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O fumo sobe de uma das torres do World Trade Center, enquanto chamas e destroços se projetam da segunda torre, na terça-feira, 11 de setembro de 2001

Quem eram os terroristas do 11 de Setembro que decapitaram os EUA

Da teia de Bin Laden às falhas sistémicas dos EUA, uma radiografia ao ataque e à justiça que continua inacabada.

Da teia de Bin Laden às falhas sistémicas dos EUA, uma radiografia ao ataque e à justiça que continua inacabada.

11 de setembro de 2026 às 09:59

Na manhã de 11 de setembro de 2001, uma célula de 26 operacionais da Al-Qaeda - comandada com mão de ferro por Osama bin Laden - consumou um ataque histórico após ter chegado ao país há praticamente dois anos e meio. Foi uma preparação cuidada e demorada para executar uma carnificina suicida sem precedentes. Desse total, 19 terroristas assumiram o controlo de quatro voos comerciais, transformando-os em mísseis humanos, enquanto outros cinco assumiram a 'arquitetura' do ataque, com o desígnio frio e cirúrgico de decapitar os Estados Unidos.

O grupo era composto por 18 sauditas, dois emiratis, dois iemenitas , um egípcio, um libanês, um marroquino e um paquistanês. O primeiro deles começou a adquirir os meios necessários para entrar no país 2 anos e 5 meses antes do ataque. O resultado foi a devastação das Torres Gémeas do World Trade Center (WTC), em Nova Iorque; a ferida aberta no Pentágono, em Washington; e o desfecho heroico e trágico do quarto avião despenhado nos campos da Pensilvânia. 

Os sequestradores a bordo dos aviões

American Airlines Voo 77 |

Boeing 757 - Partiu de Washington Dulles, às 8h10 (locais), com 53 passageiros e 6 tripulantes a bordo. Despenhou-se no Pentágono às 9h39. 

Sequestradores a bordo do voo 77, Boeing 757, da American Airlines
Sequestradores a bordo do voo 77, Boeing 757, da American Airlines FOTO: Reprodução/FBI Website

American Airlines Voo 11 |

Boeing 767 - Partiu de Boston, às 7h45 (locais), com 76 passageiros e 11 tripulantes, e chocou contra a Torre Norte do World Trade Center às 8h45. 

Sequestradores do voo 11 da American Airlines, que colidiu contra a torre norte do World Trade Center
Sequestradores do voo 11 da American Airlines, que colidiu contra a torre norte do World Trade Center FOTO: Reprodução/FBI Website

United Airlines Voo 175 |

Boeing 767 - Partiu de Boston às 7h58 (locais) com 51 passageiros e 9 tripulantes, e chocou contra a Torre Sul do World Trade Center às 9h05. 

Sequestradores do voo 175 da United Airlines, que colidiu contra a torre sul do World Trade Center
Sequestradores do voo 175 da United Airlines, que colidiu contra a torre sul do World Trade Center FOTO: Reprodução/FBI Website

United Airlines Voo 93 |

Boeing 757 - Partiu de Newark às 8h01, com 33 passageiros e 7 tripulantes, e despenhou-se em Stony Creek Township, Pensilvânia, às 10h10. 

Sequestradores do voo 93 da United Airlines, que se despenhou na Pensilvânia
Sequestradores do voo 93 da United Airlines, que se despenhou na Pensilvânia FOTO: Reprodução/FBI

Os cinco co-réus principais dos ataques de 11 de setembro

Para além dos 19 sequestradores que integravam os voos suicidas, o plano global contou com o apoio logístico, financeiro ou com tentativas de infiltração nos EUA frustradas de outros elementos da rede que integrava o total de 26 conspiradores. Entre eles,e3 destacam-se os cinco arquitetos dos atentados - encabeçados por Khalid Sheikh Mohammed -, capturados entre 2002 e 2003 no Paquistão.

Formalmente acusados por uma comissão militar norte-americana, os cinco permanecem detidos na prisão de segurança da Baía de Guantánamo, em Cuba, pelo planeamento e financiamento direto do 11 de setembro. Aguardando assim, há mais de duas décadas, pelo desfecho de um dos processos jurídicos mais complexos e controversos da história dos Estados Unidos. Em causa estão acusações que incluem assassinato em violação da lei de guerra, atos de terrorismo, sequestro de aeronaves e destruição de propriedade. 

Khalid Sheikh Mohammed - Apontado como o principal mentor e arquiteto dos ataques de 11 de setembro

Nesta fotografia de arquivo de 1 de março de 2003, obtida pela Associated Press, vê-se Khalid Sheikh Mohammed pouco depois da sua captura durante uma operação no Paquistão. Principal propagandista da Al-Qaeda, considerado o «principal arquiteto dos ataques de 11 de setembro» pela Comissão do 11 de Setembro, foi capturado pela CIA e pela polícia secreta do Paquistão, tendo sido posteriormente transferido para prisões da CIA na Polónia e no Afeganistão e, por fim, para Guantánamo
Nesta fotografia de arquivo de 1 de março de 2003, obtida pela Associated Press, vê-se Khalid Sheikh Mohammed pouco depois da sua captura durante uma operação no Paquistão. Principal propagandista da Al-Qaeda, considerado o «principal arquiteto dos ataques de 11 de setembro» pela Comissão do 11 de Setembro, foi capturado pela CIA e pela polícia secreta do Paquistão, tendo sido posteriormente transferido para prisões da CIA na Polónia e no Afeganistão e, por fim, para Guantánamo FOTO: AP Photo/File

Engenheiro mecânico de origem paquistanesa, criado no Kuwait, apresentou a ideia inicial de usar aviões sequestrados como mísseis a Osama bin Laden no final dos anos 1990. Foi capturado no Paquistão em março de 2003 e passou anos em prisões secretas da CIA (onde foi submetido a afogamento simulado 183 vezes) antes de ser transferido para Guantánamo. 

Walid Muhammad Salih Mubarak Bin 'Attash (Khallad) - Considerado um dos principais assessores operacionais e recrutadores de Bin Laden

Walid Muhammad Salih Mubarak Bin 'Attash (Khallad) - Considerado um dos principais assessores operacionais e recrutadores de Bin Laden
Walid Muhammad Salih Mubarak Bin 'Attash (Khallad) - Considerado um dos principais assessores operacionais e recrutadores de Bin Laden FOTO: Direitos Reservados

Iemenita criado na Arábia Saudita,  Khallad alegadamente administrou um campo de treino da Al-Qaeda no Afeganistão, onde alguns dos sequestradores do 11 de setembro treinaram. O próprio chegou a ser selecionado como um dos sequestradores de voo anos antes, mas perdeu a oportunidade após ser detido no Iémen em 2001. Também é acusado de envolvimento no atentado contra o navio de guerra USS Cole em 2000.

Ramzi Bin al-Shibh - Principal elo de ligação e facilitador entre os líderes da Al-Qaeda no Afeganistão e as células de sequestradores nos Estados Unidos (como o grupo liderado por Mohamed Atta).  

O marroquino Abdelghani Mzoudi conversa com o advogado de defesa, Guel Pinar (à direita), antes da sessão no tribunal regional de Hamburgo, no norte da Alemanha, a 18 de dezembro de 2003. Mzoudi regressou ao tribunal de Hamburgo pela primeira vez desde que este ordenou a sua libertação da prisão preventiva uma semana antes, quando o seu julgamento foi retomado sob a acusação de cumplicidade nos ataques terroristas de 11 de setembro. A acusação apresentou imediatamente dois pedidos: um exigindo que Mzoudi fosse novamente detido e outro solicitando a comparência, como testemunha no processo, de Ramzi bin al-Shibh, suspeito de pertencer à Al-Qaeda. O tribunal já tinha tentado anteriormente, sem sucesso, conseguir que al-Shibh testemunhasse no processo. Al-Shibh encontra-se detido pelas autoridades norte-americanas
O marroquino Abdelghani Mzoudi conversa com o advogado de defesa, Guel Pinar (à direita), antes da sessão no tribunal regional de Hamburgo, no norte da Alemanha, a 18 de dezembro de 2003. Mzoudi regressou ao tribunal de Hamburgo pela primeira vez desde que este ordenou a sua libertação da prisão preventiva uma semana antes, quando o seu julgamento foi retomado sob a acusação de cumplicidade nos ataques terroristas de 11 de setembro. A acusação apresentou imediatamente dois pedidos: um exigindo que Mzoudi fosse novamente detido e outro solicitando a comparência, como testemunha no processo, de Ramzi bin al-Shibh, suspeito de pertencer à Al-Qaeda. O tribunal já tinha tentado anteriormente, sem sucesso, conseguir que al-Shibh testemunhasse no processo. Al-Shibh encontra-se detido pelas autoridades norte-americanas FOTO: Christof Stache/picture-alliance/dpa/AP Images

Cidadão iemenita, tentou entrar nos EUA diversas vezes para atuar como sequestrador em nome próprio, mas teve o visto negado repetidas vezes, passando então a coordenar o envio de dinheiro e a matricular os outros terroristas em escolas de aviação. Foi capturado em Karachi, no Paquistão, em 2002, após um intenso tiroteio. 

Ali Abdul Aziz Ali (Ammar al-Baluchi) - Tesoureiro e principal tenente financeiro de Khalid Sheikh Mohammed, de quem é sobrinho. É apontado como o principal mentor e arquiteto dos ataques de 11 de setembro

Ali Abdul Aziz Ali (Ammar al-Baluchi)
Ali Abdul Aziz Ali (Ammar al-Baluchi) FOTO: Associated Press

Foi o responsável por canalizar e transferir grande parte do dinheiro usado para cobrir as despesas de vida, viagens e aulas de voo dos 19 sequestradores em solo americano. 

Mustafa Ahmed Adam al-Hawsawi - Auxiliar financeiro e financiador da Al-Qaeda. 

Mustafa Ahmed Adam al-Hawsawi
Mustafa Ahmed Adam al-Hawsawi FOTO: Associated Press

Cidadão saudita, é apontado em diversas investigações por ter ajudado a gerenciar a logística financeira dos ataques, fornecendo cartões de crédito, passagens e suporte de viagem para vários dos sequestradores que executaram os atentados. Foi capturado junto com Khalid Sheikh Mohammed, no Paquistão, em 2003.

Além dos 24 operacionais já contabilizados, a rede incluía ainda duas peças-chave capturadas em agosto de 2001: Zacarias Moussaoui, o autoproclamado "20.º sequestrador" retido pelo FBI em Minnesota e condenado a prisão perpétua na prisão de segurança máxima ADX Florence, no estado norte-americano do Colorado. E Mohammed al-Qahtani, o emissário saudita barrado pelo controlo de fronteiras norte-americano no mesmo mês e posteriormente enviado para Guantánamo. 

Como falhas sistémicas permitiram o 11 de setembro

Uma análise detalhada das conclusões do Relatório da Comissão sobre os Ataques Terroristas contra os Estados Unidos (9/11 Commission Report) revela que a tragédia não aconteceu por falta de leis ou de recursos, mas sim por um conjunto de vulnerabilidades sistémicas, falhas burocráticas e deficiências na aplicação das leis de imigração e fronteiras.

Os 19 sequestradores solicitaram 23 vistos e obtiveram 22. Mais de metade (13) apresentou passaportes com menos de três semanas de emissão, um detalhe que passou totalmente despercebido pelos serviços consulares. Por outro lado, vários terroristas usaram passaportes com carimbos de entrada e saída falsificados em forjas ligadas à al-Qaeda para esconderem viagens de treino para o Afeganistão. Os inspetores de fronteira desconheciam a existência e o significado destas marcas. 

Entre janeiro de 2000 e setembro de 2001, os conspiradores tentaram entrar nos Estados Unidos 34 vezes através de nove aeroportos - e tiveram sucesso em 33 ocasiões. O ambiente nos aeroportos era focado na facilitação de viagens, sem treino específico para detetar táticas de terrorismo. 

Três dos sequestradores já eram conhecidos ou detetáveis por agências de inteligência no início de 2000, mas os dados biográficos destes não foram comunicados a tempo aos serviços de fronteira. Além disso, três utilizavam passaportes com um potencial indicador de extremismo, que nunca tinha sido analisado pela CIA ou pelo FBI. 

Quase todos os operacionais entraram com vistos de turista, obtendo estadias automáticas de seis meses. No entanto, vários violaram os termos dos vistos - como pilotos que entraram como turistas mas começaram de imediato a frequentar escolas de voo não certificadas, ou outros que ultrapassaram o tempo de permanência legal. 

Nas poucas vezes em que foram enviados para inspeções secundárias, os inspetores muitas vezes falharam na verificação de dados, não entenderam a lei ou cederam à expectativa de leniência (especialmente no caso de cidadãos sauditas). Numa das exceções, um inspetor atento negou a entrada a um elemento devido a comportamento arrogante e contradições, mas tratou-se de uma raridade. 

Pedidos pendentes de alteração de estatuto e de prorrogação de permanência acumularam-se numa vasta burocracia (no meio de milhões de processos), servindo inclusivamente para ajudar alguns operacionais a reentrar no país. Quando a CIA finalmente forneceu dados biográficos de dois dos sequestradores às autoridades de fronteira, a apenas semanas do ataque, os EUA não dispunham de um sistema de controlo de saídas nas fronteiras, tornando impossível saber se os suspeitos ainda estavam no território nacional. 

A queda de Osama bin Laden

Enquanto os cinco principais detidos e cérebros logísticos dos ataques viram os processos dos crimes de que são acusados arrastarem-se por anos nos tribunais militares de Guantánamo, até atualmente, uma cobrança definitiva à liderança da al-Qaeda aconteceu alguns anos após o ataque.

A 2 de maio de 2011, forças especiais dos Navy SEALs (SEAL Team Six), numa operação secreta autorizada pelo então presidente Barack Obama, invadiram o complexo residencial fortificado onde Osama bin Laden estava escondido em Abbottabad, no Paquistão.

Barack Obama, Joe Biden e Hillary Clinton numa reunião
Nesta imagem divulgada pela Casa Branca e retocada digitalmente pela fonte para ocultar o papel que se encontrava à frente da secretária de Estado Hillary Clinton, o presidente Barack Obama e o vice-presidente Joe Biden, juntamente com membros da equipa de segurança nacional, recebem informações atualizadas sobre a missão contra Osama bin Laden na Sala de Situação da Casa Branca, em Washington, a 1 de maio de 2011 FOTO: AP Photo/The White House, Pete Souza, File

Nessa incursão, batizada de Operation Neptune Spear, Osama bin Laden foi morto, desferindo um golpe simbólico e operacional de grande peso na Al-Qaeda. No entanto, a morte do líder terrorista esteve longe de representar um encerramento real. Com mais de 1100 vítimas ainda por identificar através de testes de ADN - num total de quase 3000 mortos - e os principais suspeitos da 'arquitetura' dos ataques de 2001 retidos num impasse jurídico infindável, o 11 de setembro permanece como uma ferida aberta na segurança e justiça internacionais.

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