Vale e Azevedo ofereceu ajuda a uma imobiliária e traçou um plano ambicioso. Para se lançarem na compra e venda de imóveis, iam pedir 40 milhões de euros ao BPN. E se o negócio corresse mal, já tinha uma seguradora francesa a cobrir o empréstimo. As garantias chegaram ao BPN, que, em 2007, avançou logo o cheque com os primeiros dois milhões para as mãos de Vale. Só que a imobiliária diz não ter visto um tostão, os papéis da seguradora são falsos – e o banco, que agora vai ser nacionalizado por estar à beira da falência, ficou a arder.
O cheque milionário entrou nas contas do ex-presidente do Benfica através da V&A Capital, empresa que Vale gere a partir de Londres. O esquema só foi detectado depois: o BPN já tinha avançado dois milhões quando contactou a seguradora. Resposta da Swiss Re: não cobriram um empréstimo a Vale de 40 milhões, porque nem sequer o conhecem.
O crédito foi cancelado e a Vencimo, imobiliária à qual Vale teria oferecido os préstimos de intermediário, apresentou queixa-crime contra ele no Ministério Público de Lisboa. Só que, estranhamente, já depois da queixa, foi a mesma imobiliária que se diz ofendida por Vale a pagar-lhe um ano inteiro de renda milionária na mansão de Londres.
Quanto à burla em si, já é conhecida da Justiça. Foi através da PMRE, seguradora do grupo Swiss Re, que Vale prestou cauções em processos com garantias falsas. Foi descoberto por, neste esquema, pedir cinco milhões ao BCP.
EMPRESA ACUSA-O MAS PAGA A CASA
A Vencimo diz-se enganada por Vale e Azevedo, mas, já depois de apresentar a queixa-crime contra ele no Ministério Público de Lisboa, por burla, pagou-lhe um ano de renda no nº 21 de Wilton Place, Londres – cerca de 468 mil euros. A revelação foi feita a 25 de Setembro pelo senhorio, John Marriott. Contou que a renda de Vale esteve sempre em dia através da empresa Vencimo, até que em Janeiro deste ano deixaram de pagar. Vale alegou problemas na canalização e ainda deve 416 mil.
CINCO JULGADOS POR EXTORSÃO A OLIVEIRA E COSTA
No meio das polémicas com o BPN, começou ontem em Lisboa o julgamento de cinco homens que tentaram extorquir cinco milhões de euros ao banco. O grupo exigiu o pagamento ao presidente do BPN, Oliveira e Costa, para manter secretos documentos que revelavam supostas operações de lavagem de dinheiro praticadas pelo banco. Ameaçavam entregar os documentos à imprensa. O banco contactou a PJ e a negociação continuou, controlada pela polícia. Oliveira e Costa aceitou pagar 2,5 milhões. Quando os cinco julgavam já ter o negócio fechado, foram presos. Estão todos acusados de extorsão.
PORMENORES
FUTURO DECIDE-SE DIA 10
O Tribunal de Westminster decide na próxima segunda-feira, dia 10, se extradita João Vale e Azevedo. O ex-presidente do Benfica já devia estar na cadeia desde Maio, a cumprir os sete anos e meio de prisão a que foi condenado por burla a Pedro Dantas da Cunha e à Caixa Geral de Depósitos.
BENS FICAM EM FAMÍLIA
Quando o Tribunal da Relação declarou falida a Sojifa, única forma de os credores Dantas da Cunha e CGD irem buscar os seus 40 milhões de euros, com juros, já a sociedade com que Vale os burlou estava reduzida a cinzas. Activos como o escritório da Av. da Liberdade, Lisboa, ou a quinta de Almoçageme, em Sintra, são agora de empresas, precisamente administradas pela mulher, irmão e um sobrinho do ex-presidente.
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