Caso Epstein: Doações a universidades obrigam a mudanças no mundo académico

Divulgação dos ficheiros expôs ligações de Jeffrey Epstein ao mundo académico, o que já levou a várias demissões e a repensar procedimentos.

17 de março de 2026 às 01:30
Caso Epstein Foto: Direitos Reservados
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Jeffrey Epstein era uma figura bem conhecida no mundo académico. O próprio começou a sua carreira como professor de Matemática no prestigiado colégio Dalton, em Manhattan (Nova Iorque). Mais tarde, quando enveredou pelo ramo financeiro, era procurado por professores e reitores em busca de donativos. Em troca, o predador sexual acumulava contactos e ligações a instituições de elite. Contudo, a divulgação dos seus arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA está a ter um grande impacto no mundo académico, ao expor a relação do pedófilo com investigadores, professores e reitores de universidades. Alguns deles mantiveram laços com Epstein muito tempo depois de este ter sido registado como criminoso sexual e ter estado preso, em 2008.

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Lawrence Summers foi afastado de Harvard
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Richard Axel
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Leon Botstein
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Epstein com um casaco de Harvard a falar com o advogado Alan Dershowitz
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Muitos académicos chegaram a visitar a ‘ilha dos pedófilos’
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A polémica já obrigou Richard Axel, vencedor do Prémio Nobel da Medicina em 2004, a renunciar à liderança de um instituto de pesquisa na Universidade de Colúmbia. O médico classificou a sua relação com Epstein como um “grave erro de julgamento”. Em Harvard, um “profundamente envergonhado” Lawrence Summers foi afastado da presidência e, mais tarde, anunciou que não retomaria as suas aulas. Também o corpo docente do Bard College exigiu um plano de transição para o novo presidente da instituição devido às ligações de Leon Botstein a Epstein, apesar de o maestro defender que se limitou a cumprir as suas “responsabilidades como principal angariador de fundos da faculdade”.

Tudo isto levou instituições como Harvard e outras a repensarem a forma como se relacionam com doadores privados, que devem ser sujeitos a verificações rigorosas.

Epstein, que morreu na prisão em 2019, fez doações - por vezes através das suas instituições de caridade - a várias universidades, incluindo Harvard, a Universidade do Arizona e a Universidade da Colúmbia Britânica, além de, segundo consta, ter pago as propinas de várias mulheres.

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Ligação próxima com Harvard

Mesmo depois de ser registado como criminoso sexual, em 2008, Epstein continuou a financiar alguns dos cientistas de renome mundial de Harvard, incluindo aqueles que faziam trabalhos pioneiros em genética, uma área que lhe interessava. O especialista em genética George Church e o biólogo Martin Nowak chegaram a visitar a célebre ‘ilha dos pedófilos’, nas Caraíbas. Os ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça mostram que Epstein frequentemente usava o escritório de Nowak para reuniões com Church e outros cientistas quando visitava Boston. Nowak também deu a Epstein acesso livre aos escritórios de Harvard, através de um cartão, até 2018, diz o relatório da universidade.

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