Ministros das Finanças dos países do G20 estão reunidos esta segunda e terça-feira num complexo turístico em Asheville.
Os ministros das Finanças dos países do G20 estão reunidos esta segunda-feira e terça-feira num complexo turístico em Asheville, no estado de Carolina do Norte, com Donald Trump a tentar envolvê-los na guerra económica contra o Irão.
Washington, que preside este ano ao grupo das principais economias mundiais, tinha planeado concentrar o debate na promoção do crescimento, nos efeitos da desregulação e na resolução dos desequilíbrios comerciais, mas estes temas serão provavelmente secundarizados pela guerra no Médio Oriente, que se intensificou na última noite.
Natural da vizinha Carolina do Sul, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deverá a liderar as conversações juntamente com o presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh.
Figura-chave na administração de Trump, Scott Bessent lidera a ofensiva económica contra o Irão, através de sanções, tendo recentemente intimidado os países que continuam a negociar com Teerão com ameaças de isolamento no sistema financeiro ocidental.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Bessent irá pressionar os seus homólogos do G20 a aumentarem a pressão económica sobre o Irão.
A China, que é membro do G20, é um importante parceiro da República Islâmica do Irão.
Num comunicado emitido antes da abertura oficial da cimeira, a União Europeia (UE) declarou-se "pronta para tomar novas medidas, se necessário, para preservar a sua segurança e os seus interesses, incluindo a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz", que se encontra bloqueado pelo Irão desde que há seis meses os Estados Unidos e Israel iniciaram o conflito.
O encontro de Asheville, localizada no sopé dos Montes Apalaches, deverá ainda ser marcado pela intenção de Washington em impor tarifas sobre bens importados do seu vizinho canadiano, também membro do G20 e do G7, apesar da posição do Supremo Tribunal dos EUA.
O G20 foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 para reforçar a estabilidade económica e financeira mundial. É composto por 19 países e duas entidades regionais: a União Europeia (UE) e a União Africana (UA).
Embora não seja membro permanente, a Polónia foi convidada por Washington a participar nas discussões para assinalar a expansão económica daquele país da Europa de Leste.
A África do Sul foi excluída das reuniões deste ano pelo governo norte-americano, que acusa regularmente, sem provas, as autoridades de Pretória de perseguirem os agricultores brancos.
Outro país em desacordo com Donald Trump, o Brasil, governado pelo presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva, não enviou o seu ministro das Finanças ao encontro.
A Rússia será representada por um enviado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Segundo a AFP, o Departamento do Tesouro dos EUA restringiu o acesso à cimeira do G20, recusando-se a credenciar vários jornalistas de importantes órgãos de comunicação norte-americanos, incluindo a Bloomberg, que não recebeu credenciais.
A agência noticiosa denunciou o sucedido como um "ataque à liberdade de imprensa e à transparência perante o público", levando o Departamento do Tesouro a reagir afirmando que tinha acreditado quase 300 membros da comunicação social, dos quais espera uma cobertura "factual" e não "sensacionalista".
Este ciclo de cimeiras do G20 será concluído em meados de dezembro com uma reunião de chefes de Estado na Florida, num luxuoso 'resort' de golfe em Miami que é propriedade de Donald Trump.
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