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A sórdida e promíscua conspiração médica de Jeffrey Epstein

Milionário pedófilo tinha uma rede de médicos de elite que realizavam cirurgias em casa e o ajudavam a manter as suas vítimas sexuais ativas.

03 de março de 2026 às 01:30

Operações realizadas em casa, equipamentos cirúrgicos no domicílio e médicos de elite ao dispor 24 horas por dia. Jeffrey Epstein manteve, durante muitos anos, uma sinistra conspiração médica que agora foi exposta pelo Departamento de Justiça dos EUA através da divulgação de mais arquivos do milionário pedófilo (recorde-se que em causa estão mais de 3 milhões de documentos).

Entre as várias fotografias que agora chegaram a público vê-se, por exemplo, uma jovem deitada na mesa de jantar de Epstein a receber uma intervenção cirúrgica na cabeça, que se crê ter sido realizada pelo famoso cirurgião plástico de Nova Iorque Dr. Jess Ting. Os documentos revelam que Epstein (morreu em 2019) alimentava uma rede médica privada que teria como um dos principais objetivos “manter as suas meninas sexualmente aptas”.

Muitas conversas por email, que agora estão na posse da justiça americana, denunciam também que Epstein tinha um relacionamento próximo com muitos médicos de elite, dos quais dependia para serviços médicos particulares. Apoiado por essa rede médica, manipulava as mulheres com quem mantinha relações sexuais, muitas delas jovens e estrangeiras, oferecendo-lhes acesso a planos de saúde privados e a uma série de procedimentos médicos, como lipoaspiração, remoção de sinais ou exames pélvicos.

Num esquema de grande promiscuidade e influência, Epstein mantinha vários médicos no seu quadro de funcionários pessoais, disponíveis 24 horas por dia, com presentes luxuosos e doações generosas. O The New York Times diz agora que alguns desses médicos podem estar em muito maus lençóis, uma vez que “alguns infringiram ou violaram as normas éticas da profissão”.

Disfunção erétil e gonorreia

Os arquivos de Epstein agora revelados denunciam que o pedófilo milionário terá tido ao seu serviço pelo menos uma dezena de médicos entre 2009 e 2019. Jeffrey recorria aos seus serviços não só para as suas vítimas, mas também para aconselhamentos médicos pessoais, fazendo perguntas sobre as suas frequentes dores nas costas, colesterol alto e medicamentos para disfunção erétil. Um dos médicos da confiança de Epstein encaminhava as suas parceiras sexuais para tratamentos de gonorreia em outros locais (insuspeitos), para que, quando os casos fossem relatados às autoridades de saúde pública, não fossem associados ao predador.

Consultório odontológico improvisado na ilha

Imagens divulgadas pelo Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes em dezembro mostravam que Jeffrey Epstein tinha um consultório odontológico improvisado em Little St. James, a ilha privada nas ilhas Virgens Americanas onde ocorreram muitos crimes e que é hoje conhecida como ‘Ilha do Pecado’ ou ‘Ilha da Pedofilia’. A sala estaria adornada com estranhas máscaras masculinas. Das relações médicas duvidosas que Epstein manteve ao longo dos anos, acredita-se que uma das ligações principais foi com a Dra. Eva Dubin, fundadora da unidade de cancro de mama no Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, com quem Epstein namorou durante a década de 1980. Ela é mencionada pelo menos 1500 vezes nos arquivos disponíveis, sendo que em alguns deles surge a recomendar médicos a Epstein apenas alguns meses antes da sua morte na prisão em Nova Iorque.

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