Steve Bannon: o 'conselheiro do Diabo' que se aproximou de Epstein pelo poder e de quem se tornou amigo

Ex-conselheiro de Trump tentou usar Epstein para financiar partidos de extrema-direita europeus. Juntos, Steve Bannon e Epstein tentaram derrubar até o Papa.

12 de março de 2026 às 01:30
Steve Bannon Foto: JOSE LUIS MAGANA/AP
Steve Bannon com Jeffrey Epstein, em Nova Iorque, onde se reuniam para falar sobre assuntos variados, entre os quais política
Woody Allen e Steve Bannon, na casa de Epstein em Manhattan. Ao fundo, um quadro infantil do IKEA Foto: AP
Steve Bannon e Epstein tinham uma amizade por base em troca de contactos e influências Foto: Direitos Reservados

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Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump e arquiteto do movimento Make America Great Again (MAGA), tentou usar Jeffrey Epstein para financiar partidos de extrema-direita europeus. A ideia seria formar um movimento no Parlamento Europeu que unisse forças de vários países, incluindo Itália, França e Alemanha. Ao mesmo tempo, tentou ‘limpar’ a imagem do pedófilo através de um documentário que acabou esquecido após a sua morte na prisão. Obcecados pelo poder, Epstein e Bannon tornaram-se grandes amigos: discutiam eventos, pessoas e política; traçavam estratégias; criticavam o movimento #MeToo e trocavam piadas sexuais, incluindo sobre genitália feminina. Numa mensagem, Bannon recomenda a Epstein mudar de advogado. “Quem diabos te está a aconselhar?! O teu acordo permite que as garotas ‘contem as suas histórias’!!!”, escreveu. Os dois trocavam regularmente opiniões sobre desenvolvimentos políticos, com o segundo focado em arrecadar fundos para políticos populistas como Marine Le Pen (França) e Matteo Salvini (Itália). Os documentos mostram ainda como se uniram para “derrubar” o Papa Francisco, que se apresentava como um obstáculo ao populismo nacionalista defendido por Bannon. "Vamos derrubar (o papa) Francisco”, escreveu numa mensagem para Epstein, em junho de 2019. “Os Clintons, Xi, Francisco, a União Europeia... Vamos lá, irmão."

Para Bannon, Epstein era um canal para uma rede internacional de elites. Para Epstein, Bannon oferecia informações sobre Trump, um velho amigo por quem continuava fascinado. Ou seja, usavam-se mutuamente. Enquanto isso, o antigo conselheiro da Casa Branca viajava no avião do amigo pedófilo e ficava instalado nas suas propriedades. “Como é ter o agente de viagens mais bem pago da história”, escreveu Epstein numa mensagem, acrescentando: “Massagens. Não incluídas.”

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Congresso ouve Kahn e Indyke

O Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes ouviu ontem Richard Kahn, um dos colaboradores mais próximos de Epstein. O contabilista, que fazia a gestão das finanças e investimentos do pedófilo, mantém, juntamente com o advogado Darren Indyke, o controlo do património e de documentos sensíveis do milionário, apesar das suspeitas levantadas sobre o seu papel na gestão da rede de tráfico sexual. A audiência de Indyke está agendada para dia 19. Sobreviventes de Epstein identificaram Kahn e Indyke como peças fundamentais nas complexas finanças e operações de Epstein. Os dois chegaram recentemente a um acordo num processo em que eram acusados de facilitar casamentos de fachada para trazer jovens mulheres para os EUA.

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FOTO: Jose Luis Magana/AP
Richard Kahn ouvido pelo Congresso americano
FOTO: Jose Luis Magana/AP
Richard Kahn ouvido pelo Congresso americano
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Trump e Epstein em cena ‘Titanic’

O coletivo de artistas The Secret Handshake voltou a brindar Washington D.C. com uma estátua alusiva à relação de amizade entre Donald Trump e Jeffrey Epstein. Desta vez, a obra, localizada no parque National Mall, no centro da cidade, recria a cena do filme ‘Titanic’ em que os personagens Jack e Rose abrem os braços na proa do navio e imaginam que estão a voar, numa das cenas românticas mais icónicas do cinema. Com mais de três metros e meio e altura, a estátua ‘King of The World’ faz-se acompanhar de uma placa, onde se lê: “Este monumento honra o vínculo entre Donald Trump e Jeffrey Epstein, uma amizade aparentemente construída em viagens luxuosas, festas ruidosas e esboços secretos de nus.”

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FOTO: Rod Lamkey/AP
Estátua de Bannon e Epstein, arquitetos do movimento MAGA, com o Capitólio dos EUA ao fundo
FOTO: Rod Lamkey/AP
Estátua de Steve Bannon e Trump perto do Capitólio dos EUA, num contexto de queda do Papa
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