Caso Epstein: As mulheres que protegiam o predador
Cúmplices do pedófilo não eram apenas homens. Epstein era protegido por várias mulheres, algumas das quais também eram suas vítimas.
Jeffrey Epstein sempre gostou de estar rodeado de belas mulheres. Teve várias cúmplices - a mais célebre, Ghislaine Maxwell -, que o defenderam até ao fim.
Na década de 80, o pedófilo viveu um romance discreto com Eva Andersson, atriz e modelo sueca que chegou a concorrer a Miss Univer- so e, mais tarde, participou na série ‘Baywatch’. Foi ela quem o apresentou à alta sociedade de Manhattan e foi o seu mordomo, Rinaldo Rizzo, que contou às autoridades o seu en- contro, na cozinha, com uma jovem de 15 anos que disse ter sido forçada a praticar atos sexuais na ‘ilha dos pedófilos’.
Em 1982, Epstein conheceu a atriz espanhola Ana Obregón, que lhe pediu ajuda para salvar o pai, investidor com ligações à realeza espanhola, de um esquema financeiro que ameaçava destruir a família. Ele ajudou-a e ela abriu-lhe as portas a novos círculos sociais fora do país. Já Nadia Marcinkova foi piloto do avião de Epstein, o ‘Lolita Express’, e vítima do pedófilo. Segundo um relatório do Departamento de Polícia de Palm Beach, datado de 2006, Epstein comentou que a eslovaca era uma “escrava sexual” que comprou aos pais quando era adolescente. Ela dividia um apartamento em Nova Iorque com outras três mulheres - Adriana Ross, Sarah Kellen e Lesley Groff -, que receberam imunidade no caso de 2008. Elas eram assistentes do pedófilo e ajudavam a agendar as suas ‘massagens’. Ross era uma ex-modelo polaca. Trabalhava na mansão de Palm Beach, viajando frequentemente no ‘Lolita’, incluindo com Bill Clinton. Groff foi assistente de Epstein durante 20 anos. Em 2005 gabou-se do vínculo que tinha com ele: “Sei o que ele está a pensar.” Uma das vítimas, Jennifer Araoz, afirma que tinha 14 anos quando Epstein começou a abusar dela e Groff era a responsável por agendar as ‘massagens’. Já Kellen era uma espécie de ‘faz-tudo’ para Epstein e Maxwell.
A herdeira do monstro
A dentista bielorrussa Karyna Shuliak, de 36 anos, é descrita como namorada de longa data de Jeffrey Epstein e uma figura central na sua vida privada, conforme documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça americano. A última ligação telefónica do predador sexual, antes da sua morte em agosto de 2019, foi para Shuliak. Ela conheceu Epstein em 2010, na Bielorrússia, quando tinha 20 anos. É muitas vezes referida como ‘A inspetora’ e acredita-se ser a única herdeira do criminoso, que pretendia casar com ela. A herança pode valer qualquer coisa como 100 milhões de dólares (cerca de 86 milhões de euros).
PORMENORES
Primeiro amor
A primeira namorada de Epstein conhecida foi Lynn Greenberg, que encontrou quando era professor de Matemática no colégio Dalton. Lynn tornou-se na 1.ª mulher com um assento na bolsa de valores americana.
Visitas na prisão
Nadia Marcinkova também es- teve envolvida no aliciamento de jovens para a rede pedófila e visitou o criminoso 67 vezes na prisão quando ele cumpriu pena por aliciar menor a prostituir-se.
“Era violada”
Sarah Ransome, vítima, disse: “Ghislaine e Sarah Kellen ensinaram-me a agradar Jeffrey.” Kellen defendeu-se: “Pintaram-me como um monstro, mas não é verdade. Era violada e abusada todas as semanas.”
Memorandos implicam Trump
O Departamento de Justiça dos EUA publicou online três memorandos do FBI que descrevem entrevistas relacionadas com alegações não verificadas de agressão sexual contra o Presidente Donald Trump que tinham estado em falta no enorme conjunto de ficheiros de Epstein já divulgados, e cuja ausência já tinha sido noticiada pela imprensa de todo o Mun- do. Em causa estão entrevistas com uma mulher que disse aos agentes que Epstein a tinha abusado repetidamente física e sexualmente há décadas, começando quando ela tinha cerca de 13 anos, e que também acusou Trump de a ter agredido sexualmente.
Trump negou qualquer irregularidade através da secretária de imprensa da Casa Bran- ca, Karoline Leavitt, que descreveu as acusações provenientes das entrevistas do FBI como “completamente infundadas, apoiadas por zero provas credíveis”. Também questionou a credibilidade da acusadora, cujo nome está ocultado nos ficheiros, apontando para o seu registo criminal. Agentes do FBI conduziram quatro entrevistas com a mu- lher, mas apenas um memorando que registava uma en- trevista em julho de 2019 - aquela em que não era feita qualquer referência da Trump - estava disponível na base de dados do Departamento de Justiça que foi tornada pública em janeiro. Os ficheiros divulgados cobrem três entrevistas adicionais conduzidas com a mulher em agosto e outubro de 2019. É nestas entrevistas que ela diz que Epstein a apresentou a Trump e, em seguida, este pediu a todos que saíssem da sala e “mencionou algo no sentido de ‘Deixa-me ensinar-te como as meninas pequenas devem ser’”. Depois, abriu o fecho das calças e colocou a cabeça dela “em direção ao seu pénis”. A alegada vítima disse que mordeu Trump, que de- pois lhe bateu e disse “palavras no sentido de ‘tirem esta pe- quena cabra daqui para fora’”.
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