Takaichi disse que o orçamento será utilizado para atenuar a subida do custo da gasolina, da eletricidade e do gás, explicando que "a situação no Médio Oriente continua incerta".
O Governo do Japão vai apresentar no parlamento um orçamento adicional para ajudar as famílias a suportar os aumentos de preços causados pela guerra no Irão, anunciou esta segunda-feira a primeira-ministra, Sanae Takaichi.
O orçamento suplementar deve ultrapassar os três biliões de ienes (16,2 mil milhões de euros, ao câmbio atual), disse Takaichi durante uma conferência de imprensa em Tóquio, citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Takaichi disse que o orçamento será utilizado para atenuar a subida do custo da gasolina, da eletricidade e do gás, explicando que "a situação no Médio Oriente continua incerta".
"Numa perspetiva de minimização dos riscos, elaborámos um orçamento suplementar a fim de garantir que estamos totalmente preparados no plano financeiro", declarou à imprensa, também citada pela agência France-Presse (AFP).
No início do mês, o principal fabricante japonês de batatas fritas, Calbee, divulgou uma nova embalagem cinzenta para 14 linhas de produtos, substituindo os emblemáticos pacotes laranja e amarelo.
Os meios de comunicação japoneses atribuíram a decisão a uma escassez de tinta relacionada com a guerra no Irão, de acordo com a AFP.
O banco central do Japão (BOJ) reviu em alta as previsões de inflação em abril e baixou as projeções de crescimento, depois de a guerra no Irão ter feito disparar os preços do petróleo.
O BOJ indicou que "a subida dos preços do petróleo bruto deve resultar num aumento dos preços, principalmente da energia e dos bens, enquanto continuam os movimentos que visam repercutir os aumentos salariais nos preços de venda".
Takaichi disse que o Governo espera assegurar um abastecimento estável de petróleo até à próxima primavera.
Referiu que as fontes de abastecimento alternativas de nafta, um derivado petrolífero utilizado numa vasta gama de indústrias, fora do Médio Oriente, regressaram a mais de 80% dos níveis anteriores.
Takaichi disse que tenciona apresentar ao parlamento na próxima semana o projeto de lei do orçamento adicional para o ano fiscal em curso.
Declarou também que a emissão de títulos de dívida pública se manterá sem alterações face ao plano original e argumentou que poderá financiá-lo segundo os cálculos de receitas projetadas e perante a ausência de despesas.
A primeira-ministra anunciou um fundo de reserva para responder à situação no Médio Oriente avaliado em 500 mil milhões de ienes (2,7 mil milhões de euros), que será utilizado, entre outras coisas, para continuar com os apoios à gasolina.
O fundo também vai subsidiar as tarifas de eletricidade e gás de julho a setembro, o que reduzirá a despesa de cada agregado familiar em aproximadamente 5.000 ienes (cerca de 27 euros) durante os três meses.
Apesar de considerar improvável um aumento significativo das tarifas em maio ou junho, as autoridades preveem que a subida dos preços do combustível "se reflita em faturas posteriores", referiu a primeira-ministra.
Takaichi considerou que ainda não são necessárias medidas drásticas de poupança energética que travem a atividade económica, mas pediu à população que poupe energia "na medida em que não afete a vida quotidiana nem a economia".
O Japão importa cerca de 90% do crude do Médio Oriente.
O bloqueio do estreito de Ormuz devido à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, em fevereiro, obrigou o Japão a libertar milhões de barris das reservas estratégicas.
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