A chuva que tem caído nos últimos dias já provocou cheias em vários pontos do País mas deixou as albufeiras praticamente na mesma, tendo-se registado apenas ligeiros aumentos no volume de água de algumas barragens. Segundo o Instituto da Água (Inag), só se chovesse ininterruptamente até final do ano a situação de seca no País seria ultrapassada.
“No sul, as albufeiras continuam quase vazias, sem registo de aumentos de água, com capacidades médias inferiores a 20 por cento”, adiantou ao CM Rui Rodrigues, do Inag.
A albufeira do Arade está quase seca, com a sua capacidade abaixo dos cinco por cento. A barragem do Alqueva também “nem pestanejou com estas chuvas”, disse o especialista. Aliás, houve mesmo uma redução do volume de água no Alqueva em cerca de um centímetro devido à produção de energia.
No Centro, a água da barragem do Cabril subiu seis centímetros nos útlimos dois dias, tal como a de Castelo de Bode. “Seis centímetros não são nada tendo em conta a capacidade destas albufeiras”, sublinhou Rui Rodrigues, adiantando que estas duas barragens estão a cerca de 60 por cento da sua capacidade média.
No Norte, a situação é um pouco melhor, com totalidade das albufeiras a cerca de 40 ou 50 por cento da sua capacidade média. No Douro, por exemplo, o volume da barragem do Torrão subiu cerca de 20 centímetros graças à chuva dos últimos dias, “um valor pouco significativo em termos percentuais”, explicou Rui Rodrigues.
SOLOS SECOS
Em primeiro lugar é necessário combater a deficiência de humidade dos solos, que têm de atingir um estado de saturação que permita escoamentos para os ribeiros e rios, que depois vão afluir às albufeiras.
Actualmente, o défice de precipitação em Portugal Continental ronda os 500 milímetros, já que entre Outubro de 2004 e Setembro de 2005 apenas caíram 398 milímetros de chuva, face a uma média de 912. Em Setembro último caíram apenas 14 milímetros de chuva, quando a média é de 41.
Segundo Rui Rodrigues, para acabar com a situação de seca não são necessários os 500 milímetros de chuva, por tratar-se de um valor médio. Para recuperar, Portugal precisaria de 200 a 300 milímetros de chuva, um valor suficiente para permitir a saturação dos solos e o escoamento para as albufeiras. “Na prática, significaria que teria de chover bem em Outubro, Novembro e Dezembro, pois é necessária, não apenas o volume de precipitação, mas a sua permanência no tempo”, afirmou o especialista em recursos hídricos.
Até agora, as afluências às barragens ainda não se registaram, “porque os solos estão em grande carência”, acrescentou Rui Rodrigues.
No último dia do mês de Setembro de 2005 e comparativamente ao último dia do mês de Agosto, verificava-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias portuguesas. Das 57 albufeiras monitorizadas pelo INAG, duas tinham disponibilidades hídricas superiores a 80 por cento do volume total e 34 albufeiras disponibilidade inferior a 40 por cento do volume total.
METEOROLOGIA
Segundo o Instituto de Meteorologia, para hoje e amanhã são esperados aguaceiros no Cenrto e no Norte do País, mas a temperatura vai subir e a chuva parar no fim-de-semana, voltando segunda e terça-feira. Segundo Rui Rodrigues, do Inag, com as temperaturas mais altas no fim-de-semana, é de esperar alguma evaporação da pouca água das barragens, que foi recuperada nos últimos dias.
AGRICULTURA
O sector agrícola poderá ser primeiro a tirar partido desta chuvas. “Não haverá ainda qualquer benefício nas reservas de água, quer subterrâneas quer superficiais, mas a nível dos campos é possível que haja, nomeadamente, para pasto dos animais”, disse Rui Rodrigues. Os agricultores têm agendada uma manifestação nacional para dia 25 contra a falta de apoio do Governo.
97 POR CENTO
Noventa e sete por cento do território continental estava em situação de seca extrema ou severa na última quinzena de Setembro. Segundo o último relatório quinzenal da Comissão para a Seca, 61 por cento do território estava em seca extrema e 36 por cento em seca considerada severa.
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