Medida aconteceu poucos dias antes de um encontro entre Donald Trump e o homólogo chinês, Xi Jinping.
Os Estados Unidos sancionaram esta segunda-feira 12 indivíduos e entidades ligados a Teerão, acusando-os de facilitarem a venda de petróleo iraniano à China, poucos dias antes de um encontro entre Donald Trump e o homólogo chinês, Xi Jinping.
A atualização da lista negra do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) foi publicada pelo Departamento do Tesouro, incluindo diversos membros da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), o exército ideológico do regime de Teerão, bem como empresas nos Emirados Árabes Unidos e em Hong Kong.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent assegurou que o departamento que dirige "continuará a privar o regime (iraniano) dos fundos necessários para os seus programas de armamento, os seus grupos terroristas e as suas ambições nucleares", no contexto do conflito com os Estados Unidos.
A IRGC, adiantou, "depende de empresas de fachada localizadas em jurisdições económicas permissivas para ocultar o seu papel nas vendas de petróleo e canalizar os lucros para o regime iraniano".
Algumas das empresas recentemente sancionadas "estiveram envolvidas em múltiplos carregamentos de petróleo (...) cada um no valor de dezenas de milhões de dólares", e outras facilitaram a utilização de vários navios pertencentes à "frota fantasma" do Irão, uma rede de embarcações utilizadas para transportar petróleo, contornando as sanções, afirma o Departamento do Tesouro.
As sanções norte-americanas incluem o congelamento de quaisquer bens detidos nos Estados Unidos e a proibição de empresas e cidadãos norte-americanos negociarem com os indivíduos ou empresas visados.
Três indivíduos ligados à IRGC foram incluídos na atualização desta segunda-feira: Mohammadreza Ashrafi Ghahi, Samad Fathi Salami e Ahmad Mohammadi Zadeh.
Foram ainda incluídos na lista várias empresas com ligações à IRGC: Atic Energy FZE, Ocean Allianz Shipping LLC, Universal Fortune Trading LLC e Blanca Goods Wholesaler, todas com sede nos Emirados Árabes Unidos; Hong Kong Blue Ocean Limited, Hong Kong Sanmu Limited, Jiandi HK Limited e Max Honor International Trade Co. Limited, estas com sede na região administrativa chinesa de Hong Kong; e a Zeus Logistic Group, sediada em Omã.
A trégua na guerra, iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro, está no seu ponto mais crítico depois de o próprio Presidente norte-americano, Donald Trump, ter considerado no domingo que a resposta de Teerão à proposta de paz de Washington era "completamente inaceitável".
O Paquistão, país mediador nas negociações, confirmou ter recebido a resposta iraniana à última proposta norte-americana, em plena escalada das hostilidades de Teerão, que incluíram no domingo um ataque com um drone contra um navio comercial em águas do Qatar.
Desde o início da ofensiva israelo-americana, o Irão mantém sob ameaça militar o estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, fazendo disparar os preços internacionais.
Depois do fracasso da única ronda negocial formal, em Islamabad em 11 de abril, os Estados Unidos impuseram pelo seu lado um bloqueio naval aos portos iranianos, como uma tentativa de asfixiar a economia da República Islâmica.
Trump, descreveu esta segunda-feira a última proposta de paz do Irão como lixo e alertou que o cessar-fogo em vigor se encontra sob "respiração assistida", enquanto pondera o recomeço das operações militares no estreito de Ormuz.
Na sexta-feira, Washington anunciou sanções contra três empresas sediadas na China, acusadas de fornecer imagens de satélite utilizadas pelo Irão nas suas hostilidades contra os Estados Unidos.
O Departamento do Tesouro também sancionou várias empresas na China continental e em Hong Kong pela sua alegada contribuição para o fornecimento de armas ao Irão.
Com a grande maioria das exportações de petróleo do Irão a serem destinadas à China, Pequim é diretamente afetada pelo impasse entre Washington e Teerão e pelo quase fecho do Estreito de Ormuz.
Donald Trump tem esta quarta-feira uma viagem marcada para a China para se encontrar com Xi Jinping, a primeira visita de um Presidente norte-americano desde a visita do republicano em 2017.
Espera-se que a crise no Médio Oriente seja um dos principais temas das discussões, e Donald Trump poderá tentar persuadir Xi Jinping a aumentar a pressão sobre Teerão.
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