Ser polícia na Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da PSP é mais stressante do que integrar o Corpo de Intervenção (CI), que actua em operações policiais consideradas de risco. O stress na Polícia pode conduzir a doenças físicas e psicológicas, ao vício do álcool e, até, ao suicídio.
A conclusão consta num estudo do Centro de Formação e Investigação em Psicologia concluído em Setembro último, a que o CM teve acesso, que entrevistou 336 polícias do CI, das EIC e da Banda de Música (BM) da PSP para perceber ‘O Impacto do Stress Profissional no Bem-Estar dos Polícias’.
A morte de três polícias da Amadora – abatidos em serviço – , a consciência de que ser polícia é uma profissão de risco e a perda de benefícios por parte dos elementos policiais motivaram o primeiro estudo sobre o stress dos polícias em Portugal.
A psicóloga Susana Monteiro, que apresentou as conclusões numa conferência sobre suicídios na PSP, diz que os elementos das EIC são os que apresentam maiores níveis de stress porque diariamente enfrentam episódios imprevisíveis.
“Estes profissionais estão sujeitos a situações novas, constantes e contínuas” e o seu trabalho pode ser “ultrapassado por força dos acontecimentos”, disse .
Já na BM e no CI – que apresentam níveis de stress idênticos –, a psicóloga explica que, em ambas as funções, os polícias são avisados e treinados para a “situação stressante” e por isso sofrem “um impacto menor” quando a vivem.
Analisados os elementos que podem provocar mais stress na Polícia, o estudo conclui que a organização da própria PSP, o conflito trabalho-família, as relações interpessoais e a imagem de um polícia perante a população são factores que provocam mais stress do que o próprio desempenho da função (o risco, a actuação operacional e a adaptação, que muitas vezes passa por estar longe da família).
O stress provocado pelo trabalho pode levar a doenças físicas, mas também pode trazer consequências psicológicas – conduzindo o profissional à reforma antecipada, à indisciplina, ao consumo de álcool e, até, ao suicídio. Segundo uma fundação norte-americana – criada para estudar e prevenir o suicídio na Polícia – em cada 22 horas, um polícia nos EUA suicida-se. Mas, apesar de a maior parte deles recorrer às armas de serviço, um estudo recente demonstra que os motivos se prendem com conflitos conjugais. O apoio da família é fundamental numa profissão em que as relações interpessoais dentro da instituição são quase nulas.
Em Portugal, desde 2001, suicidaram-se pelo menos 13 elementos da PSP. O mais recente estudo da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, encomendado pelo Ministério da Administração Interna, concluiu que a maior parte deles não se relacionaram com o exercício da profissão. Mas um polícia sem apoio emocional no trabalho pode pôr termo à vida, dizem os americanos.
O Departamento de Psicologia da PSP dispõe apenas de dez psicólogos para 22 mil polícias e de uma linha telefónica de apoio 24 horas por dia.
É PRECISO TER "SANGUE-FRIO"
Tem 32 anos e está há dez ao serviço do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa. Este investigador criminal, de uma esquadra que trata dos crimes de uma área problemática da capital, todos os dias enfrenta situações stressantes que só se ultrapassam com “muito sangue-frio”.
Segundo ele, o pior são as ocorrências com que tem de lidar. “Tiroteios, apedrejamentos, agressões. Para agravar, estamos sempre a pensar como contornar estes riscos sem ter um processo disciplinar – que é o que acontece sempre que usamos a arma.” Este polícia tenta distanciar-se das histórias que lhe chegam às mãos, o que se torna difícil passados meses a acompanhar as vítimas. Para agravar, os horários são mais exigentes e os períodos de descanso insuficientes.
NÃO SE IDENTIFICAM COM A PSP
Um dos factores de stress analisados pelos técnicos do Centro de Formação e Investigação em Psicologia foi o da identidade social. Os elementos da Banda de Música – escolhidos para o estudo como elemento de equilíbrio – são os que menos se identificam com a profissão. “Talvez por serem profissionais que apesar de vestirem a farda, não desempenham uma função operacional”, disse a psicóloga Susana Monteiro.
Por outro lado, os músicos da PSP consideram que a sociedade vê os polícias de uma forma menos negativa do que os elementos do Corpo de Intervenção e das Esquadras de Investigação Criminal – que não sentem que o seu papel e a sua intervenção policial sejam fortes, o que revela alguma desmotivação.
TENTATIVA
Desentendimentos conjugais levaram um polícia de Braga a tentar o suicídio em Dezembro último. Foi o quinto caso nos últimos cinco meses.
COMANDANTE
Um oficial da PSP, de 24 anos, que comandava uma esquadra de trânsito, deu um tiro na cabeça, em Outubro último, em Lisboa. Era polícia há meses.
NO HOTEL
Um polícia de 29 anos, natural da Marinha Grande mas de serviço em Lisboa, saltou do 6.º andar de um hotel da capital. Esteve fechado dois dias.
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