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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

EUA esperam resposta de Teerão sobre negociações ainda hoje

Declarações de Rubio surgem quando se cumpre um mês do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos e após as tensões entre ambas as partes na quinta-feira, no estreito de Ormuz, com ataques recíprocos.

08 de maio de 2026 às 14:48

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, admitiu que espera ainda esta sexta-feira uma resposta iraniana sobre negociações para um acordo de paz, após uma reunião em Roma com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

"Deveremos saber algo hoje. Quer dizer, estamos à espera de uma resposta deles. Veremos o que implica a resposta. A esperança é que seja algo que nos possa colocar num processo sério de negociação", afirmou em conferência de imprensa.

As declarações de Rubio surgem quando se cumpre um mês do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos e após as tensões entre ambas as partes na quinta-feira, no estreito de Ormuz, com ataques recíprocos.

Rubio disse que as escaramuças dos últimos dias nada tiveram a ver com a operação militar original, "Fúria Épica", e que os Estados Unidos apenas responderam a um ataque inicial do Irão.

"O que viram ontem [quinta-feira] foi contratorpedeiros norte-americanos a navegar em águas internacionais a serem atacados pelos iranianos, e os Estados Unidos responderam defensivamente para se protegerem", relatou.

"Se dispararem um drone ou um míssil contra o nosso contratorpedeiro, o que é suposto fazermos? Deixar que o atinja? Temos de responder",insistiu.

Rubio disse que deixar que o Irão afundasse um navio norte-americano "seria inadmissível", pelo que "é necessário responder quando se é atacado".

"Não somos ingénuos", afirmou, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

O chefe da diplomacia norte-americana foi questionado sobre a guerra com a República Islâmica e assegurou que "toda a gente está de acordo que é inaceitável que o Irão tenha uma arma nuclear".

Neste sentido, defendeu que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o primeiro dirigente mundial a fazer algo concreto para evitar tal cenário.

Sobre a proposta de acordo de Washington a Teerão, Rubio expressou a confiança de que chegue ainda esta sexta-feira, mas admitiu também dificuldades por o sistema de governo iraniano "continuar a estar muito fragmentado e algo disfuncional".

Rubio qualificou como "muito problemática" a possibilidade de o Irão estabelecer algum organismo para controlar o tráfego no estreito de Ormuz, fundamental para o comércio mundial de petróleo e gás.

"Isso seria muito problemático. Isso seria, de facto, inaceitável. Quer dizer, a normalização do controlo [pelo Irão] de vias navegáveis internacionais é tanto ilegal como simplesmente inaceitável", avisou.

O Irão anunciou na quarta-feira a criação de um novo organismo para gerir o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, designada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês).

O Irão bloqueou o estreito de Ormuz em resposta aos ataques lançados contra o país pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

O bloqueio da via por onde passava 20% do petróleo mundial antes da guerra causou uma crise nos preços de combustíveis e de vários bens a nível global.

Rubio considerou que o Irão está a desafiar a comunidade internacional e que, se o mundo aceitar, outros países farão o mesmo.

"O que vai o mundo fazer quanto a isso? Irá o mundo aceitar que o Irão controle agora uma via marítima internacional? Porque, se o mundo está disposto a aceitá-lo, que se prepare", avisou.

Rubio, sem citar nomes, garantiu que há "outros dez países que vão começar a fazer o mesmo nas suas vias marítimas internacionais, ou em vias marítimas próximas dos seus territórios".

"É inaceitável que esta prática seja normalizada", acrescentou, também citado pela agência espanhola EFE.

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