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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Delegação do Irão visita Omã para discutir futuro do estreito de Ormuz

Em cima da mesa estará a discussão do reforço, cooperação bilateral e esforços conjuntos para consolidar acordos sobre a gestão da via marítima.

22 de junho de 2026 às 20:08

O negociador-chefe do Irão e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, partiram esta segunda-feira para Mascate, com o estreito de Ormuz na agenda, disse o chefe da diplomacia de Teerão.

Araqchi disse nas redes sociais que Ghalibaf vai reunir-se com o sultão de Omã, Haitsam bin Tariq, para discutir o reforçar a cooperação bilateral e esforços conjuntos para consolidar acordos sobre a gestão do estreito de Ormuz.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, por sua vez, tem agendado um encontro com o homólogo de Omã, Badr al-Busaidi, mas não forneceu detalhes sobre a reunião.

Estes encontros ocorrem num momento em que o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tem prevista para terça-feira uma visita de Estado ao Paquistão, país mediador das negociações com os Estados Unidos, a convite do chefe do Governo de Islamabad, Shehbaz Sharif, para discutir o acordo de paz preliminar alcançado na semana passada com Washington

O memorando de entendimento, assinado pelos Presidentes do Irão e Estados Unidos, prevê o fim imediato das hostilidades, iniciadas em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica, e a reabertura do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que se encontra sob ameaça militar iraniana desde o começo da guerra.

O entendimento inclui também o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, usado como resposta às restriçõ1es no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do comércio global de produtos petrolíferos, levando a uma escala dos preços em todo o mundo.

As partes têm 60 dias para alcançar um acordo de paz definitivo, através de negociações centradas no programa nuclear iraniano e no levantamento de sanções a Teerão.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tem também prevista uma jornada diplomática no Médio Oriente a partir de terça-feira.

Rubio tem visitas agendadas aos Emirados Árabes Unidos, ao Kuwait e ao Bahrein até quinta-feira, indicou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em comunicado.

O chefe da diplomacia de Washinton vai debater com os aliados dos Estados Unidos no Golfo "o memorando de entendimento com o Irão, os esforços visando garantir a circulação livre, segura e sem entraves no estreito de Ormuz, bem como a importância da paz e da estabilidade na região", precisou a mesma fonte.

O tráfego marítimo no estreito de Ormuz continuou esta segunda-feira a um ritmo mais acelerado em comparação com o período anterior ao acordo preliminar, segundo as plataformas de rastreamento marítimo, apesar do anúncio feito por Teerão no sábado de um novo encerramento.

"Os dados mais recentes sugerem uma recuperação cautelosa, mas notória, do tráfego após o memorando de entendimento, mesmo que a situação diária se mantenha instável", comentou à agência de notícias France-Presse (AFP) Mihail Todorov, da AXSMarine, fornecedora de dados marítimos.

Ao final da tarde desta segunda-feira no Irão, a plataforma de rastreio marítimo Kpler já tinha registado 26 trânsitos de navios cargueiros.

Os dados de navegação da AXSMarine também indicam pelo menos 26 embarcações comerciais em trânsito pelo estreito até à manhã desta segunda-feira, incluindo porta-contentores.

Este nível aproxima-se dos registos na quinta-feira e no sábado, após a assinatura oficial do memorando, quando o tráfego de navios comerciais rondava os 30 por dia.

Segundo as duas plataformas, o tráfego marítimo atingiu um recorde no sábado desde o início da guerra: 38 movimentos de navios comerciais.

O estreito de Ormuz foi reaberto na semana passada, após um acordo entre o Irão e os Estados Unidos com o objetivo de pôr fim à guerra no Médio Oriente, mas Teerão anunciou no sábado um novo bloqueio em resposta aos ataques israelitas no Líbano.

Desde então, Teerão e Washington acordaram mecanismos para pôr fim aos combates no Líbano e garantir a segurança do estreito de Ormuz.

Nesta fase, os dois lados concordaram com uma linha de contacto para "evitar incidentes e problemas de comunicação", segundo os mediadores do Qatar e do Paquistão.

"Apesar da incerteza em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, o estreito de Ormuz manteve-se operacional durante o fim de semana", observou Nikos Pothitakis, assessor de imprensa da Kpler, referindo que muitos navios tinham usado a rota aprovada por Teerão ou retomado a navegação com os seus 'transponders' (dispositivos de identificação e posição das embarcações em tempo real) desligados.

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