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Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros e António Guterres discutem memorando com EUA e Estreito de Ormuz

Ao abrigo do memorando, as partes têm, a partir da assinatura do documento, 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.

02 de julho de 2026 às 23:34

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros discutiu esta quinta-feira a aplicação do memorando de entendimento com os Estados Unidos e a situação no Estreito de Ormuz com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que saudou os avanços.

O ministro iraniano anunciou nas redes sociais a discussão com Guterres, centrada na "situação no Estreito de Ormuz, no processo de implementação" do memorando de entendimento entre Washington e Teerão para o fim das hostilidades na região, bem como nos "últimos desenvolvimentos relacionados com as negociações", depois de representantes dos dois países terem realizado esta semana reuniões separadas com o Qatar e o Paquistão em Doha.

Também esta quinta-feira, Guterres saudou a "retoma do diálogo" entre Washington e Teerão e encorajou ambos os lados a "manterem o compromisso de progredir" nos 14 pontos do memorando, segundo o seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

A subsecretária-geral da ONU, Elizabeth Spehar, fez eco desta leitura durante uma sessão do Conselho de Segurança, aplaudindo "a decisão conjunta de reduzir as tensões e agir com moderação", o que, sublinhou, "oferece alguma esperança de que o diálogo e a diplomacia possam recuperar o ímpeto".

Numa sessão realizada a pedido do Bahrein, após os ataques realizados pelo Irão, Spehar também lembrou a troca de ataques do fim de semana, que "serve como um forte lembrete da fragilidade da situação atual e dos graves riscos de uma escalada ainda maior".

Segundo os mediadores qataris, as delegações dos Estados Unidos e Irão retomarão conversações técnicas indiretas sobre a implementação do memorando de entendimento bilateral após o funeral do Ayatollah Ali Khamenei, morto nos bombardeamentos israelitas e norte-americanos que desencadearam o conflito.

As partes reuniram-se quarta-feira separadamente em Doha sob mediação do Qatar e do Paquistão, e, segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed Al Ansari, concordaram em continuar as negociações "o mais breve possível", após as cerimónias fúnebres do líder supremo iraniano morto em fevereiro, que terão início no próximo fim-de-semana e terminarão a 09 de julho com o enterro na sua cidade natal, Mashhad.

O porta-voz adiantou no X que nos contactos houve avanços positivos "em questões relacionadas com o Memorando de Entendimento de Islamabad".

O memorando de entendimento, intermediado pelo Paquistão, entrou em vigor a 18 de junho, depois de ter sido assinado eletronicamente pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pelo seu homólogo norte-americano, Donald Trump.

O acordo suspendeu as hostilidades mais de três meses após o início do conflito entre os dois lados, estipulando que Teerão não irá desenvolver armas nucleares.

O texto prevê também o estabelecimento de um mecanismo para processar os 'stocks' iranianos de urânio altamente enriquecido, "no mínimo, por um método de diluição no local sob a supervisão da AIEA".

Ao abrigo do memorando, as partes têm, a partir da assinatura do documento, 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.

Após o ataque de Teerão na semana passada a dois navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, os norte-americanos responderam com ataques aéreos contra território iraniano no fim de semana.

O Irão reagiu à ofensiva norte-americana lançando mísseis e 'drones' contra os seus aliados no Bahrein e no Kuwait.

Os 'media' iranianos divulgaram esta quinta-feira que a República Islâmica aceitou durante as conversações em Doha, criar de um canal de comunicação, para sinalizar e registar eventuais violações do acordo.

O exército iraniano alertou esta quinta-feira os navios que naveguem fora das rotas estabelecidas pela República Islâmica "receberão uma resposta imediata e enérgica" e alertou os Estados Unidos para evitarem interferências no estreito de Ormuz.

"Todos os petroleiros e navios comerciais são obrigados a utilizar a rota designada pelo Irão para qualquer trânsito seguro através do estreito de Ormuz", afirmou o Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya das Forças Armadas Iranianas, num comunicado divulgado pelos meios de comunicação iranianos.

Os militares alertaram que qualquer "desvio da rota designada ou incumprimento dos protocolos de navegação da República Islâmica" no estreito "receberá uma resposta imediata e enérgica das forças armadas, o que colocará em risco a segurança das embarcações infratoras".

Alertou ainda que qualquer ação dos EUA no estreito será considerada "uma ameaça à soberania nacional do Irão e enfrentará uma resposta rápida e resoluta".

"Em defesa dos seus direitos soberanos no estreito de Ormuz, o Irão não hesitará em tomar as medidas necessárias para suprimir qualquer agressão ou intrusão por parte das forças armadas dos EUA e seus aliados", afirmou o exército.

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