Ambos os países se comprometeram também a manter o estreito de Ormuz aberto e livre à navegação internacional.
O Irão e Omã criaram esta terça-feira um grupo de trabalho para a "gestão futura da navegação no estreito de Ormuz" e dos "serviços a prestar nesse sentido e os custos associados", segundo a norma internacional.
Numa declaração conjunta publicada pela agência noticiosa oficial do Omã (ONA), ambos os países se comprometeram também a manter o estreito de Ormuz aberto e livre à navegação internacional, sempre respeitando a soberania de ambos os Estados em qualquer acordo relacionado com esta passagem marítima.
O anúncio foi feito no final de uma visita a Omã do presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do Irão com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica, Abbas Araghchi.
Segundo o comunicado, os dois países "concordaram em continuar o diálogo sobre esta questão através de um grupo de trabalho conjunto entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros [do Irão e de Omã] para chegar a um acordo sobre a futura gestão da navegação no estreito de Ormuz, os serviços a prestar a este respeito e os custos associados, em conformidade com as normas internacionais".
Neste contexto, acrescentaram que "todos os acordos relativos ao estreito de Ormuz devem respeitar integralmente a soberania e os direitos soberanos de ambos os Estados costeiros".
Os dois países reiteraram ainda o seu compromisso "de manter o estreito de Ormuz como uma via navegável marítima segura e aberta à navegação internacional", sublinhando a importância da cooperação para melhorar a segurança marítima, a liberdade de navegação e a estabilidade regional.
Ghalibaf e Araghchi foram recebidos pelo sultão de Omã, Haitham bin Tariq al Said, e ambos chegaram a Mascate depois de terem participado em negociações com representantes dos Estados Unidos, na Suíça, sobre o memorando de entendimento assinado na semana passada entre Washington e Teerão para terminar a guerra no Golfo Pérsico e desbloquear o estreito de Ormuz.
O Irão tem insistido repetidamente, no contexto deste conflito que levou ao bloqueio do estreito de Ormuz, na cobrança de taxas ou "portagens" para os navios que transitem por esta passagem marítima. Esta reivindicação gerou tensões e rejeição na comunidade internacional e nos vizinhos árabes do Irão, uma vez que o estreito é uma via navegável natural.
Ghalibaf alertou, em declarações à televisão estatal iraniana na noite de segunda-feira, que "a gestão do estreito de Ormuz nunca mais voltará à situação anterior ao conflito", que teve início no final de fevereiro com uma ofensiva conjunta entre Israel e os EUA contra o Irão.
Pelo menos 37 navios de carga transitaram pelo estreito de Ormuz na segunda-feira, um nível recorde de tráfego marítimo desde o início da guerra no Médio Oriente, segundo os dados da plataforma Kpler, quase uma semana após a assinatura de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão.
Incluindo navios porta-contentores, pelo menos 42 embarcações comerciais transitaram pelo estreito na segunda-feira, também um recorde, segundo o fornecedor de dados de navegação AXSMarine.
Este tráfego representa mais de um terço dos trânsitos em tempo de paz (aproximadamente 120 por dia) através desta via navegável estratégica para o comércio global, por onde passa normalmente um quinto das exportações mundiais de petróleo, assim como de outras matérias-primas essenciais.
O estreito de Ormuz foi reaberto na semana passada após um acordo entre o Irão e os Estados Unidos com o objetivo encerrar a guerra no Médio Oriente, mas Teerão anunciou no sábado o encerramento do estreito em resposta aos ataques israelitas no Líbano.
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