Rússia usa míssil com capacidade nuclear em ataques contra Kiev que fizeram quatro mortos e mais de 100 feridos.
Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas numa série de bombardeamentos russos contra Kiev e arredores, na madrugada deste domingo.
A capital ucraniana foi o principal alvo de um dos maiores ataques dos últimos meses, com a utilização massiva de drones e mísseis de vários tipos, que atingiram edifícios residenciais, centros comerciais e escolas. A Força Aérea ucraniana indicou que foram abatidos 549 drones e intercetados 55 mísseis. O Presidente ucraniano acusou, de imediato, Moscovo de utilizar o míssil hipersónico Oreshnik, com capacidade nuclear. “Vladimir Putin lançou o seu Oreshnik contra Bila Tserkva. Eles estão mesmo loucos”, declarou Volodymyr Zelensky. Passadas umas horas, a Rússia confirmou a utilização do Oreshnik, tendo sido a terceira vez que foi utilizado na Ucrânia.
Estes bombardeamentos ocorreram poucos dias após um ataque ucraniano, que resultou em 21 mortos, contra uma escola e residência de estudantes em Lugansk, região ocupada pela Rússia, ao qual Vladimir Putin, prometeu uma resposta militar. O vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia e antigo Presidente do país já veio dizer que estes ataques foram de facto uma retaliação ao “ataque mortal” em Lugansk. Dmitri Medvedev acusa Zelensky de “provocar” uma resposta militar russa para obter mais apoio financeiro e militar dos aliados. “Ao que parece, foi intencional. Precisavam que fossem lançados bombardeamentos aéreos massivos contra as estruturas de Kiev porque assim é mais fácil pedir dinheiro e armas”, afirmou. O Governo português condenou o ataque contra Kiev. “Continuamos a apoiar sem reservas a Ucrânia e também a sua aspiração a uma paz justa e duradoura”, refere.
Oreshnik pode atingir toda a Europa
O Oreshnik, descrito por Putin como uma arma de “última geração”, é um míssil balístico hipersónico de alcance intermédio capaz de transportar múltiplas ogivas e atingir diferentes alvos em simultâneo. O sistema pode alcançar entre três mil e cinco mil e quinhentos quilómetros de distância, colocando grande parte da Europa ao alcance das forças russas.
Segundo Moscovo, o míssil viaja a cerca de 13 mil quilómetros por hora, o que torna a sua interceção extremamente difícil para os atuais sistemas de defesa aérea. Putin afirma que o poder destrutivo do Oreshnik é comparável ao de uma arma nuclear e que não existe tecnologia capaz de o travar. O míssil foi utilizado pela primeira vez em novembro de 2024, num ataque a uma fábrica militar em Dnipro, na Ucrânia, e voltou a ser usado em janeiro deste ano contra a região de Lviv. Produzido em série desde 2024, o Oreshnik já foi fornecido à Bielorrússia.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, acusa Moscovo de recorrer a uma “tática de intimidação” e de “chantagem nuclear imprudente” ao ter usado este míssil nos ataques de ontem.
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