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Ataques israelitas no Líbano deixam cessar-fogo em risco

Irão repõe bloqueio no Estreito de Ormuz horas após Trump anunciar o seu levantamento.

09 de abril de 2026 às 01:30

O alívio global sentido após o anúncio de um cessar-fogo entre os EUA e o Irão durou pouco. Horas depois de Donald Trump ter anunciado uma pausa de duas semanas nos bombardeamentos de parte a parte e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, o Irão voltou esta quarta-feira a anunciar o fecho daquela importante via marítima em retaliação pelo ataque devastador lançado contra o Líbano por Israel, que alega, por seu turno, que a trégua não é extensível ao seu conflito com o Hezbollah. Já os EUA denunciaram que os termos do acordo que foram divulgados pelo regime de Teerão não correspondem àquilo que foi acordado, aumentando ainda mais a confusão e a incerteza sobre o futuro da trégua.

O acordo para suspender as hostilidades por duas semanas foi anunciado por Trump na terça-feira à noite, quando faltava menos de hora e meia para expirar o ultimato que tinha feito ao Irão para aceitar negociar ou enfrentar a eliminação de “toda a sua civilização”. O presidente dos EUA disse ter recebido do Irão uma “proposta de 10 pontos” que considerou como “uma boa base de trabalho” para um futuro acordo de paz, e os mediadores paquistaneses anunciaram que enviados dos dois países poderiam reunir-se nos próximos dias em Islamabad, levando a um alívio imediato nas bolsas e mercados petrolíferos.

Os EUA não divulgaram imediatamente os termos dessa proposta, enquanto o Irão pôs a circular uma versão que inclui vários pontos de difícil aceitação por Trump, incluindo o futuro controlo de Ormuz por Teerão e o pagamento de compensação pelos danos sofridos na guerra. A versão em persa da proposta refere ainda “a continuação do enriquecimento de urânio” por parte do Irão, algo a que a versão em inglês não faz qualquer referência, e que levou os EUA a avisarem esta quarta-feira que a versão que está a ser divulgada pelos media internacionais “não corresponde ao que foi acordado” entre as partes.

No entanto, o maior entrave ao acordo parece ter sido o bombardeamento em larga escala lançado esta quarta-feira por Israel contra o Líbano, com mais de uma centena de ataques em apenas 10 minutos, que provocaram mais de 200 vítimas civis. Israel garante que o conflito no Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo, versão confirmada por Trump, mas os mediadores paquistaneses garantem que sim, tal como o Irão, que anunciou a reimposição do bloqueio de Ormuz como resposta e ameaçou retomar os ataques contra Israel, deixando o frágil cessar-fogo à beira do colapso.

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