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Como Netanyahu convenceu Trump a atacar o Irão

Apresentação do primeiro-ministro israelita na Sala de Situação da Casa Branca foi momento chave.

10 de abril de 2026 às 01:30

“Parece-me bem”. As palavras de Donald Trump no final de um encontro ultrassecreto na Casa Branca a 11 de fevereiro, marcam, segundo várias testemunhas presentes, o momento em que o presidente dos EUA terá tomado a decisão de atacar o Irão. Trump tinha acabado de ouvir o primeiro-ministro de Israel apresentar durante mais de um hora o seu plano para atacar o Irão. De acordo com o New York Times, que cita excertos de um livro a ser lançado em breve - ‘Mudança de Regime: Dentro de Presidência Imperial de Donald Trump’ - Netanyahu apresentou um plano convincente e estruturado, alegando que esta era a altura certa para derrubar o regime islâmico, alegando que nunca esteve tão enfraquecido. Segundo o PM de Israel, o programa de mísseis balísticos poderia ser destruído em poucas semanas; o regime ficaria tão enfraquecido que não teria capacidade para bloquear efetivamente o Estreito de Ormuz; e o risco de retaliação contra os países vizinhos era “mínimo”. A Mossad garantiu que o povo iraniano estava pronto a sair à rua e que os curdos poderiam abrir uma frente terrestre a norte, desviando as atenções das forças de segurança.

Apesar do excessivo otimismo, Trump mostrou-se convencido. No dia seguinte, numa nova reunião já sem os israelitas, responsáveis dos serviços de informação dividiram o plano israelita em quatro partes: decapitação do regime, destruição do poder militar iraniano, levantamento popular e mudança de regime. Os dois primeiros, frisaram, estavam ao alcance dos EUA. Os outros dois foram descritos pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, como “ridículos”. Apesar dos alertas de vários conselheiros, ninguém ousou opor-se firmemente a um ataque com exceção do vice-presidente JD Vance, que avisou em vão para o caos e o elevado número de baixas que uma guerra poderia causar.

Com Trump já convencido a avançar, faltava decidir quando. Nos últimos dias de fevereiro, uma nova informação acelerou o calendário: O ayatollah Khamenei iria reunir-se com outros dirigentes do regime, em pleno dia e à superfície, em vez de num bunker subterrâneo como era habitual. Era a oportunidade perfeita. Uma última reunião ocorreu a 26 de fevereiro na Sala de Situação, onde foram revistos os planos do ataque. Mais uma vez, ninguém se opôs. Até Vance, cuja posição todos conheciam, afirmou: “Sabem que eu acho isto uma péssima ideia, mas se o Presidente quiser fazê-lo, terá o meu apoio”. “Acho que temos de o fazer”, respondeu Trump. A ordem seguiu no dia seguinte, numa mensagem enviada do Air Force One para o chefe do Estado-Maior, Dan Caine: “Operação Fúria Épica aprovada. Não abortar. Boa sorte”.

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