Idoso conhecido por ‘Pisa Lagartos’ vivia perto de Carqueja e desapareceu em 1995 sem deixar rasto. Foi dado como morto e o caso estava arquivado.
Suspeito da morte de três jovens na zona da Lourinhã, duas raparigas e um rapaz com quem tinha uma relação homossexual, Francisco Leitão soube na última semana que é suspeito de mais um homicídio. Em prisão preventiva por crimes de 2008 e já deste ano, o ‘rei Ghob’ volta hoje à Unidade de Contra--Terrorismo da PJ para ser interrogado pela morte de um idoso. A vítima desapareceu em 1995, após ter sido vista no hospital de Peniche, onde foi levada por Leitão.
O objectivo é tentar que o rei dos gnomos confesse o homicídio, explicando o porquê do crime e como ocultou o cadáver, mas é previsível que se remeta ao silêncio, tal como faz em relação aos outros casos. Mais uma vez, os investigadores da PJ estão a trabalhar com base noutros meios de prova. E Leitão já foi constituído arguido pela morte do idoso, por uma procuradora do Ministério Público de Torres Vedras.
O ‘rei Ghob’ tinha sido ouvido em 1995 pelo desaparecimento do idoso, mas o caso foi arquivado e a morte presumida foi declarada pelo tribunal nesse ano. Com as mortes de Tânia Ramos, 27 anos, Ivo Delgado, 22, e Joana Correia, 16, a PJ reabriu casos já encerrados sobre desaparecidos em circunstâncias não apuradas. O caso do idoso, conhecido como ‘Pisa Lagartos’, levantou suspeitas.
‘Pisa Lagartos’ dormia perto de Carqueja, onde Leitão vivia, e apanhava ferro-velho. Um dia sentiu--se mal e pediu ajuda a Leitão, que o levou ao hospital. Nunca mais foi visto. Pode ter sido a primeira vítima, que até aqui os investigadores da PJ acreditavam ter sido Tânia, desaparecida em Junho de 2008. Ivo, namorado de Tânia, desapareceu 21 dias depois e, já a 3 de Março deste ano, desapareceu Joana.
Para a PJ, Leitão, que manteve uma relação com Ivo até ser trocado por Tânia, e ambicionou uma relação com o namorado de Joana, planeou as mortes para seguir com os seus planos a nível da vida sentimental. Desconhece-se o motivo para a morte de ‘Pisa Lagartos’.
JUIZ DIZ NÃO SE PRONUNCIAR SOBRE PERÍCIAS
O juiz de instrução criminal de Torres Vedras, António Luciano Carvalho, ex-inspector da Polícia Judiciária, declarou-se sem competências para analisar o requerimento da defesa que reclamava a nulidade das perícias psiquiátricas realizadas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal, apurou o CM.
A defesa do ‘rei Ghob’ enviou para o Tribunal de Torres Vedras, a 26 de Outubro, um requerimento a reclamar as perícias psiquiátricas realizadas. Tudo porque, numa das sessões, os peritos do Instituto de Medicina Legal basearam todas as suas perguntas em matéria que consta no processo no qual Francisco Leitão é arguido, apurou o CM.
A defesa de Leitão vai agora avançar com um novo requerimento, igual ao anterior, mas desta vez dirigido à procuradora do Ministério Público de Torres Vedras.
"É CURIOSO QUE O CASO TENHA SIDO REABERTO"
O envolvimento do ‘rei Ghob’ num quarto caso de homicídio vem dar mais trabalho à defesa, que tem alegado que o arguido não deve estar em prisão preventiva, uma vez que os factos imputados a Francisco Leitão "não estão bem consolidados". Ao CM, o advogado Fernando Carvalhal diz considerar "no mínimo curiosa a constituição de arguido relativamente a algo com quase 20 anos e que já tinha sido arquivado pelos investigadores".
Segundo Carvalhal, a defesa está ainda "expectante por saber que responsabilidades é que podem ser assacadas a Leitão quanto a este desaparecimento".
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