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Central nuclear de Bushehr atingida por ataque mas sem danos nem vítimas

AIEA declarou que o Irão a tinha informado de que outro projétil tinha atingido esta terça-feira as instalações da central nuclear de Bushehr na terça-feira.

24 de março de 2026 às 22:22

A Organização Iraniana de Energia Atómica declarou esta terça-feira à noite que a central nuclear de Bushehr (sul) tinha sido atingida por um ataque, que não causou danos, acusando os Estados Unidos e Israel de serem os responsáveis.

"Enquanto o inimigo americano e israelita continua as suas hostilidades (...), um projétil atingiu o interior da central de Bushehr", relatou a organização, especificando que não tinham sido registados até ao momento "danos materiais ou técnicos, nem qualquer perda humana".

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), por seu lado, voltou a apelar à "máxima contenção" após o anúncio do Irão de que a central nuclear de Bushehr tinha sido atingida por um ataque, sem danificar a própria instalação.

A AIEA declarou que o Irão a tinha informado de que outro projétil tinha atingido esta terça-feira as instalações da central nuclear de Bushehr na terça-feira.

"O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reitera o seu apelo à máxima contenção para evitar qualquer risco na segurança nuclear em tempos de conflito", afirmou a agência das Nações Unidas numa mensagem publicada no X.

A central de Bushehr é operada pela estatal russa Rosatom.

A Amnistia Internacional também alertou esta terça-feira que bombardear centrais elétricas no Irão, como tem ameaçado o Presidente norte-americano, Donald Trump, teria "consequências devastadoras" para milhões de civis, que configurariam, à luz do Direito Internacional, crimes de guerra.

Por essa razão, a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos sustentou que Trump "deve retirar as ameaças profundamente irresponsáveis de atos que causariam danos catastróficos a milhões de civis".

E especifica que tais danos incidiriam sobre "os direitos humanos à vida, à água, à alimentação, aos cuidados de saúde e a um nível de vida digno".

Donald Trump emitiu a 21 de março um ultimato de 48 horas à República Islâmica para reabrir o Estreito de Ormuz, avisando que os Estados Unidos "destruiriam" as centrais elétricas iranianas, "começando pela maior delas", caso as autoridades iranianas não cumprissem.

Teerão respondeu que retaliaria, visando as "centrais elétricas do regime ocupante (Estados Unidos) e as centrais elétricas dos países da região que fornecem eletricidade às bases norte-americanas, bem como as infraestruturas económicas, industriais e energéticas nas quais os norte-americanos detêm participações", caso Trump levasse a cabo a sua ameaça.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.

A organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou a 23 de março o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.268, entre as quais 1.443 civis - incluindo 217 crianças -, 1.167 militares e 658 pessoas cujo estatuto não foi precisado.

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