Antigo chefe militar, ex-primeiros-ministros, um antigo ministro da Defesa e o atual ministro da Segurança estão entre os principais adversários de Benjamin Netanyahu.
O antigo chefe militar Gadi Eisenkot, os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, o antigo ministro da Defesa Avigdor Lieberman e o atual ministro da Segurança Nacional de Israel Itamar Ben-Gvir estão entre os principais adversários políticos de Benjamin Netanyahu.
Benjamin Netanyahu é o primeiro-ministro com mais tempo no poder na história de Israel, tendo governado durante mais de 18 anos, em três períodos distintos. Agora procura um novo mandato, numa votação marcada pelas críticas à sua resposta ao ataque de 7 de outubro de 2023 e à guerra que se seguiu. Os seus adversários acusam-no de falhas na prevenção do ataque e de evitar assumir responsabilidades.
Na reta final da campanha, Donald Trump declarou apoio a Netanyahu, que descreveu como um “grande primeiro-ministro guerreiro” e parceiro na procura da paz. Apesar da proximidade entre os dois líderes, surgiram divergências durante a guerra com o Irão, depois de os Estados Unidos e Israel terem atacado instalações nucleares iranianas em 2025.
Gadi Eisenkot tem ganhado terreno nas sondagens, de acordo com a Associated Press, apresentando-se como uma figura afastada da política tradicional e defensor de uma linha dura em matéria de segurança. A sua imagem de militar, a origem humilde e a morte de um filho na Faixa de Gaza contrastam com as décadas de Netanyahu em cargos de poder e com as acusações de corrupção que enfrenta.
Tem 66 anos e é um antigo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e líder do partido centrista Yashar. Filho de imigrantes judeus marroquinos e oriundo de uma família da classe trabalhadora, dedicou cerca de quatro décadas à carreira militar.
Apoia, de forma geral, as operações militares israelitas em Gaza, no Líbano e no Irão. Contudo, critica a condução da guerra por Netanyahu, a quem acusa de falhanço estratégico após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Em 2024, demitiu-se do gabinete de guerra do primeiro-ministro, alegando a ausência de uma estratégia clara para o conflito em Gaza.
O seu programa defende o reforço da segurança nacional e da cooperação regional, embora apoie a manutenção de colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada, desde que correspondam aos interesses de Israel. A morte do seu filho, Gal Meir Eisenkot, em combate em Gaza, marcou também o seu percurso pessoal. Mesmo que o seu partido consiga mais lugares no parlamento do que o de Netanyahu, Eisenkot terá de formar alianças para reunir uma maioria parlamentar e chegar ao poder.
Naftali Bennett e Yair Lapid já conseguiram afastar Netanyahu do poder, ao formarem uma coligação após as eleições de 2021. Apesar das diferenças ideológicas, os dois lideraram um Governo que reuniu partidos liberais e conservadores e incluiu, pela primeira vez na história de Israel, um partido árabe islâmico. O executivo manteve-se em funções durante 18 meses.
Quando formaram a coligação em 2021 e puseram fim a 12 anos consecutivos de governação de Netanyahu, Naftali Bennett e Yair Lapid estabeleceram um acordo de rotatividade no cargo de primeiro-ministro.
Nesta candidatura, os dois políticos voltam a unir esforços, apesar das diferenças ideológicas: Bennett tem posições mais conservadoras e religiosas, enquanto Lapid é laico e considerado mais moderado. Entre as principais propostas de Bennett está a criação, logo no primeiro dia de um eventual novo governo, de uma comissão estatal de inquérito aos ataques liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, uma questão que tem gerado críticas à atuação de Netanyahu.
Outro possível rival é Avigdor Lieberman, antigo aliado de Netanyahu e ex-ministro da Defesa. Com posições ainda mais duras em relação aos combatentes palestinianos em Gaza, abandonou o Governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser demasiado brando, e tornou-se desde então um dos seus críticos mais ferozes.
Itamar Ben-Gvir é o líder do partido de extrema-direita Poder Judaico (Otzma Yehudit) e atual ministro da Segurança Nacional de Israel. Conhecido pelas posições ultranacionalistas e pelas declarações contra os palestinianos, defende a saída da população palestiniana da Faixa de Gaza e da Cisjordânia ocupada.
Às portas das eleições legislativas de 27 de outubro, Ben-Gvir pretende assumir o cargo de ministro da Defesa no próximo Governo, o que lhe daria maior influência sobre a política militar e de segurança israelita. Em agosto, defendeu que fossem mortas entre 30 e 40 pessoas em Gaza todas as noites, declarações que geraram fortes críticas internacionais.
Advogado de formação, foi eleito para o Parlamento israelita em 2021, depois de anos associado à extrema-direita. Atualmente, controla áreas importantes da segurança, incluindo a polícia e o sistema prisional. Em 2025, foi sancionado pelo Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Noruega, por alegadamente incitar à violência extremista contra palestinianos na Cisjordânia ocupada.
Yair Golan é o líder do partido "Os Democratas" e antigo major-general das Forças de Defesa de Israel (IDF), onde serviu durante 37 anos. Foi também vice-chefe do Estado-Maior do Exército israelita e, em 2017, trabalhou como investigador militar no The Washington Institute.
Golan ganhou destaque em Israel após se deslocar, por iniciativa própria, para a região próxima da Faixa de Gaza na manhã de 7 de outubro de 2023, para resgatar pessoas de um festival de música atacado pelo Hamas. É licenciado em Ciência Política pela Universidade de Telavive e mestre em Administração Pública pela Universidade de Harvard, tendo também frequentado escolas militares em Israel e nos Estados Unidos.
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