Diretor executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi lamentou que Ormuz não estivesse aberto e que o acesso estivesse "condicionado e controlado".
O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan al Jaber, pediu esta quarta-feira a abertura incondicional do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão, estimando que 230 navios carregados de petróleo estão prontos para zarpar.
"O estreito deve estar aberto, plena, incondicionalmente e sem restrições. A segurança energética e a estabilidade económica mundial dependem disso. A militarização desta via marítima vital, sob qualquer forma, é inaceitável", denunciou Al Jaber nas redes sociais.
O também diretor executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi lamentou que Ormuz não estivesse aberto e que o acesso estivesse "condicionado e controlado".
Al Jaber referiu que a passagem estava "sujeita a permissões, condições e pressão política" por parte do Irão, que bloqueou o estreito desde que foi atacado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
"Isso não é liberdade de navegação. Isso é coerção", criticou na mensagem, citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Al Jaber recordou que o estreito é uma passagem natural regida pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, que garante o trânsito como um direito, e não um privilégio "que se possa conceder, negar ou utilizar como arma".
Segundo o ministro dos emirados, "230 navios encontram-se carregados de petróleo e prontos para zarpar", mas estão impedidos de o fazer devido ao bloqueio do estreito, por onde passa 20% do comércio mundial de energia.
Al Jaber exigiu que todas as embarcações tenham liberdade de navegar pelo corredor sem restrições, porque "nenhum país tem direito legítimo a determinar quem pode passar e sob que condições".
Exigiu ainda que os produtores de energia "possam restabelecer a produção em larga escala de forma rápida e segura".
Anunciou que a companhia nacional de Abu Dhabi pela qual é responsável carregou petróleo e vai aumentar a produção "dentro das limitações impostas pelos danos sofridos" pelos ataques iranianos.
Al Jaber alertou para a "encruzilhada crítica" em que se encontram os mercados, uma vez que os últimos carregamentos que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes da guerra só estão agora a chegar aos destinos.
"É aqui que os mercados financeiros enfrentam a realidade física, e o hiato de 40 dias nos fluxos energéticos mundiais fica claramente exposto", afirmou Al Jaber, insistindo na necessidade de restabelecer o fluxo da energia que transita por Ormuz.
O objetivo é "reequilibrar os mercados, aliviar a pressão sobre os preços e o custo de vida", algo especialmente urgente para a Ásia, que depende em 80% dos carregamentos da região e onde reside metade da população mundial.
"A estabilidade depende agora do restabelecimento de fluxos reais. Não de um acesso parcial, nem de medidas temporárias, nem de uma passagem controlada, mas de um fornecimento pleno e fiável", acrescentou.
O bloqueio do Estreito de Ormuz foi uma das reações do Irão à ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel que enfrenta desde 28 de fevereiro.
As perturbações na navegação pelo estreito causaram uma subida dos preços do petróleo e criaram o receio de uma crise inflacionária global.
O Irão também reagiu à ofensiva israelo-americana com o lançamento de mísseis e drones contra países vizinhos, incluindo os Emirados Árabes Unidos, onde os ataques iranianos causaram pelo menos 12 mortos e danificaram infraestruturas petrolíferas.
A guerra terá já causado mais de quatro mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, de acordo com dados divulgados pelos países afetados.
Os Estados Unidos e o Irão anunciaram na quarta-feira um acordo de cessar-fogo de duas semanas, sob mediação do Paquistão, que Israel considerou não abranger o Líbano, pelo que prosseguiu com os ataques contra Beirute.
A trégua, que as partes denunciaram já ter sido violada, visa a negociação de um acordo de paz, que deverá começar a ser discutido na sexta-feira, em Islamabad, novamente por mediação paquistanesa.
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