A fraca precipitação registada desde Outubro coloca as barragens com níveis inferiores ao habitual para esta época do ano, de acordo com a média obtida entre 1990 e 2000.<br/><br/>
O caso mais complicado é observado na barragem do Alto Lindoso, no rio Lima, revela o último relatório do Instituto da Água (INAG). A barragem encontra-se abaixo dos 40%, quando o valor normal para esta época do ano é de 70%. Com valores muito baixos surgem também as barragens do Arade, no Algarve, de S. Domingos, na região do Oeste, e todas as albufeiras da bacia do rio Sado.
A chuva registada desde o início do ano hidrológico, em Outubro, atinge uma média nacional de 151,1 litros por metro quadrado, valor que representa metade da precipitação habitual para esta época do ano.
De acordo com os valores expressos pelas 42 estações de medição da precipitação do INAG, a chuva caiu em maior quantidade na região Centro com 198 litros por metro quadrado. Curiosamente, no Algarve choveu mais do que no Norte do País. A região mais a sul regista um acumulado de 158 litros por metros quadrado, enquanto a norte do Douro choveu 153 litros por metro quadrado. A maior queda de precipitação no Algarve resulta de chuva com alguma intensidade, localizada em zonas restritas do território. No Alentejo, a quantidade de água é de 92 litros por metro quadrado.
A falta de chuva, que resulta na redução de água nas barragens, deverá prolongar-se pelo menos até meados de Janeiro. Segundo as previsões do Instituto de Meteorologia, até 13 de Janeiro, com excepção de 8 de Janeiro, não se verifica dias especialmente cinzentos.
Também a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) espanhola traça um quadro pouco animador para a parte Ocidental da Península Ibérica, com quantidades de precipitação inferiores ao normal para este Inverno.
Embora o País registe uma situação de seca na maior parte do território, só em Maio, com o aproximar do Verão, a situação pode levantar alerta.
PIORES RESERVAS
DUAS NO ALGARVE
Das 18 barragens abaixo dos 40%, duas são no Algarve: a do Arade e a do Funcho.
TRÊS NO NORTE
Alto Lindoso, no rio Lima, Vilar-Tabuaço, na bacia do Douro, e Paradela, no Cávado.
DEZ NO ALENTEJO
Na bacia do Sado são: Alvito, Campilhas, Fonte Serne, Monte da Rocha, Odivelas, Pego do Altar, Roxo e Vale do Gaio. No Guadiana são Vigia e Caia.
TRÊS NO CENTRO
S. Domingos (Oeste), Fronhas, no Mondego e Divor, bacia do Tejo.
ALTO LINDOSO DESCE A VALOR MÍNIMO
A barragem do Alto Lindoso, localizada no rio Lima é uma das que apresentam maior queda nas reservas da sua albufeira. Está a 40%. Por sua vez, o volume de água atinge os 311 metros de altura. O valor mínimo para a sua exploração é de 280 metros. Com uma capacidade máxima de 390 milhões de metros cúbicos, está nos 157 milhões.
MAIORES SEM ÁGUA EM RISCO
As maiores barragens nacionais apresentam volumes confortáveis de água. Alqueva, no rio Guadiana, conta com 3164 milhões de metros cúbicos de água, ou seja 76% da capacidade máxima. Na bacia do Tejo, Castelo de Bode está a 77%, com 842 milhões de metros cúbicos, e Cabril com 362 milhões (45%). Por sua vez, Aguieira, no Mondego, está a 70% e Alto Rabagão a 54%.
CHUVA DE JANEIRO SEM INFLUÊNCIA EM ANO SECO
O ano arrancou com chuva, pelo que até 3 de Janeiro a média nacional foi de 12 litros por metro quadrado. Contudo, este valor não altera a tendência do ano hidrológico, que desde Outubro se caracteriza como seco. Até Dezembro, a quantidade de chuva observada foi de 139 litros por metro quadrado, o que representa 40% da média de 340 litros por metro quadrado obtida entre 1940 e 1998. Este ano hidrológico observa uma tendência comum ao último ano, em que o Outono e o Inverno foram secos e que terminou com apenas 65% da chuva habitual.
VEM AÍ MUITO FRIO
Com o guarda-chuva em dúvida, os próximos dias são, de certeza, para usar sobretudo, cachecol e luvas. O aproximar de uma frente fria vai colocar quase todo o território com temperaturas negativas na quinta e na sexta-feira, num cenário de frio de rachar a que não escapa Lisboa.
Segundo as previsões do Instituto de Meteorologia, na quinta-feira, Lisboa terá uma máxima de apenas 5º e a mínima irá descer aos dois graus negativos. No mesmo dia, Bragança terá uma máxima de 1º e uma mínima de -5º. O dia será de céu pouco nublado. No dia seguinte, as temperaturas irão permanecer igualmente baixas e as mínimas em Lisboa só regressam ao positivo no sábado. Mais amena será a temperatura em Faro com 5º de mínima. Sexta-feira, no Porto, serão registados -1º e em Coimbra os termómetros irão baixar até aos quatro negativos.
"MINHO E LIMA COM ÁGUA SUFICIENTE" (Orlando Borges, Presidente do Instituto da Água, INAG)
Correio da Manhã – O último balanço das albufeiras indica que as barragens do rio Lima têm uma disponibilidade de 40% do volume total. O abastecimento está em perigo?
Orlando Borges – Qualquer que seja a evolução do tempo, estão salvaguardadas as necessidades das populações quer no rio Lima como no Minho. A quantidade de água existente é a necessária.
– Na barragem do Arade a quantidade de água armazenada é de apenas 20%?
– É um limite que resulta das condições existentes na barragem que não permitem atingir valores mais elevados, não sendo resultado, portanto, da falta de chuva, mas sim de um problema de natureza técnica.
– Teme que este venha a ser um ano seco?
– Não. Janeiro já registou períodos de forte precipitação e nada indica que o Inverno não venha a ser uma estação com valores de precipitação próximos do valor médio.
– Contudo, desde Outubro os dados do INAG apontam valores de precipitação, abaixo dos 50%
– 0s nossos resultados são obtidos com um número pequeno de estações. Valores mais próximos da realidade são obtidos pelo Instituto de Meteorologia.
– Entre os grandes rios, o Douro apresenta apenas 58,9% da capacidade máxima das barragens observadas. É normal?
– É também um valor perfeitamente normal para esta época do ano. Estamos em Janeiro e é previsível que venha a chover mais.
SAIBA MAIS
MAIOR SECA EM 2005
A maior seca verificada em Portugal nos últimos cem anos foi há muito pouco tempo, mais precisamente em 2005.
173,5 LITROS
Cada português consome em média 173,5 litros de água por dia, revelam dados de 2004 do Instituto Nacional de Estatística. Metade do consumo a nível nacional verifica-se em apenas 25 concelhos do País.
SÃO DOMINGOS
A barragem de São Domingos, no concelho de Peniche, dispõe apenas de 32% da sua capacidade máxima. Esta albufeira de pequenas dimensões está a metade do habitual.
NOTAS
RIO SADO: CAMPILHAS
No rio Sado, a pequena barragem de Campilhas, concelho de Santiago do Cacém, apresenta um volume de armazenamento de água de 2,7 milhões de metros cúbicos, 10% do normal.
LISBOA: CASTELO DE BODE
A barragem de Castelo de Bode, que fornece água a Lisboa, registou 77% da sua capacidade em Dezembro, o equivalente a 842 milhões de metros cúbicos. A média é de 84 por cento.
BALANÇO: ESPANHA A 48%
No final de 2008 as reservas de água de Espanha atingiam os 25 903 hectómetros cúbicos, ou seja 48% da capacidade máxima. Em Portugal, o valor global é de 64% do total.
SITUAÇÃO DAS ALBUFEIRAS (Volume armazenado em Dezembro de 2008, em percentagem)
Lima: 68,4% (Média) / 41,9% (Actual)
Cávado: 66,8% (Média) / 56,1% (Actual)
Ave: 71,8% (Média) / 75,5% (Actual)
Douro: 68,8% (Média) / 58,9% (Actual)
Mondego: 73,8% (Média) / 65,5% (Actual)
Tejo: 69,6% (Média) / 63,6% (Actual)
Oeste: 58,3% (Média) / 32,5% (Actual)
Guadiana: 58,3% (Média) / 74,2% (Actual)
Sado: 53,1% (Média) / 28,2% (Actual)
Mira: 76,9% (Média) / 64,4% (Actual)
Barlavento: 62,6% (Média) / 64,1% (Actual)
Arade: 56,5% (Média) / 28,8% (Actual)
Fonte: SNIRH
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