Declarações surgem numa fase em que as negociações de paz com Washington não avançam e sob ameaça do reinício das hostilidades militares.
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) iraniano, Abbas Araghchi, alertou hoje para a "frágil realidade" no Médio Oriente, que atribui em particular aos Estados Unidos, um país descrito como um "império em declínio" a "agir por desespero".
Durante uma reunião com homólogos dos países membros dos BRICS, em Nova Deli, Araghchi elogiou por outro lado a postura "firme e orgulhosa" do povo iraniano, perante a "terrível violência" sofrida nos últimos meses, marcados pela guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
"Nunca nos renderemos à vontade e aos caprichos do imperialismo americano, que está em declínio", declarou o chefe da diplomacia de Teerão, citado pela emissora iraniana Press TV, advertindo que o seu país é "inquebrável" e se torna "mais unido e forte à medida que é pressionado".
As declarações de Araghchi na reunião do bloco de economias emergentes surgem numa fase em que as negociações de paz com Washington não conhecem avanços e sob ameaça do reinício das hostilidades militares.
"Estamos preparados para lutar com todas as nossas forças para defender a nossa liberdade e o nosso território, e estamos igualmente preparados para defender a diplomacia", reforçou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
O dirigente iraniano voltou a acusar os Estados Unidos e Israel de cometerem dois "atos ilegais, brutais e injustificados" contra a República em menos de um ano, aludindo à guerra de 12 dias em junho de 2025 e à atual.
Além disso, afirmou que os dois países usaram "premissas falsas que contradizem os relatórios da Agência Internacional de Energia Atómica e até dos seus próprios serviços de informação" sobre o programa nuclear de Teerão, que as autoridades israelitas e norte-americanas alegam servir para produzir armamento.
"O Irão, tal como outras nações, é vítima do expansionismo ilegal", declarou.
Araghchi sublinhou que as forças armadas e de segurança, os professores e os profissionais de saúde nunca deram prioridade à sua própria proteção em detrimento daqueles estão a servir, e que, apesar de "toda a pressão", o país "continua a acreditar num mundo justo, estável e livre" que exclui uma solução militar.
"Embora as nossas poderosas forças armadas estejam sempre prontas a infligir retaliações devastadoras a agressores estrangeiros, o meu povo é amante da paz e não procura a guerra", observou.
Em relação aos BRICS defendeu que simbolizam "o surgimento de uma nova ordem global em que o 'Sul Global' é um arquiteto fundamental" do futuro mundial.
"A luta contra os Estados Unidos não é incomum nem algo a que não estejamos habituados", afirmou o ministro perante os pares da organização fundada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas entretanto alargada ao Irão, Egito, Etiópia e Indonésia e também à Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que sofreram ataques aéreos iranianos na atual guerra do Golfo.
Araghchi apelou aos membros dos BRICS e a toda a comunidade internacional para condenar os Estados Unidos e Israel, "incluindo as suas ações ilegais contra o Irão", de modo a evitar "a politização das instituições internacionais e tomar medidas concretas para acabar com a impunidade".
As forças navais do Irão autorizaram desde quarta-feira a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, anunciou hoje a agência noticiosa iraniana Tasnim, no dia em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, foi recebido pelo homólogo chinês, Xi Jiping, em Pequim.
A China é o principal país importador do petróleo iraniano e um parceiro de Teerão, que colocou, desde os primeiros dias de guerra, o estreito de Ormuz sob ameaça militar, fazendo disparar os preços de bens petrolíferos.
Delegações dos Estados Unidos e Irão reuniram-se sob mediação do Paquistão, em Islamabad, em 11 de abril, mas não chegaram a acordo sobre os principais temas que afastam as partes e que incluem, além do futuro do estreito de Ormuz, o programa nuclear e de desenvolvimento de mísseis de longo alcance de Teerão, bem como o seu apoio a milícias no Médio Oriente e o descongelamento de ativos iranianos.
No seguimento do fracasso negocial na capital paquistanesa, Donald Trump ordenou um bloqueio naval aos portos iranianos, como forma de tentar asfixiar a economia da República Islâmica.
Antes de partir para a China, o Presidente norte-americano descreveu a resposta do Irão à proposta de paz de Washington como lixo e alertou que o cessar-fogo em vigor se encontra sob "respiração assistida", enquanto pondera o recomeço das operações militares no estreito de Ormuz.
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