Os parquímetros EMEL têm os dias contados. Naturalmente que não acabam de um dia para o outro, mas o seu fim é inevitável. E isto graças aos ataques de um gang muito bem organizado, constituído essencialmente por romenos e ucranianos, muitos deles a viver ilegalmente em Portugal.
Em entrevista ao CM António Carlos Monteiro, presidente da EMEL e vereador do CDS na Câmara de Lisboa, não esconde o embaraço: “Dos 1800 parquímetros existentes na cidade não há nenhum que não tenha sido alvo de ataques e alguns foram-no várias vezes. É demasiado doloroso! É embaraçoso!”.
“Segundo parece, há um gang internacional que deu cabo das máquinas todas em Paris, (hoje, nesta cidade ,já não se paga com moedas, mas com cartões) e, neste momento, está cá em Portugal. São essencialmente de origem romena e ucraniana e têm vindo a atacar todas as máquinas existentes em várias zonas do País. Evidentemente que Lisboa, por ter a maior concentração de máquinas e, portanto, mais dinheiro, é atacada mais vezes”, revela António Monteiro.
O vereador do CDS manifesta também a sua desilusão pela actuação do sistema judicial. Segundo revelou, em 2003 foram detidos mais de cem indivíduos em flagrante delito, mas ainda só houve uma condenação. Os juízes ouvem os assaltantes, mas mandam-nos embora. Por isso, a PSP começa a desesperar e a EMEL perde uma das principais fontes de receita. Segundo dados de 2003, os custos devido a actos de vandalismo (apenas gastos com à reparação e reequipamento de novas máquinas) são da ordem dos 375 mil euros por ano. O que equivale a 3200 euros por mês (mais de 600 contos). E isto sem considerar a quebra de receita e os roubos efectivos, cujo valor é difícil de calcular. António Carlos Monteiro é claro: “Temos a noção que os parquímetros, neste momento, não correspondem àquilo que tanto a empresa como os cidadãos gostariam que fossem: um serviço de meio de pagamento”.
Para o presidente da EMEL, a solução para o problema passa inevitavelmente por retirar o dinheiro da rua. Como? Diversificando, cada vez mais, não só os meios de estacionamento (mais parques e silos ) mas também de pagamento, optando-se decididamente pela Via Verde. “Há condições para haver uma forte redução dos parquímetros se existir outro meio de pagamento mais cómodo para as pessoas (...) e a Via Verde é certamente um meio mais cómodo”. O vereador da CML recusa-se a afirmar categoricamente que os parquímetros vão acabar, limita-se a afirmar que em devido tempo eles “serão apenas residuais”. Contudo, o CM apurou junto de outras fontes que se eles não acabam já é porque existem trabalhadores envolvidos e contratos com outras empresas que é preciso honrar.
EXPERIÊNCIA COMEÇA COM AS CARGAS E DESCARGAS NA CIDADE: ESTACIONAR COM VIA VERDE JÁ EM MARÇO
A Via Verde parece a grande alternativa aos parquímetros em Lisboa e vai arrancar já em Março. Numa primeira fase será só para as cargas e descargas, alargando-se depois ao estacionamento em geral. O novo identificador desenvolvido pela Brisa é multiserviço, pois poderá ser utilizado simultaneamente nas auto-estradas, no estacionamento e ainda no abastecimento de combustíveis. Será, no fundo, o cartão de pagamento do automóvel.
A utilização da Via Verde no estacionamento é simples, rápida e cómoda. O automobilista só tem de adquirir o novo identificador e colocá-lo no automóvel. Depois de estacionar, selecciona no identificador a zona de estacionamento (no local está uma placa de identificação na zona) e carrega num botão para activar o sistema. E é tudo. O identificador, que pode ser carregado no Multibanco, memoriza as operações e o pagamento será efectuado por débito. Para que todo o sistema funcione serão colocadas antenas em pontos de intersecção na cidade.
O sistema Via Verde facilita não só o cidadão, que deixa de usar moedas para pôr no parquímetro, mas também o trabalho de fiscalização da EMEL. O fiscal da empresa limita-se a verificar visualmente se o identificador está activo (verifica se tem uma luz ligada), podendo usar também um aparelho especial para fazer a leitura.
Já no final de 2003, a PSP de Lisboa referenciou uma rede organizada, composta essencialmente por romenos, responsável pelo roubo de diversos parquímetros na cidade. Foram detidos dez indivíduos, alguns portugueses, e na altura estava já confirmado o roubo de pelo menos cinco mil euros. Os assaltos são normalmente realizados com a ajuda de berbequins, com brocas que facilitam o acesso aos cofres dos parquímetros.
As detenções de arrombadores de parquímetros são quase diárias em Lisboa. Pouco tempo depois de referenciar a rede organizada, em Fevereiro do ano passado, a PSP apanhou dois indivíduos em flagrante, em Arroios. Tratavam-se de mais dois homens de nacionalidade romena. Na ocasião, as forças policiais explicaram que os líderes destes grupos de assaltantes de parquímetros têm normalmente formação militar e policial.
Mas não é só em Lisboa que os parquímetros constituem um alvo apetecível para os assaltantes. Numa madrugada de Dezembro último, a PSP de Santarém deteve quatro indivíduos que se preparavam para arrombar um parquímetro. Os assaltantes, também de nacionalidade romena, tinham em seu poder mais de mil euros em moedas, que tinham sido roubados de outras máquinas. Utilizaram berbequins e nem sequer provocaram grandes danos.
PRIMEIRO SILO INAUGURADO HOJE
O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, e o vereador do CDS, António Carlos Monteiro, inauguram hoje na Calçada do Combro, em Lisboa, o primeiro dos quatro silos de parqueamento automóvel planeados para a cidade. Uma obra de três milhões de euros que responde à necessidade de requalificação urbana e ambiental daquela zona histórica, através da libertação de áreas ocupadas pelo automóvel para uso do peão.
O silo da Calçada do Combro vai servir as áreas do Bairro Alto e da Bica, bem como as freguesias vizinhas. É uma construção que rentabiliza o pouco espaço disponível: ocupa apenas 780 metros quadrados, mas tem capacidade para 233 automóveis distribuídos por onze andares. O silo não será, no entanto, um mero depósito de carros, pois, como disse ao CM, António Carlos Monteiro, vai ter também espaços de fruição, nomeadamente uma loja no rés-do-chão virada para a calçada do Combro e, no terraço, um área de restauração com esplanada e vista privilegiada sobre o Tejo.
O próximo silo a ser inaugurado será o das Portas do Sol (com 151 lugares), a concluir em Junho. Os outros dois, na zona do Mercado do Chão do Loureiro (230 lugares) e na Damasceno Monteiro (240 lugares) só deverão estar prontos no próximo ano. “No caso das Portas do Sol, vamos fazer em Portugal, pela primeira vez, aquilo que se chama um silo totalmente automático. Ou seja, a pessoa coloca o seu carro na entrada e um sistema de elevadores, comandado por computador, agarra no veículo e encaixa-o numa prateleira. Este sistema, que já existe na Alemanha, França e Itália, permite compactar o estacionamento e maximizar os espaços nas zonas históricas”– explicou o vereador.
António Carlos Monteiro espera que os residentes optem por estacionar os seus automóveis nos novos silos, porque o objectivo é não só evitar a entrada de veículos nas zonas históricas, mas também oferecer alternativas aos moradores. Para estes, aliás, está a ser estudado um preço especial.
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