Duas das mais importantes empresas têxteis portuguesas admitem subcontratar na China a produção de peças de vestuário menos competitivas. Com a concorrência imbatível dos produtos chineses a ameaçar 100 mil postos de trabalho em Portugal, consequência da liberalização do comércio deste sector em Janeiro deste ano, Maconde e Riopele encaram como inevitável encomendar fabricos e artigos a parceiros chineses ou indianos, como forma de reduzir os custos de produção.
“A subcontratação em países com menos custos de produção é fundamental”, afirmou ao Correio da Manhã, em Pequim, capital da China, o presidente do grupo Maconde. Fernando Aurélio da Silva confirma que está em negociações “com três empresas chinesas” para acertar o estabelecimento de uma periferia para a subcontratação do vestuário. Duas destas empresas estão sediadas na capital chinesa e outra em Xangai, e foram seleccionadas de uma lista de 10 candidatos. Os contactos foram iniciados há um ano.
Para os responsáveis da Maconde, a empresa que iniciou há cinco anos a deslocalização da produção com a construção de uma fábrica em Marrocos, o eventual estabelecimento de parcerias com empresas chinesas não significa o encerramento da fábrica em Portugal. “Nós queremos que em Portugal esteja a criação e o design dos produtos”, afirma o presidente do grupo Maconde.
Por seu lado, os responsáveis da Riopele, embora estejam ainda num processo de prospecção do mercado chinês, sublinham, desde já, que “não temos ideia de fazer uma deslocalização da empresa no seu todo” para fora do País. A Riopele tem desenvolvido contactos na China desde 1995, “sempre com o sentido de ver como é que os chineses funcionam”, explica o administrador José Gonçalves de Oliveira.
Para a administração da Riopele, “o mais importante é não perder o cliente”. Daí que a empresa não exclua a possibilidade de estabelecer parcerias na China ou na Índia, para aumentar a competitividade dos seus produtos. Na Índia a empresa já fez alguns contactos de aproximação a empresas têxteis locais.
Algumas questões burocráticas que têm dificultado um melhor relacionamento entre empresários portugueses e chineses foram ontem expostas ao ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, que deu conta das queixas às autoridades chinesas.
PORTUGAL A SALVO DA "INVASÃO" CHINESA
A China está disponível para controlar as exportações dos seus produtos têxteis para Portugal, para evitar uma invasão que desestabilize o mercado. “O ministro do Comércio mostrou-se aberto para manter um diálogo connosco para garantir que o mercado português não seja perturbado pela invasão dos têxteis chineses”, disse ontem o ministro das Actividades Económicas e do Trabalho, Álvaro Barreto, em Xangai.
Para agravar os preços dos produtos têxteis chineses nos mercados externos, a China aplicou uma taxa sobre as exportações, o que reduzirá um pouco a sua enorme competitividade no mercado internacional.
Ainda que este seja um assunto tratado ao nível da Organização Comum do Comércio (OMC), o Presidente da República considera que “a compreensão da parte chinesa de que não pode haver uma invasão muito súbita é essencial”. E, por conseguinte, “aplicar às exportações uma taxa suplementar é um bom começo”.
MÍNIMO 50 EUROS
O salário mínimo na China é de 50 euros (em Portugal é de 374,07). Mas a Misereor, agência de cooperação católica, relatou que este não é cumprido e que operários trabalham sete dias seguidos, 90 a 100 horas semanais.
MORTE POR EXAUSTÃO
‘Guolaosi’ é o termo chinês para mortes por exaustão no trabalho, devido aos operários dormirem nas fábricas respirando os gases tóxicos de tintas e colas.
SELO PELO OPERÁRIO
A China representa cerca de 90 por cento da indústria do brinquedo. Empresas ocidentais como a Disney, a Hasbro, a Mattel ou Zapf, têm fábricas no país. Para melhorar as condições laborais organizações internacionais querem que controladores independentes visitem as fábricas. O respeito pelos direitos dará o ‘selo de qualidade social’.
SÍNDROME DA CHINA
A transferência de empresas de países em vias de desenvolvimento, como o México, para o país mais populoso é conhecido pelo síndrome da China.
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