Russell, Jonathan Rawnsley, Rick Dattani, Charles Smith, William (Billy) McKinney Jnr' estão a ser investigados por causa da sua ligação ao caso Freeport e que 'existem motivos razoáveis para crer que as pessoas acima referidas tenham cometido crimes de suborno e de corrupção.' E diz também que José Sócrates, José Marques, ex-vice-presidente do Instituto da Conservação da Natureza, João Cabral, ex-director de projectos da Smith & Pedro, e Manuel Pedro, sócio da Smith & Pedro, 'são considerados como estando sob investigação no sentido de terem solicitado, recebido ou facilitado pagamentos relevantes aos crimes [de suborno e corrupção].'
Para já, o CM sabe que a Polícia Judiciária está a investigar todos os fluxos financeiros entre Portugal e Inglaterra, independentemente dos montantes transferidos entre os dois países. Tudo para tentar perceber como é que o dinheiro das ‘luvas’ chegou a Portugal.
ANO DE OURO DE MANUEL PEDRO
Manuel Pedro, que foi um dos intermediários do negócio Freeport, teve em 2004 (ano da inauguração do complexo de Alcochete) um dos melhores anos em termos de rendimentos pessoais.
Tal como o CM noticiou, a sua sociedade com o inglês Charles Angus Smith lucrou nesse ano mais de um milhão de euros e o próprio Manuel Pedro teve um rendimento superior aos 125 mil euros. Um valor que nunca mais viria a ganhar até hoje. Com efeito, e em virtude de vários negócios que correram mal, os rendimentos de Manuel Pedro diminuíram substancialmente nos últimos três anos.
ALERTA CONTRA CLIMA PERVERSO
O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), presidido por António Cluny, diz que as notícias dos últimos dias envolvendo os magistrados do processo Freeport, permitem o 'desenvolvimento de um clima perverso de suspeições institucionais'.
Para o SMMP, é 'necessário' imprimir à investigação 'uma velocidade condicente com a sua relevância pública' e evitar o risco de 'intimidação real' aos magistrados.
PARLAMENTO INVESTIGA ESCUTAS DA SECRETA AOS PROCURADORES
O Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), presidido pelo deputado socialista Marques Júnior, já agendou para amanhã uma reunião, na Assembleia da República, para analisar as notícias sobre as eventuais escutas e vigilância dos serviços secretos aos procuradores que investigam o caso Freeport.
Ao que o CM apurou, o Conselho de Fiscalização vai ouvir o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e o secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, a quem Pinto Monteiro lançou o desafio para as secretas investigarem as fugas de informação sobre o caso Freeport.
O Conselho de Fiscalização do SIRP quer analisar com cuidado o conteúdo das notícias sobre eventuais escutas e vigilância a Vítor Magalhães e Paes Faria, procuradores do caso Freeport, até porque estão em causa procedimentos que, a terem ocorrido, são ilegais e considerados de grande gravidade. Em função do diagnóstico apurado, o Conselho de Fiscalização decidirá o que fazer.
O Conselho de Fiscalização do SIRP tem por missão avaliar se o Serviço de Informações de Segurança (SIS), o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e a Divisão de Informações Militares (DIMIL) cumprem a legalidade.
SIS NEGA VIGILÂNCIA A MAGISTRADOS
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) negou ontem qualquer vigilância aos magistrados encarregues do caso Freeport, até porque o SIS não tem competências para interferir em processos judiciais.
Antero Luís, director-geral do SIS, garantiu, em comunicado, serem 'completamente falsas e fantasiosas' as notícias sobre 'o suposto envolvimento do SIS nas averiguações de eventuais fugas de informação, em violação do segredo de justiça e no suposto seguimento ou vigilância de magistrados'.
O director do SIS deixou também claro que 'não está no âmbito das competências do SIS a interferência, a qualquer título, em processos judiciais.'
SAIBA MAIS
17 DE JANEIRO DE 2002
Segundo a polícia inglesa, houve uma reunião no Ministério do Ambiente entre José Sócrates, Sean Collidge, Gary Russell, Manuel Pedro, funcionários municipais e públicos.
5
Milhões de libras é quanto a carta rogatória inglesa diz que foram pagos a um escritório de advogados em Portugal.
50 000
Libras foi o valor pago em três/quatro parcelas à Smith & Pedro, segundo a carta rogatória.
APROVAÇÃO
O Freeport de Alcochete foi viabilizado em 14 de Março, três dias antes das legislativas.
A VER. Arrancou ontem no Freeport a exposição ‘Mitos e Monstros’, com peças do Museu de História Natural de Londres.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.