Irão retomou o "controlo rigoroso" de Ormuz no sábado, apenas um dia depois de ter anunciado a reabertura do estreito.
O Governo da Austrália alertou, esta segunda-feira, que o país enfrenta "o maior choque energético da sua história" devido à guerra no Médio Oriente e da dificuldade de trânsito de crude pelo estratégico estreito de Ormuz.
Em declarações à emissora pública australiana ABC, o ministro da Indústria e Ciência, Tim Ayres, descreveu a situação como "altamente volátil", depois de um navio da Marinha dos Estados Unidos ter disparado contra uma embarcação que, segundo Washington, tentava romper o bloqueio imposto aos portos iranianos.
Os militares iranianos denunciaram o ataque norte-americano a uma embarcação iraniana perto do estreito de Ormuz como uma violação do cessar-fogo entre Teerão e Washington e afirmaram ter respondido com ataques de drones contra navios norte-americanos.
O Irão retomou o "controlo rigoroso" de Ormuz no sábado, apenas um dia depois de ter anunciado a reabertura do estreito.
Paralelamente ao bloqueio iraniano, os Estados Unidos estão a implementar um bloqueio naval dirigido especificamente a Teerão para impedir a exportação e importação de mercadoria.
"É por isso que o Governo australiano tem apelado à redução e à cessação das hostilidades", afirmou Ayres, que sublinhou que as autoridades estão a trabalhar intensamente para reforçar a segurança do abastecimento de combustível e fertilizantes, tanto a nível nacional como regional.
O ministro explicou que as medidas visam "proporcionar uma reserva" para proteger a Austrália e os seus cidadãos do impacto daquilo que descreveu como um "choque energético" sem precedentes.
No entanto, Ayres desvalorizou as flutuações imediatas dos preços dos combustíveis e sublinhou que a situação está em rápida evolução.
"É importante não nos concentrarmos nos altos e baixos diários da atividade", observou.
Em vez disso, o ministro afirmou que a prioridade do Governo é agir em duas frentes: garantir a segurança energética a curto prazo e reforçar a resiliência económica a longo prazo.
Neste sentido, Ayres destacou os investimentos destinados a reforçar a capacidade industrial e energética do país.
O ministro recusou confirmar se o Governo irá prolongar as medidas temporárias de alívio do custo de vida, como os ajustamentos nos impostos sobre os combustíveis ou nas taxas para veículos pesados.
Os preços do petróleo voltaram a disparar, esta segunda-feira, nos mercados asiáticos, com o crude West Texas Intermediate (WTI), que serve de referência para o mercado dos Estados Unidos a subir cerca de 7%.
Por volta das 00h45 (hora de Lisboa), o preço do WTI subia 7,39% para 90,05 dólares (76,56 euros) por barril, enquanto o crude Brent, a referência global, ganhava 6,06% para 95,86 dólares (81,5 euros) por barril.
"A notícia de maior impacto para os mercados é, sem dúvida, a apreensão de um navio iraniano pelas forças armadas norte-americanas no golfo de Omã, com o Irão a anunciar imediatamente que iria retaliar", sublinhou Chris Weston, analista da corretora Pepperstone.
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